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Acionistas da Oi se mobilizam contra fusão com Portugal Telecom

Tempo Capital, um dos principais minoritários da empresa, busca apoio de outros acionistas para tentar barrar a operação

MARIANA SALLOWICZ / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2014 | 02h05

Um dos principais acionistas minoritários da Oi, a Tempo Capital, está se mobilizando para formar um grupo contrário à fusão da companhia com a Portugal Telecom (PT) e, dessa forma, barrar a operação. Para isso, busca apoio de outros acionistas e quer representá-los em assembleia da companhia no próximo dia 27, quando será votada proposta de alteração do limite de capital da companhia, parte desse processo.

A Tempo Capital fez um pedido público de procuração aos acionistas da Oi para representação na assembleia. Na reunião, também será proposta a aprovação do laudo de avaliação dos ativos da PT, que serão usados no aumento de capital da companhia. Os minoritários acreditam que os ativos, avaliados em laudo do Santander Brasil, estão supervalorizados, o que resultará em uma maior diluição deles.

"O objetivo é ajudar a organização dos acionistas que, como a Tempo Capital, entendem que a operação (fusão com a Portugal Telecom) e o laudo de avaliação (dos ativos da PT) não refletem uma operação justa para os minoritários da Oi", afirma Domenica Noronha, sócia da Tempo Capital.

Para isso, a Tempo Capital publicou um anúncio em que pede procurações para os acionistas. "É complexo e difícil a participação da pessoa física em assembleias, mas através dessa procuração ela pode fazer valer seu voto e se manifestar", diz.

CVM. Noronha diz ainda que aguarda manifestação do colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em resposta a uma demanda da Tempo Capital, a Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da CVM entendeu que os controladores da Oi e da PT não podem votar sobre a avaliação do laudo dos ativos da empresa portuguesa que entrarão no aumento de capital. Além disso, se posicionou a favor do direito de retirada dos detentores de ações ordinárias da operadora. A Oi recorreu e o caso ainda está em análise.

Segundo ela, é esperado que o colegiado CVM corrobore a decisão da SEP, de que os controladores estão impedidos de votar. "Assim a decisão das matérias apresentadas na assembleia caberia aos acionistas minoritários. O pedido visa ajudar nesta organização para que haja tempo de todos os acionistas se posicionarem adequadamente conforme suas analises e vontades", afirma.

A Tempo Capital defende que as propostas da administração para a assembleia sejam rejeitadas, "uma vez que as mesmas não atendem nem ao melhor interesse da companhia nem de seus acionistas minoritários".

Na quinta-feira, a consultoria Glass Lewis & Co divulgou relatório em que recomenda aos acionistas da Oi a aprovação da fusão, afirmando que esta pavimenta o caminho para uma captação da companhia.

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