Acionista da PT defende retomada de conversas sobre Vivo

Presidente do BES afirma que Oi tem 'grandíssimo potencial' para receber investimento da Portugal Telecom

Jair Rattner ESPECIAL PARA O ESTADO LISBOA, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, afirmou ontem que a Oi não é a única alternativa para o investimento da Portugal Telecom em telefonia no Brasil.

"Pode ser a Oi, mas há outras alternativas. Espero que essa decisão venha a acontecer rapidamente. A informação que eu tenho é que a Oi tem um grandíssimo potencial", disse, comentando a notícia publicada no jornal espanhol El Economista de que a empresa portuguesa poderia comprar entre 30% e 40% da Oi.

Segundo Salgado, a solução para o problema entre a Portugal Telecom e a Telefónica está nas mãos do governo português, que possui golden share (ação com poder de veto) na PT. "O problema surgiu porque o Estado português utilizou a golden share. Então, a chave está nas mãos do Estado português", disse, na coletiva de apresentação de resultados do BES.

Sem criticar diretamente, afirmou que a melhor saída para a questão é as duas empresas negociarem, para encontrar uma solução que agrade ao governo português. "Julgo que a Telefónica está no direito de atuar da forma que mais defenda os seus interesses. Acredito que os acionistas da Telefónica também devem pensar como eu, que a melhor forma de ganharem valor é sentar-se à mesa e negociar."

A ideia base é que a empresa portuguesa permaneça no Brasil. "Minha opinião é que a PT deve investir no Brasil. Nós fomos o acionista que mais apoiou, ou um dos que mais apoiou, o investimento da PT no Brasil. O presidente Lula afirma que quer a PT no Brasil, o Estado português diz que quer a PT no Brasil e nós estamos nessa."

O presidente do BES afirmou não atribuir a responsabilidade da situação à administração da Portugal Telecom e que estaria disponível para apoiar uma eventual reeleição de Zeinal Bava, presidente da PT, e Henrique Granadeiro, presidente do conselho.

"A administração da PT sempre disse que o Estado não podia usar a golden share naquele caso, mas na reunião de acionistas foi surpreendido pela decisão do presidente da mesa", lembrou o executivo. Menezes Cordeiro, presidente da assembleia, acatou a decisão do governo de usar a golden share.

Interesse

O jornal espanhol El Economista noticiou ontem que a Portugal Telecom está interessada em comprar até 40% da Oi, da fatia que pertence hoje a fundos de pensão de estatais e ao BNDES.

Questionado sobre qual o prazo para a resolução da questão da Vivo, respondeu com ironia: "Se puder ser resolvido daqui a pouco", disse olhando para o relógio, "os acionistas da PT e os acionistas da Telefónica ficariam muito satisfeitos".

A Telefónica fez uma oferta de ? 7,15 bilhões pela participação da PT na joint venture Brasilcel, que controla 60% da Vivo no Brasil. Em junho, 74% dos acionistas da PT votaram a favor da venda da participação, mas o governo de Portugal vetou o negócio, por meio de golden share.

O conselho de administração da operadora portuguesa não conseguiu dar uma resposta à proposta da espanhola dentro do prazo, que terminou em 16 de julho de 2010, às 23h59 (horário de Lisboa), e a Telefónica se recusou a dar mais tempo aos portugueses, ameaçando ir à Justiça.

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