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Acentuando o positivo

Viva! A crise bancária acabou! Vamos comemorar! Ok, talvez não. No final, a divulgação desse teste de estresse dos bancos foi mais um anticlímax. Todos sabiam mais ou menos quais seriam os resultados: alguns grandes bancos precisariam levantar mais capital, mas no geral os garotos, quero dizer os bancos, estão bem. Mesmo antes de serem anunciados, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse que os resultados seriam "tranquilizadores". Mas, para se sentir realmente tranquilo, depende do que você é: um banqueiro ou alguém tentando ganhar a vida em outra profissão. Não vou interferir no debate sobre a qualidade dos testes de estresse em si, salvo para repetir o que muitos observadores notaram: os reguladores não têm os recursos necessários para fazer uma avaliação realmente cuidadosa dos ativos dos bancos e, de qualquer maneira, permitiram que os bancos negociassem sobre o que os resultados diriam. Uma auditoria rigorosa com certeza não foi. Mas, se nos concentrarmos no processo, podemos nos desviar do quadro mais amplo. Neste caso, o que estamos vendo é uma decisão do presidente Barack Obama e de seus assessores de encontrar de qualquer maneira uma solução para essa crise, na esperança de que os bancos consigam voltar a ser saudáveis. É uma estratégia que pode funcionar. Afinal, os bancos estão fazendo empréstimos cobrando juros elevadas, e não pagando nenhum juro sobre os depósitos (garantidos pelo governo). Com o passar do tempo, podem estar de novo ricos. Mas é importante ver essa estratégia e compreender os riscos. Lembrem-se que foram os mercados, e não o governo, que declararam os bancos subcapitalizados. E, embora os indicadores do mercado, como as taxas de juros sobre os títulos bancários e os preços de swaps de crédito, tenham caído um pouco nas últimas semanas, ainda estão em níveis considerados inconcebíveis antes da crise. Como resultado, as possibilidades são de que o sistema não vai funcionar normalmente enquanto esses grandes bancos ficarem mais fortes do que agora. Mas o governo Obama decidiu não fazer nada espetacular para recapitalizar os bancos. A economia vai conseguir se recuperar mesmo com bancos fracos? Talvez. Os bancos não estarão expandindo o crédito tão cedo, mas as instituições de empréstimo apoiadas pelo governo já adotaram medidas para preencher a lacuna. O Federal Reserve expandiu seu crédito em US$ 1,2 trilhão em 2008; Fannie Mae e Freddie Mac se tornaram principais fontes de financiamento hipotecário. Assim, talvez se possa deixar que a economia conserte os bancos, em vez de o contrário. Mas há muitas coisas que podem dar errado. Não está claro que o crédito oferecido por Fed, Fannie Mae e Freddie Mac conseguirá substituir um sistema bancário saudável. E, se não conseguir, a estratégia do governo pode se tornar uma receita para uma era prolongada de alto nível de desemprego e crescimento medíocre, como no Japão. Na verdade, o provável é que vamos ter alguns anos de debilidade econômica. A economia pode não estar mais afundando, mas é muito difícil ver de onde virá uma recuperação de verdade. E, se a depressão continuar, os bancos se verão em situação muito mais difícil do que os testes de estresse - que só analisaram dois anos à frente - conseguem captar. Finalmente, ante a possibilidade de perdas maiores, a relutância do governo em controlar os bancos ou deixá-los ir à falência cria uma situação de "cara, eles ganham, coroa, nós perdemos". Se tudo correr bem, os banqueiros vão ganhar muito. Se a estratégia fracassar, os contribuintes pagarão por mais um resgate financeiro. Mas o que me preocupa mais em relação ao rumo dessa política não é nada disso. É a minha sensação de que as perspectivas de uma reforma financeira fundamental estejam desaparecendo. Alguém se lembra do caso de H. Rodgin Cohen, conhecido advogado de Nova York, tachado pelo The New York Times de "eminência parda de Wall Street"? Ele foi notícia em marco, quando se informou que o seu nome tinha sido retirado depois de ter sido considerado para vice-secretário do Tesouro. Bem, esta semana Cohen disse que o futuro de Wall Street não será diferente do passado recente, e declarou: "Não estou nada convencido que exista alguma coisa inerentemente errada com o sistema". Ei, e essa pequena coisa sobre causar o pior colapso global desde a Grande Depressão? Não importa. São palavras aterradoras. Elas sugerem que, enquanto o Fed e o governo Obama continuam insistindo que estão comprometidos com uma regulamentação financeira mais rígida e uma supervisão maior, os "insiders" de Wall Street falam da indulgência da política bancária até agora - sinal de que, em breve , conseguirão voltar a jogar o mesmo jogo de antes. Portanto, apesar de os banqueiros acharem os resultados desses testes de estresse "tranquilizadores", nós devemos ficar muito amedrontados. *Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia de 2008

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