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Acidentes em estradas custaram R$ 7,350 bilhões em 2005

Os custos causados pelos cerca de 200 mil acidentes com caminhões nas estradas brasileiras no ano passado chegaram a pelo menos R$ 7,350 bilhões e deixaram 34 mil mortos, segundo pesquisa do Centro de Estudos de Logística (CEL) da Coppead, Centro de Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As perdas materiais somam R$ 2,150 bilhões, cerca de R$ 1,740 bilhão nas cargas e R$ 410 milhões em danos aos veículos. Os maiores custos estão com as perdas humanas, que somam R$ 4,750 bilhões. A metodologia da pesquisa incluiu as perdas de rendimentos pelas vítimas de acidentes (R$ 3,6 bilhões) e os gastos hospitalares (R$ 1,150 bilhão). Outros custos como despesas judiciais estão estimados em R$ 450 milhões.Além desses, há outros itens que não foram incluídos no trabalho, como perdas psicológicas, segundo o diretor do CEL, Paulo Fernando Fleury. Ele deu entrevista sobre os dados logo após apresentar o estudo na abertura do XII Fórum Internacional de Logística, que está sendo realizado no Rio de Janeiro até quarta-feira."Os acidentes tem um custo imensurável para as empresas que é a de não entregar a carga no prazo contratado, o que pode até parar a linha de produção do cliente", disse Fleury.SUSA maior parte das perdas contabilizadas recai sobre o governo na forma de gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) e benefícios previdenciários como auxílio-acidente, pensão por morte e aposentadoria por invalidez. Segundo Fleury, o problema é agravado pela forma como o governo investe. "Não adianta recuperar estrada e não colocar sinalização e nem fiscalização. Em vez de diminuir, o número de acidentes aumenta", afirmou, com base nos dados da Polícia Rodoviária Federal e de empresas de gestão de risco de acidentes que foram utilizados pelo CEL.O trabalho vai contra a crença de que os buracos nas estradas e caminhões em más condições de uso sejam os maiores responsáveis pelos acidentes. "Quanto melhor a conservação das vias, maior é o número de acidentes".De acordo com Fleury, "em 89% das vezes, o problema não foi causado pela manutenção do veículo, mas por falha humana". Há também mais acidentes em estados de PIB mais alto. Os campeões são: Minas Gerais (18% dos acidentes com caminhões e 20% das mortes em acidentes); São Paulo (11% dos acidentes e 6% das mortes); Santa Catarina (10% de acidentes e 10% das mortes) e Rio de Janeiro (8% dos acidentes e 6% das mortes).Responsabilidade civil e criminalFleury declarou que vai propor que o plano inclua a sugestão de responsabilizar civil e criminalmente as empresas que contratam transporte para suas cargas pelos acidentes com caminhões. Para ele, seguir o exemplo de outros países que já fazem isso é a saída para reduzir os acidentes com caminhões nas estradas brasileiras, que no ano passado foram de cerca de 200 mil sendo que 89% deles foram causados por falha humana. "No Brasil, as empresas em geral, mesmo as grandes, fazem uma tremenda pressão para ter o frete mais barato possível e não se importam com as condições de segurança. É uma visão míope de um problema gigantesco que está crescendo".De acordo com Fleury, boa parte dos acidentes se dá porque os transportadores aceitam exigências de tempo e preço das empresas contratantes de frete - que têm mais poder de negociação - que forçam o motorista a trabalhar com condições de maior risco. "O que está sendo feito em responsabilidade social em relação a esses 200 mil acidentes por ano, que causam 34 mil mortes por ano? Nada. Duvido que o meio ambiente mate 34 mil pessoas por ano. Isso é quase 100 por dia, como se um avião lotado caísse a cada 36 horas", concluiu.

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