Acesso a aeroportos é bloqueado

PARIS

, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

Trabalhadores que se opõem ao aumento da idade para a aposentadoria na França bloquearam ontem, os acessos aos aeroportos na capital e de outras partes do país, enquanto grupos de jovens quebravam vitrines de lojas em meio a nuvens de gás lacrimogêneo nas proximidades de Paris.

A polícia retirou os grevistas dos depósitos de combustível no oeste da França, restabelecendo o fornecimento de gasolina para locais onde as bombas estavam secas após semanas de protestos por causa da proposta de elevar de 60 para 62 anos a idade para a aposentadoria no país.

Para muitos trabalhadores, a mudança será o primeiro passo da corrosão dos benefícios sociais no país - que incluem longas férias, contratos que dificultam a demissão e um sistema de saúde subsidiado pelo governo - em favor de um "capitalismo no estilo americano".

Ontem, o presidente Nicuolas Sarkozy disse que vai "levar a reforma da previdência até o fim". E, apesar da longa tradição francesa em relação a greves e protestos, a paciência oficial parece estar acabando após semanas de confusão no trânsito, voos cancelados e problemas no fornecimento de combustível e, agora, a violência urbana.

Os manifestantes bloquearam a principal via que leva a um dos dois terminais do Aeroporto de Orly e depois impediram o trânsito na outra via, informou a autoridade aeroportuária. No Aeroporto Charles de Gaulle, no norte de Paris, o maior da França, os manifestantes cantaram o hino nacional antes de romper uma barreira policial. "É como se estivéssemos em outro planeta", disse o canadense Olivier Lejour, esperando para decolar do Charles de Gaulle. Embora considere "curioso" observar os acontecimentos, ele disse que os protestos alteraram sua intenção de trabalhar em Paris.

Segundo a central sindical CGT, os manifestantes também fecharam o Aeroporto Clermont-Ferrand, no Sul, e atrapalharam os serviços em Nice e em Nantes. Com a falta de combustível em quase um terço dos postos de gasolina do país, as autoridades se apressaram durante a noite em abrir três depósitos de combustível que estavam sob bloqueio dos grevistas. Não houve incidentes, informou o ministro do Interior, Brice Hortefeux.

Ainda assim, Hortefeux, prometeu que os manifestantes que realizaram protestos violentos contra a reforma da previdência no país não ficarão impunes. Ele disse que respeita o direito ao protesto dos trabalhadores, mas ressaltou que esse direito não inclui o bloqueio a outros trabalhadores ou a violência. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Ponderação

OLIVIER LEJOUR TURISTA CANADENSE

"É como se estivéssemos em outro planeta... Os protestos alteram minha intenção de trabalhar em Paris."

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