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'Acho que a reforma proposta tem muita chance de ser aprovada'

Para economista, o combate aos privilégios incluído na reforma da Previdência ajuda na sua aprovação

Entrevista com

José Márcio Camargo, economista da Puc-Rio

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 05h00

O governo terá condições de aprovar a reforma em um ano eleitoral?

As pessoas têm comentado que vai ser mais difícil, mas elas esquecem que o governo FHC mexeu na Previdência em 1998, ano de eleição. Fica mais difícil? Talvez, mas acho que essa reforma que está proposta agora tem muita chance de ser aprovada, por causa do combate aos privilégios. Se passar em fevereiro, ótimo.

O argumento de cortar privilégios foi incluído só recentemente no discurso do governo. Isso foi um erro?

Quando reduziu a proposta, o governo começou a fazer marketing dessa questão. O projeto inicial ia muito além disso. Se fosse fazer propaganda só da redução de privilégios, estaria sendo desonesto.

 ++ Entenda a reforma da Previdência

O que acontece se a reforma não for aprovada?

Vamos viver uma situação muito grave. O sistema não se sustenta. Pode não ter problemas já no ano que vem, mas no futuro vai faltar dinheiro para educação, saúde. Vai faltar dinheiro para tudo. Só teria uma solução, que é deixar a inflação crescer. O Brasil voltaria à década de 1980 e conhecemos bem esse caminho.

Falta entendimento do tamanho do problema por parte do Congresso?

Não falta entendimento. Convivi muito com os parlamentares por um ano e meio. São pessoas experientes, sabem como funciona o setor público. Tem um grupo que é ideologicamente contra e outro, que não é pequeno, com interesses particulares, que vem do setor público – e esse é o mais afetado pela reforma.

 

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