Acentua-se a redução do endividamento das famílias

O crédito é essencial para a retomada da economia

O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2017 | 03h48

Entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, caiu um ponto porcentual – de 56,6% para 55,6% – o patamar de famílias com dívidas, menor indicador desde 2010, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A queda foi bem mais acentuada – seis pontos porcentuais – em relação a janeiro de 2016. Em um ano, mais de meio milhão de famílias eliminaram dívidas antigas e poderão contrair novos empréstimos, se ajudadas por recuperação da renda e por políticas de juros menores. Em janeiro, 90 mil famílias deixaram a condição de endividadas.

Foi a quarta queda mensal consecutiva e ocorreu tanto nas faixas de maior como nas de menor renda, mostrando tendência de ajuste dos orçamentos familiares. A decisão de quitar dívidas ajuda a pôr ordem nas finanças domésticas até que a melhora da percepção de situação das famílias acerca de emprego e renda permita voltar a tomar empréstimos para consumir ou investir.

Também diminuiu o porcentual de famílias com dívidas ou contas em atraso, de 23% em dezembro de 2016 para 22,7% em janeiro de 2017, mas, neste caso, o recuo foi menor. E, ao mesmo tempo, aumentou o porcentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas (de 8,7% para 9,3%).

É pior a situação das famílias com renda inferior a 10 salários mínimos mensais, mais atingidas pela recessão. Em janeiro de 2017, o porcentual das famílias sem condições de pagar as dívidas atingiu 10,6%, aumento de 0,3 ponto porcentual sobre dezembro. Dadas as dificuldades do mercado de trabalho, é provável que continue elevado o nível de inadimplência em cheques pré-datados, cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos pessoais e prestações de carro e de seguro. 

O crédito é essencial para a retomada da economia. Sem ele, a maioria das famílias não pode adquirir o imóvel próprio e muitas não podem comprar um veículo. Mas até que a situação das pessoas melhore e a inflação deixe de ser um grave problema, a intenção de tomar dívidas será pequena. A FecomercioSP estima que só 8,1% dos consumidores paulistanos estão dispostos a tomar crédito nos próximos três meses, porcentual inferior à média histórica de 10%. 

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