EFE
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Acidente em navio da Petrobrás traz dano à imagem, mas pouco impacto financeiro

Produção de óleo e gás na plataforma era pequena e não deve afetar geração de caixa da companhia

Fernanda Nunes, Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 21h39

O acidente com a plataforma da Petrobrás nesta quarta-feira, 11, no Espírito Santo é mais um desgaste de imagem para a companhia, que vive neste momento os dissabores de uma grande investigação por atos de corrupção, pela morte de trabalhadores enquanto exerciam seu ofício. Financeiramente, no entanto, os danos não serão de grande impacto, tanto que poucos analistas se debruçaram sobre os números. 

Na área de gás, o navio-plataforma Cidade de São Mateus, instalada no campo de Camarupim, na Bacia do Espírito Santo, responde por uma participação pequena, de 2,5%, da produção total no País. De um total de 90 milhões de metros cúbicos produzidos por dia (m³/d), a plataforma produz 2,2 milhões de m³/d, como informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Com uma produção tão pequena, a interrupção das atividades da plataforma, por conta da explosão da casa de bombas, não deve ter efeito sobre a geração de receita da empresa, acredita Edmar Almeida, professor do Grupo de Economia de Energia da UFRJ. Da produção total de gás natural da Petrobrás, 52 milhões de m³/d são vendidos no mercado. Os demais 38 milhões de m³/d são reinjetados nas bacias sedimentares ou utilizados nas plataformas e refinarias da Petrobrás. 

O analista Pedro Galdi, da Galdi Consultoria, diz ainda que o navio-plataforma Cidade de São Mateus tinha seguro e uma produção muito pequena perto do tamanho da Petrobrás. A empresa produz, por exemplo, 2 milhões de barris de petróleo por dia e a plataforma tirava apenas 2,2 mil barris, ou seja, 0,1% da produção total. 

Energia elétrica. O navio-plataforma produz pouco mais de 20% de sua capacidade total, que é de 10 milhões de m³/dia. A plataforma é especializada na produção de gás, produto essencial na geração de eletricidade por usinas térmicas, neste momento de escassez de eletricidade, por conta da seca nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Mas um provável desligamento da Cidade de São Mateus, mesmo que por um longo período, não deve chegar a gerar prejuízos ao abastecimento de gás e energia no País. “O volume de gás produzido em Camarupim será facilmente compensado pela Petrobrás”, avalia Almeida.

 Ele diz ainda que, apesar de não ter grande efeito nos resultados operacionais e no caixa da empresa, “acidentes com morte sempre têm impacto na imagem, o que, para a Petrobrás, é muito ruim nesse momento, no qual enfrentas tantos fronts de batalha”. Almeida ressalta ainda que os efeitos do acidente podem ser superdimensionados em meio ao cenário de crise.

O ex-presidente da Petrobrás Wagner Freire avalia que ainda é cedo para tirar conclusões sobre a responsabilidade da companhia no acidente, se foi causado por falta de investimento em segurança, por exemplo. Ele diz que são recorrentes acidentes em plataformas no mundo todo, mas também não classifica a explosão ocorrida no navio-plataforma como um evento “normal”. Por isso, Freire avalia que o acidente “só vem piorar a situação da Petrobrás, que enfrenta problemas graves, como o atraso na divulgação do balanço financeiro”.

A secretaria de Desenvolvimento do Espírito Santo, onde está instalada a plataforma, ainda aguarda um posicionamento da Petrobrás sobre o período de retorno da unidade para avaliar os efeitos do acidente na economia do estado.

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