Acidentes na Usina deixam seis mortos

Em 25 de maio, Aluênio Francisco Alves, de 32 anos, faleceu no hospital Oeste D’Or, no Rio de Janeiro. Alves teve de 20% a 30% do corpo queimado na explosão de uma válvula na área de zincagem da Usina Presidente Vargas, da CSN, em Volta Redonda. O acidente ocorreu em 25 de março e vitimou quatro trabalhadores da companhia. Alves foi o último a falecer.

Vinicius Neder / Enviado Especial a Volta Redonda, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2016 | 17h00

Também não resistiram às queimaduras Dênis da Silva, de 37 anos, Wanderlei dos Santos, de 38 anos, a primeira vítima a morrer, com 70% do corpo queimado, e Renan Martins, de 29 anos. Em 2015, dois trabalhadores já haviam morrido em acidentes na usina da CSN, totalizando seis mortes.

Após a explosão de março, o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense vem cobrando mais segurança na usina e chegou a fazer um protesto, em maio. Para o sindicato, as medidas preventivas têm de ser mais rígidas do que o previsto em lei na unidade de Volta Redonda, pelo fato de a fábrica ser antiga – completou 70 anos este ano.

A CSN informou, por escrito, que investiu cerca de R$ 900 milhões em modernização nos últimos cinco anos, assegurando “melhor eficiência, produtividade, segurança e ganhos ambientais”.

Ainda assim, lamentou o acidente da área de zincagem. “A CSN considera uma tragédia inominável a perda de qualquer vida humana”, disse a empresa em nota. Segundo a companhia, as investigações mostraram que houve “um vazamento inesperado de gás no local”.

Um funcionário que trabalha há algumas décadas na casa e já atuou na comissão interna de prevenção de acidentes (Cipa), diz que a CSN investe pouco na troca de equipamentos antigos. O operário relata, sob condição do anonimato, que já lidou com um acidente em que a empresa não isolou o local para a perícia.

“A empresa conta com um quadro de sete engenheiros, um especialista, um supervisor e 32 técnicos, além do gerente de Segurança do Trabalho. A área realiza anualmente mais de 10 mil treinamentos”, diz a nota da CSN, que informa ainda que este ano já foram registrados 87 acidentes, 13% a menos do que em igual período do ano passado.

A idade da usina de Volta Redonda também preocupa por causa do meio ambiente. Os procuradores da República Marcela Harumi Biagioli e Rodrigo Thimoteo, que atuam na cidade, contabilizam cinco ações recentes do Ministério Público Federal contra a CSN. Além disso, há “dezenas” de inquéritos e ações civis públicas mais antigos. “É uma usina antiga, dos anos 40, e a CSN tem priorizado a distribuição de lucros”, diz Thimoteo.

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