Acidente pode tirar consórcio espanhol da disputa do trem-bala

Regras do edital impedem que empresa envolvida em acidente fatal nos últimos cinco anos participe como operadora do consórcio

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

25 de julho de 2013 | 12h17

Texto atualizado às 19h10

BRASÍLIA - O acidente com o trem-bala em Santiago de Compostela, que deixou 80 mortos, impedirá o grupo espanhol Renfe de participar como operador do leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV) que vai ligar Campinas a São Paulo e ao Rio de Janeiro.

De acordo com as regras do edital do trem-bala, confirmadas nesta quinta-feira, 25, pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), cada proponente da disputa deverá apresentar uma declaração "de que não participou de sistema de TAV com acidente fatal no período de cinco anos".

 

De acordo com informações da Agência Brasil, a Renfe (operadora de ferrovias) fazia parte com a Adif (administradora de infraestruturas) e a Ineco (engenharia e economia de transporte) do consórcio que disputaria a licitação do trem-bala brasileiro.

Com o acidente, o consórcio terá de procurar um novo operador de ferrovias para ter condições de participar.

Argumentos. A Renfe, no entanto, deverá tentar convencer o governo brasileiro de que está habilitada para a disputa. Um fonte do governo avaliou que a empresa deverá alegar que o trem acidentado, modelo Alvia Série 730, trafegava em uma linha com velocidade inferior a 300 quilômetros por hora (km/h), o mínimo que o governo brasileiro exige para o trecho São Paulo Rio no edital de concessão.

Essa foi uma das mudanças realizadas na última versão do edital, que antes não deixava claro que estariam habilitadas tecnologias de trens de 250 km/h, também consideradas trem-bala internacionalmente.

De acordo com o jornal espanhol El País, pouco antes da composição descarrilar, o condutor do trem teria dito por rádio que a sua velocidade chegava a 190 km/h, enquanto a curva onde houve o acidente - há cerca de 3 quilômetros da estação de Santiago - deveria ser feita a apenas 80 km/h.

A mesma regra já impedia os chineses de participarem como operadores do TAV brasileiro. Em julho de 2011, um acidente na cidade de Wenzhou, na província de Zhejiang, deixou 33 pessoas mortas e 190 feridas na colisão de dois trens. Nesse caso, a operação do trem-bala chinês ocorria em uma velocidade superior a 300 km/h.

A entrega de propostas para a disputa do trem-bala brasileiro está marcada para o dia 16 de agosto, na sede da BM&FBovespa. Após a análise de habilitação dos proponentes, o leilão será realizado no dia 19 de setembro.

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