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Acionistas da Sete Brasil aprovam pedido de recuperação judicial

Decisão foi tomada após mudança no voto do Petros, fundo de pensão da Petrobrás; companhia criada para explorar o pré-sal tem dívida de cerca de R$ 14 bi

Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2016 | 18h34

RIO - Após dois anos à espera de um acordo com a Petrobrás, a Sete Brasil decidiu oficializar seu pedido de recuperação judicial. A decisão ocorreu em assembleia de acionistas na tarde desta quarta-feira, 20, no Rio. Com dívidas de cerca de R$ 14 bilhões, os acionistas avaliaram que não poderiam mais aguardar uma posição da estatal.

Em discussão desde dezembro do último ano, a decisão só foi tomada após a mudança no voto da Petros, o fundo de pensão dos acionistas da Petrobrás, único acionista ainda a resistir a decisão. A previsão é que a opção pela recuperação judicial seja anunciada oficialmente apenas na próxima semana, após a oficialização da ata da assembleia de acionistas.

Processo. O processo deverá ser conduzido pela consultoria Alvarez & Marsal, que já atuava dentro da Sete Brasil, na análise de propostas para reestruturação do contrato com a Petrobrás desde fevereiro. A empresa também contratou o escritório de advocacia Sérgio Bermudes para a elaboração do pedido de recuperação, que será aberto em uma Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro.

Segundo o advogado, após a oficialização do pedido na próxima semana, a empresa terá 60 dias para elaborar o plano de recuperação. Definido os termos, o plano será submetido novamente à assembleia de credores.

"Temos confiança que a proposta da sete é muito consistente, pois ela tem contratos com a Petrobrás, tem sondas e a estatal precisa desses equipamentos", afirmou Sérgio Bermudes em entrevista ao Broadcast, serviço de informações da Agência Estado.

Sócios da Sete Brasil já investiram mais de R$ 8 bilhões no projeto, até então, sem retorno. Hoje, há duas sondas com quase 90% de avanço físico das obras e outras quatro com mais de 40% de obras concluídas. As unidades devem constar no plano de reestruturação da Sete Brasil. O contrato original previa a construção de 28 sondas e o aluguel para a Petrobrás.

Com a crise na estatal e a Operação Lava Jato, as empresas iniciaram negociações ainda em 2014 para rever o contrato. A última proposta da petroleira, elaborada em março, previa a redução do contrato para até 10 sondas, além da redução do tempo de aluguel e do valor das diárias.

A proposta não agradou e a diretoria da Sete Brasil sequer participava das últimas negociações com a Petrobrás - apenas os bancos credores tocam as iniciativas, mas também sem esperanças de um acordo. A avaliação é que a estatal postergava decisão para não assumir o ônus político do calote na empresa criada em 2010 para atender a sua demanda de sondas de perfuração. Procurada, a estatal não se manifestou.

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