Acionistas decidem reestruturar controle acionário da Varig

A Varig passará nos próximos meses por umprocesso de reestruturação societária que se dará por meio dolançamento de ações ordinárias. O colégio deliberante daFundação Ruben Berta, controladora da Varig, autorizou a holdingFRB Par a não exercer o direito de subscrição das ações dachamada de capital, que será feita provavelmente em um prazo detrês a cinco meses. Os recursos que ingressarão na companhiaservirão para abater a dívida, que hoje totaliza US$ 900 milhões e para investimentos. A medida foi aprovada por 97% dos colegiados queparticiparam hoje (8) da reunião na sede industrial da empresa."Este é o paradigma que está sendo quebrado. Há quem dizia quea fundação engessava a Varig e agora estamos quebrando isso",disse o presidente do Conselho de Curadores da Fundação RubenBerta, Yutaka Imagawa. Segundo o diretor de Relações com Investidores da Varig,Manoel Guedes, na prática a fundação terá sua participaçãodiluída com a nova operação. O executivo informou que a fundaçãoaceita ficar com menos de 50% do capital da Varig, mas pretendefazer parte da gestão da empresa, ainda que de formacompartilhada. Hoje a fundação tem 87% do capital votante e 55% docapital total. "Estamos sinalizando ao mercado que a fundaçãonão pensa em deixar a Varig, mas aceita ter uma participaçãomenor do que a atual", disse Guedes. Ele explicou também queprovavelmente a fundação se juntará a outros investidores paraestabelecer o bloco de controle. Esta é a primeira vez que afundação admite oficialmente que aceita ter uma participação quenão é absolutamente majoritária. Guedes explicou que os interessados na operação deverãoser basicamente os investidores institucionais, brasileiros ouestrangeiros. Questionado se o BNDES poderia participar daoperação e comprar ações da companhia, o diretor de RelaçõesInstitucionais limitou-se a dizer que a operação "pode envolverqualquer instituição financeira do País".

Agencia Estado,

08 de março de 2002 | 22h02

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