‘Acho que não seria correto chamar de gatilho’, diz economista

Para economista, reajuste automático a ser aplicado sobre os combustíveis seria vinculado ao câmbio, e não à inflação

Entrevista com

Irany Tereza, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2013 | 02h04

RIO - Chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), o economista Samuel Pessôa não vê características de indexação na decisão da Petrobrás de sugerir um novo modelo de reajuste para gasolina e diesel que reduza a defasagem de preços domésticos e internacionais.

Também não acha correto classificar de gatilho o provável reajuste automático que passará a valer para os combustíveis, caso o conselho de administração da estatal aprove, em novembro, a proposta da diretoria executiva. Frisando que estava falando apenas em tese, já que os critérios estabelecidos pela companhia ainda não foram divulgados,

Pessôa falou sobre o assunto ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, em rápida entrevista, e disse que uma das principais consequências da medida será reduzir o uso político do congelamento artificial dos preços.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O método de reajuste automático de combustíveis que a Petrobrás está propondo pode ser classificado de gatilho?

Não, porque, qualquer que seja a metodologia, deve ser um reajuste fixado no câmbio e vai para cima ou para baixo. Acho que não seria correto chamar de gatilho. (O combustível) É uma mercadoria trading, o preço dela é dado pelo mercado internacional mais o câmbio.

Então também não caracterizaria uma indexação de preços na economia?

Não, porque não é vinculado à inflação passada, mas ao preço internacional.

Somente se o cálculo embutisse um vínculo com a inflação poderíamos classificar de indexação de preços?

Exato.

Qual a consequência de uma variação maior de preços de gasolina e diesel para a economia como um todo?

A consequência é que passaremos para um nível de maior realidade. Hoje os preços dos combustíveis estão fixados de forma artificial. A inflação, da maneira que o IBGE calcula, está correta e reflete a inflação real. Mas temos, dentro dessa inflação real, um preço importante que está congelado e isso é ruim. Temos um artificialismo. Dadas as condições, a inflação que as pessoas estão sentindo é essa mesmo que está sendo divulgada pelo IBGE.

O sr. classifica como positiva a medida?

Acho que sim. Haver uma regra clara de fixação do preço da gasolina e alguma vinculação do preço doméstico ao internacional é importante. Acho que o atual governo está usando muito politicamente o congelamento de preço da gasolina. A construção de uma regra clara é uma maneira de tirar da Petrobrás o peso político.

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