Mauro Pimentel/AFP
Assembleia-geral de acionistas da Petrobrás, marcada para 16 de abril, vai decidir sobre o novo conselho da estatal. Mauro Pimentel/AFP

Acionistas minoritários se organizam para conseguir mais uma cadeira no conselho da Petrobrás

Grupo tem hoje três representantes e tenta união para buscar mais um assento no colegiado da estatal; governo federal indicou seis nomes nesta segunda

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 10h10

Depois de o governo fazer a sua indicação para o Conselho de Administração da Petrobrás, apresentando uma lista com seis nomes, acionistas minoritários da petroleira estão se organizando para conseguir uma cadeira a mais no colegiado - hoje o grupo tem três representantes, apurou o Estadão. A ideia seria aproveitar o momento de troca do grupo, ocasionada pela renúncia de quatro conselheiros indicados pelo governo, para tentar ganhar força dentro do grupo, algo que consideram relevante após a interferência do governo federal no comando da estatal.

O governo, por meio dos ministérios de Minas e Energia e de Economia, precisou correr para formar o grupo com seus indicados, visto que era preciso tornar os nomes públicos com um prazo de ao menos 30 dias antes da assembleia-geral dos acionistas que deliberará sobre o tema, que está marcada para o dia 16 de abril.

A formação da lista é passo precedente para que o general Joaquim Silva e Luna, o escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para substituir o atual presidente, Roberto Castello Branco, possa ser eleito conselheiro. Apenas depois de vencida essa etapa é que Luna poderá ser conduzido ao principal cargo executivo da estatal. Castello Branco, cujo mandato vence no próximo dia 20, deve se manter na presidência da Petrobrás até a assembleia, visto que seu mandato deverá se estender automaticamente.

Dentre os minoritários, uma das correntes quer selecionar dentro do próprio conselho fiscal da Petrobrás um dos nomes que representam minoritários - Marcelo Gasparino ou Daniel Alves Ferreira. "A ideia seria escolher alguém já com conhecimento na companhia para pegar o bonde andando", disse uma fonte, que falou na condição de anonimato. Outra vertente está sendo conduzida pelo conselheiro Marcelo Mesquita, que é sócio da gestora Leblon Equities. Ele estaria buscando alguém de mercado.

Na lista do governo estão Eduardo Bacellar e Ruy Flaks, os únicos da composição atual do conselho. Entre os nomes que substituirão os conselheiros que decidiram pela renúncia do cargo estão Márcio Andrade Weber, Murilo Marroquin de Souza e Sonia Julia Sulzbeck Villalobos, essa indicada pelo Ministério da Economia. Joaquim Luna e Silva completa a lista de candidatos ao conselho, divulgada nesta segunda-feira, 8.  

Segundo a Petrobrás, o governo pode fazer mais duas indicações. A indicação de Sonia, que foi membro do Conselho de Administração da Petrobrás de maio de 2018 até julho de 2020 e hoje é conselheira da Telefônica do Brasil e da LATAM Airlines Group S.A, já está sendo bem recebida pelo mercado.

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Ministérios de Minas e Energia e de Economia indicam seis nomes para o conselho da Petrobrás

Dos indicados, três são militares, entre eles o general Silva e Luna, escolhido para ser o presidente da estatal no lugar de Castello Branco; em outro movimento, acionistas minoritários tentam ampliar sua participação no colegiado

Denise Luna e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 09h01
Atualizado 09 de março de 2021 | 01h41

RIO - Uma semana depois que quatro membros do Conselho de Administração da Petrobrás entregaram seus cargos, o governo federal divulgou na segunda-feira, 9, uma lista de nomes indicados para representá-lo no comando da estatal. A indicação contempla seis das oito vagas que a União tem direito por ser acionista majoritária. O novo time será composto por três militares, entre eles o general Joaquim Silva e Luna, que deve ocupar também a presidência da petrolífera no lugar de Roberto Castello Branco

As outras três indicações são de dois ex-funcionários Petrobrás com passagem pela iniciativa privada (Márcio Andrade Weber e Murilo Marroquim de Souza) e de uma executiva, Sonia Julia Sulzbeck Villalobos, que já atuou no conselho da estatal. O governo poderá ainda ocupar mais dois lugares. Os possíveis nomes, no entanto, não foram divulgados.

Em entrevista ao Estadão /Broadcast, Sonia sinalizou a intenção de defender a continuidade da Política de Paridade de Importação (PPI) adotada na gestão de Castello Branco.

Pelo PPI, os preços dos derivados de petróleo acompanham as variações da cotação do petróleo no mercado internacional e também do câmbio. Com isso, à medida que a commodity ganha força nas principais Bolsas globais de negociação, os preços dos combustíveis sobem no Brasil. Apenas neste ano, a gasolina ficou 54% mais cara nas refinarias da Petrobrás e o óleo diesel, 42%.

“O primeiro desafio, a questão dos preços do petróleo, isso infelizmente só o tempo vai mostrar. Não há maneira de voltar a ganhar credibilidade a não ser num dia após outro, numa semana após a outra, em um mês após o outro, quando o mercado ficará mais confortável de que a paridade internacional está sendo respeitada. Não tem muito o que fazer”, afirmou ela.

As desavenças entre o presidente Jair Bolsonaro e Castello Branco se tornaram públicas exatamente por conta do PPI, após o anúncio do quarto reajuste dos combustíveis em 2021. Bolsonaro demitiu o executivo pelas redes sociais, no dia 19 do mês passado, e, desde então, os preços da gasolina e do diesel já foram revistos mais duas vezes. O episódio foi visto no mercado como interferência do governo na Petrobrás e levou a empresa a perder valor na Bolsa de Valores

Professora do Insper e atual membro dos conselhos da Telefônica Brasil e da Latam, Sonia participou do colegiado da Petrobrás no período de maio de 2018 a julho de 2020. Há mais de 30 anos ela atua no mercado acionário.

Além dela, o governo vai contar com dois militares que já tinham assento no conselho da petrolífera e, agora, vão ser reconduzidos: o almirante da Marinha Eduardo Bacellar Ferreira Leal, presidente do colegiado, e o engenheiro e oficial da reserva da Marinha Ruy Flaks Schneider.

Analistas receberam bem as indicações. “Mesmo a Sonia Julia, que não é do setor de petróleo, atua ativamente em outros conselhos de companhias. São nomes técnicos e pró-mercado. Isso é muito importante, porque o conselho toma decisões-chave, como a venda das refinarias”, avaliou Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

O analista de ativos mobiliários do Bradesco BBI Vicente Falanga classificou as indicações como “tecnicamente sólidas”. “Temos de esperar e ver como essa nova gestão vai interagir com as mensagens vindas do governo federal”, afirmou Falanga, em relatório assinado junto com Ricardo França, analista de investimentos da ÁgoraCOLABORARAM ERNANI FAGUNDES, WAGNER GOMES e FERNANDA GUIMARÃES

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