Acionistas aderem à oferta da Petrobrás

Segundo fontes de mercado, a maior parte dos acionistas aderiu à oferta, mas o aumento do número de papéis ofertados pode prejudicar os investidores

Sílvia Araújo / SÃO PAULO e Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Os acionistas da Petrobrás se valeram de seu direito de preferência e garantiram participação na megacapitalização da empresa. Segundo uma fonte envolvida na oferta, praticamente todos os acionistas manifestaram sua intenção de participar da operação - último dia da reserva prioritária.

Esses investidores já têm garantido o direito de comprar papéis na proporção de 0,342822790 ação para cada uma que possuem.

Se os pedidos serão efetivados ou não, vai depender da estratégia de cada um, observou a fonte, lembrando que o pedido de reserva pode ser cancelado até o fechamento do período de formação de preços.

De acordo com a fonte, a procura pelos títulos no fim do prazo de preferência surpreendeu, uma vez que até o começo da semana só havia demanda firme por parte da União e dos fundos de pensão estatais.

As inúmeras dúvidas que surgiram desde a publicação do prospecto preliminar da oferta, em 3 de setembro, deixaram os minoritários preocupados, em especial com a possibilidade de diluição caso o governo avançasse muito em sua participação na Petrobrás. O investidor não quis perder participação, apesar das dúvidas com as regras e dos riscos da operação, disse a fonte.

Risco técnico. O risco técnico diz respeito à prospecção do óleo no pré-sal e seus desafios tecnológicos; o econômico está ligado aos custos dessa prospecção; e o político, à ingerência da União nos negócios da companhia.

Para analistas, há grande possibilidade de que o governo amplie sua participação na companhia, seja pela fatia da União, seja pela participação de bancos estatais no processo.

Em dois decretos publicados recentemente, o governo autoriza instituições ligadas ao Tesouro a trocar ações com a Petrobrás. A avaliação preliminar dos decretos indica que o governo vai usar a capitalização da Petrobrás para capitalizar também os bancos federais com ações da estatal. A União tem até R$ 74,8 bilhões para participar do processo, recursos obtidos com a venda de reservas do pré-sal para a companhia.

Se toda a reserva da etapa prioritária se confirmar, porém, para ampliar sua fatia na estatal restaria à União uma eventual sobra não absorvida pelos investidores de varejo e institucionais, que têm até o dia 22 para se posicionarem. A União já anunciou que pretende comprar R$ 74,8 bilhões em ações na capitalização, independentemente do preço, que será definido com base nos pedidos feitos na segunda fase da operação, destinada ao varejo e aos investidores institucionais que hoje não são acionistas da empresa.

Para alguns analistas, a ampliação da oefrta de ações anunciada ontem pode ser prejudicial aos acionistas que já têm papéis da companhia. Isso porque há um prêmio embutido nos papéis chamado "valor de escassez", que precifica a existência de possíveis compradores para as ações. "Quando eu compro uma ação, espero que tenha gente interessada em recomprá-la no momento em que eu quiser vender. Mas, se todos os investidores já tem as ações, não terei esse mercado", diz um especialista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.