Aço deve continuar caro em 2005

Os preços dos produtos siderúrgicos já atingiram um novo patamar internacional, assim como a demanda mundial por aço. O retorno aos níveis que vigoraram até o ano passado é uma possibilidade fora de cogitação. Em 2005, o aço continuará caro e, mesmo que haja redução no ritmo de reajustes ou até algum recuo em determinados produtos, o preço médio ficará acima do praticado este ano. A avaliação é consenso entre empresários de peso no setor, como Jorge Gerdau Johanpeter (Grupo Gerdau), Guy Dollé (Arcelor). José Armando de Campos (CST), Omar Silva Junior (Cosipa). Os produtos semi-acabados, por exemplo, como placas de aço (usados pela própria indústria siderúrgica na fabricação dos componentes que irão abastecer outros segmentos industriais, como os setores automotivo e de eletromésticos) devem fechar 2004 com uma média de preço em torno de US$ 340 a tonelada. E já iniciarão 2005 custando entre US$ 500 e US$ 520. Também o consumo no mundo, que saltou da média histórica de 800 milhões para 1 bilhão de toneladas/ano, impulsionado especialmente pelo espetacular crescimento chinês, tende a se estabilizar neste estágio. Uma reversão de trajetória, que chegou a ser projetada desde que o aço iniciou a vertiginosa curva de alta, a partir de 2002, parece descartada. A mudança definitiva dos critérios de preço e demanda foi um dos principais assuntos em debate hoje, no 45.º Congresso do Instituto Latino Americano do Ferro e do Aço (Ilafa), que se realiza em Buenos Aires. O recorde de participantes no encontro - mais de 900 inscritos, ante uma média em torno de 600 nos eventos anteriores - reflete o clima de euforia vivido pelo setor siderúrgico desde o início do ano passado. "A siderurgia está dando um salto mundial como não se via há 15 anos, com crescimento de 4,7% previsto para este ano", comentou José Armando Campos, presidente da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e atual presidente do Ilafa. "E acabou o exercício masoquista de tentar prever um novo ciclo de baixa", declarou. O cenário favorável está propiciando planos agressivos de expansão, como o do Grupo Gerdau que está construindo uma nova usina em São Paulo e prevê um investimento total de US$ 1,979 bilhão nos próximos três anos, apenas em seus projetos no País. Para o ministro de Planejamento da Argentina, Julio de Vido, as siderúrgicas latino-americanas que, segundo lembrou, participam com 6% da produção mundial, podem elevar esta fatia para 8% nos próximos dez anos, "mas para isto será necessário o triplo dos investimentos atuais".

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