Acerto sobre dívida da Aracruz sai em janeiro

Negociações com bancos já foram adiadas duas vezes

André Magnabosco, O Estadao de S.Paulo

27 Dezembro 2008 | 00h00

A negociação entre a Aracruz e os bancos sobre o pagamento dos US$ 2,1 bilhões que a fabricante de celulose perdeu com derivativos deverá ser concluída em 30 dias, segundo o executivo próximo das negociações. "As coisas caminham bem, estou otimista sobre o desfecho das negociações", disse. A expectativa sobre o acordo tem sido apontada por analistas como a razão da recente valorização das ações da Aracruz, de mais de 15% este mês. A empresa havia indicado 30 de novembro como prazo para a conclusão das negociações, iniciadas no fim de outubro. Mas o impasse obrigou a fabricante de celulose adiar o prazo duas vezes. A inexistência de um prazo reflete a complexidade das negociações, que envolvem mais de 30 pessoas - entre bancos, escritórios de advocacia e a Estáter, empresa que representa a Aracruz nas conversações - e serão interrompidas no feriado de fim de ano. "A prioridade é manter a companhia viável", diz a fonte. "A Aracruz é referência mundial no setor. Mesmo com esse incidente, ela vai rolar sua dívida e ficará bem." O resultado dos encontros entre Aracruz e instituições financeiras, lista que inclui BNP Paribas, Citi, Goldman Sachs, ING, JP Morgan, Merrill Lynch e Santander, deverá ser a formulação de propostas com condições de pagamentos diferenciadas. As alternativas devem incluir prazos para o pagamento da dívida que vão de cinco a 15 anos. A partir desses prazos serão definidos os juros. As perdas de US$ 2,1 bilhões assumidas pela Aracruz no mês passado já estão calculadas em reais, por isso a variação cambial já não é fator de pressão nas negociações. O câmbio acertado para conversão foi de R$ 2,13 - a dívida, em reais, ficou em cerca de R$ 4,5 bilhões, mais de duas vezes maior que o valor justo das perdas anunciado anteriormente, com base nas condições do fim de setembro, que era de R$ 1,95 bilhão. Essa diferença é explicada pela oscilação do câmbio nas últimas semanas e pelo formato dos acordos de derivativos assinados pela companhia - que previam perda equivalente a duas vezes a variação cambial em caso de valorização do dólar. Preocupados com o futuro nível de alavancagem da Aracruz diante das perdas com derivativos, as instituições financeiras pressionam os controladores da companhia (Votorantim Celulose e Papel, Safra e Lorentzen detêm, cada um, 28% das ações ordinárias da Aracruz) para que façam aporte de capital. Uma das opções, segundo cogitou o Goldman Sachs, em relatório divulgado no início de novembro, seria fazer uma oferta primária de ações estimada entre US$ 1,1 bilhão e US$ 2,1 bilhões. "Existe uma pressão natural para que os acionistas coloquem algum dinheiro, mas não para a venda de ativos", diz o executivo, negando rumores de que os bancos teriam sugerido à Aracruz negociar sua participação de 50% no controle da Veracel, joint venture com a sueco-finlandesa Stora Enso. Segundo a fonte, uma negociação de ativos poderia ser positiva como reforço de caixa. "Mas dependeria do preço. A empresa não pode queimar ativos." O acordo entre Aracruz e bancos é aguardado pelo Grupo Votorantim, controlador da VCP, que pretende fazer uma nova oferta para unir as duas empresas. Antes do anúncio das perdas com derivativos, o Votorantim havia revelado acordo com os Lorentzen para pagar R$ 2,7 bilhões pela participação da família sueca na Aracruz.

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