Acesso brasileiro a portos do Peru deve sair em 2 anos

A conclusão de uma rodovia interoceânica que ligará a fronteira brasileira aos portos peruanos de Ilo, Matarani e San Juan, reduzindo em aproximadamente 6 mil quilômetros a distância comercial com a Ásia, deve ser concluída em dois anos. A informação foi dada pelo representante do Conselho Nacional do Desenvolvimento do Comércio Exterior do Peru, Francisco Ruiz, que participou do seminário internacional "Saídas para o Pacífico e Áreas de Livre Comércio", que se encerra hoje em Puerto Maldonado, no Peru. "O andamento das obras está com o cronograma previsto e a rota deve ser inaugurada em 2010", afirma Ruiz. A expectativa é de que essa rota sirva de alternativa para o escoamento da produção de soja e de carne e de produtos industrializados das regiões Norte e Centro-Oeste à Ásia, que atualmente são embarcadas principalmente pelos portos de Santos, em São Paulo, e de Paranaguá, no Paraná. "O custo do transporte deve ser reduzido em até US$ 30, em média, por tonelada", diz o diretor de Planejamento do Departamento Nacional de infra-estrutura de Transportes (DNIT), Miguel Souza.Segundo ele, a idéia é incrementar inicialmente a corrente comercial entre o Brasil e o Peru e, num segundo momento, integrar o mercado brasileiro à Ásia. A estrada do lado brasileiro já está concluída. De Rio Branco, capital do Acre, até a fronteira, os 220 quilômetros da BR 317 estão asfaltados. Souza disse que a rodovia pelo lado peruano está com cerca de 50% de suas obras completas. A estrada, que terá mais de 2,5 mil quilômetros, entre Iñaparai, na fronteira, até os portos no Pacífico, vai custar cerca de US$ 700 milhões. Ruiz afirma que o Brasil vai poder se beneficiar ainda dos acordos comerciais do Peru com os Estados Unidos, Canadá, Cingapura, China, Tailândia, Coréia do Sul, Índia, Japão e União Européia, alguns deles concretizados e outros em processo de conclusão. "O Peru tem uma série de acordos. E é uma oportunidade para que as exportações brasileiras possam ser complementadas a partir das preferências tarifárias do Peru", explica.Trecho críticoO trecho crítico da estrada localiza-se entre os municípios peruanos de Puerto Maldonado e Cuzco, que tem um trajeto de 510 quilômetros de subidas pela floresta Amazônica e pela Cordilheira dos Andes. O governo do Peru pretende construir ainda uma rota alternativa a partir de Puerto Maldonado que poderá encurtar em cerca de 400 quilômetros a ligação rodoviária entre Rio Branco e porto de Ilo, no sul do Peru.De acordo com Ruiz, os portos peruanos também estão recebendo investimentos para poder atender ao crescimento da movimentação com as cargas brasileiras. "O governo (peruano) espera duplicar a capacidade dos portos até 2011", afirma ele, acrescentando que atualmente os portos movimentam mais de um milhão de contêineres por ano. "Estamos contando com o crescimento do comércio com o Brasil", diz.

RODRIGO PETRY, Agencia Estado

07 de junho de 2008 | 16h31

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