Acionista da PT diz que há conversas com a Oi

Informação foi confirmada ontem por Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, maior investidor da operadora portuguesa

Jair Rattner ESPECIAL PARA O ESTADO LISBOA, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, admitiu ontem que a Portugal Telecom (PT) e a administração da Oi estão mantendo contato. Questionado se estão sendo realizadas negociações para a entrada da PT no capital da Oi, ele afirmou: "Sobre isso não posso falar. Há conversas, há contatos, mas há outras oportunidades no Brasil." Atualmente, com 7,99% das ações da PT, o BES é o maior acionista da empresa - depois de a Telefónica ter vendido a maior parte de suas ações.

A afirmação foi feita apesar de tanto a PT quanto a Oi terem publicado comunicados ao mercado dizendo que não havia nem acordo nem pré-acordo para a venda da participação da empresa brasileira à portuguesa. As declarações do presidente do BES foram dadas num café da manhã organizado pelo Jornal de Negócios, de Portugal.

O caminho, na opinião de Salgado, não é sair do mercado brasileiro. "A PT tem toda oportunidade de, com o valor oferecido pela Telefónica, voltar a crescer no Brasil, em parceria com brasileiros. E até ir para a África com os brasileiros. É interesse que as negociações recomecem, é melhor do que ir para tribunal. Não tenho dúvida de que os acionistas da Telefónica e da PT acham isso. Podemos perder muito tempo com isso e oportunidades no Brasil."

Processo. Ele considerou que a Telefónica, que fez uma oferta de ? 7,15 bilhões pela participação da PT na joint venture Brasilcel, que controla 60% da Vivo, só perde ao entrar com o processo na Justiça contra a PT, como anunciado nos últimos dias. "A Telefónica está indo para uma área perigosa, que é de agravar o litígio nos tribunais. Mas não é a melhor solução. É preciso acrescentar valor. Se pensarem nisso, eles têm de sentar à mesa."

Segundo Salgado, a golden share (ação com poder de veto), usada pelo governo de Portugal para impedir a concretização da oferta da Telefónica, não é obrigatoriamente um dado negativo na negociação. "A administração da PT foi muito competente. Fala-se que o valor da oferta poderia ter chegado a 7,5 bilhões. Eu atribuo esse aumento à intervenção da golden share. Se é assim, o mérito é do primeiro-ministro."

Salgado considera que não há possibilidade de manter a Brasilcel. "A parceria com a Telefónica na Vivo tem de acabar. Isso por culpa da Telefónica. Temos de pensar qual a melhor forma de defender a PT. Temos de compreender a Telefónica. Eles têm a Telesp Fixa e precisam consolidar com a Vivo."

Segundo cálculos da Telefónica, a empresa teria sinergias de 2,8 bilhões caso unisse a Vivo à Telesp, concessionária fixa de São Paulo. Na sexta-feira, venceu o prazo da oferta dos espanhóis pela Vivo, e a PT não conseguiu dar uma resposta a ela. A Telefónica não renovou a oferta.

Tamanho

21 milhões eram as linhas fixas em serviço da Oi no fim do primeiro trimestre

36,6 milhões eram os celulares da Oi ao fim de março

4,2 milhões eram os clientes de banda larga da empresa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.