Wilton Junior/Estadão
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Coluna

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'Acho que BC deveria cortar Selic em 0,5 ponto'

Para economista, além de uma redução na taxa de juros nesta quarta-feira, outra seria necessária em maio diante do cenário internacional

Entrevista com

Tony Volpon, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2020 | 23h00

BRASÍLIA - Ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, o economista Tony Volpon criticou a análise do cenário global feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom) que praticamente deu por encerrado o ciclo de corte na taxa básica de juros.

Atual economista-chefe do UBS Brasil, Volpon defende um novo corte na Selic deste mês - dias 17 e 18 -, com possibilidade para outra queda diante do cenário internacional.

Para ele, a autoridade monetária deveria mostrar ao mercado qual o arsenal que tem para controlar o dólar, tanto em vendas de reservas como em operações de swap (que equivalem à venda no mercado futuro). Diz que o BC erra ao optar por comunicar diariamente qual instrumento e em que volume vai atuar no câmbio, sem mostrar ao mercado qual o volume total que tem disponível.

Após o carnaval, o BC negociou US$ 7,5 bilhões em operações de swap cambial novo, mudou a estratégia para a venda à vista de US$ 5,5 bilhões em leilões no começo desta semana, e retomou a oferta de swaps com US$ 1 bilhão nesta quarta-feira. A seguir os principais trechos da entrevista concedida.

O que o sr. espera para as novas reuniões do Copom

Acho que o BC deve cortar a Selic em 0,5 ponto porcentual na próxima reunião (nesta semana). E o Copom deve deixar a porta aberta para cortes de juros adicionais no futuro. Acredito que deve haver um novo corte de 0,25 ponto porcentual em maio, com a Selic chegando a 3,5% ao ano. Mas a situação é muito fluida e pode mudar.  

Sem espaço fiscal para conceder estímulos, as políticas monetária e cambial ganharam força para enfrentar a crise?

Temos tido déficits primários desde 2014. Por não ter completado o ajuste fiscal, não há espaço para novos gastos. Isso dito, acho que deveria haver uma dotação emergencial para a área de Saúde, o que é permitido dentro do teto de gastos. 

Há um debate sobre mudanças no teto de gastos. 

Tenho algumas restrições a como o teto foi desenhado, mas reconheço nele uma âncora fiscal, o que permitiu a queda dos juros que o BC tem praticado desde 2016. Idealmente, só devemos mexer na regra quando já estivermos com superávits. Mexer na regra daria uma sinalização muito ruim.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, diz estar sereno diante dos problemas mundiais e defende que o andamento das reformas seria suficiente para aplacar os efeitos da crise no Brasil.

Perdeu-se um pouco o ímpeto das reformas neste início do ano, em função da discussão sobre o Orçamento impositivo e os efeitos políticos que isso gerou. Perdeu-se o fio da meada das reformas em função disso, mas espero que se volte a colocar as reformas como pautas prioritárias.

 

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