Ações: analistas apontam as melhores opções

A maioria dos analistas acredita que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve encerrar este ano com um resultado positivo, diferentemente dos dois últimos anos, quando a Bolsa acumulou resultados negativos - baixa de 11,02% no ano passado e queda de 10,72% em 2000. Mas é bom lembrar que, em 1999, a Bolsa apresentou um ganho surpreendente: alta de 151,96%. Para 2002, os analistas têm afirmado que as perspectivas para cada empresa estão influenciando mais a escolha dos papéis do que as análises por setor. Veja abaixo as ações mais recomendadas pelos analistas. Belgo Mineira e Grupo GerdauSão empresas do setor siderúrgico. As ações destas companhias são citadas como as melhores opções do setor siderúrgico pelo gestor de renda variável do banco Safra, Valmir Celestino. "São empresas voltadas para a produção de aços longos usados na construção civil. Isso é uma vantagem, pois, mesmo em período de desaquecimento econômico, elas conseguem vender seus produtos, já que este setor não pára, mantendo pelo menos um crescimento vegetativo", diz. Outra vantagem destas empresas, de acordo com o gestor, é que não há concorrência para estas companhias no mercado interno. No ano passado, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Belgo Mineira acumularam um ganho de 11,97% e as do Grupo Gerdau, 23,46%. "O preço do aço longo subiu mais do que a inflação, o que favoreceu o resultado das empresas", afirma Celestino. Ganho passado não é garantia de rendimento futuro, mas Celestino acredita que estas ações devem continuar oferecendo boa rentabilidade aos investidores. "Além da perspectiva de reaquecimento da atividade econômica, no caso da Gerdau, a empresa é favorecida pela compra da siderúrgica norte-americana Birminghan Southeast, o que fará da companhia a única siderúrgica brasileira com parque produtivo nos Estados Unidos", declara o gestor do Safra. O diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, concorda com a recomendação dos papéis da Gerdau. De acordo com a sua avaliação, as ações da companhia têm preço-alvo de R$ 40,80 em 12 meses, o que significa uma perspectiva de ganho de 62,10% em relação aos últimos negócios de ontem. CSN e UsiminasTambém são companhias do setor siderúrgico, mas não concorrem com a Belgo Mineira e a Gerdau. São voltadas para a produção de ações planos - usados no setor automobilístico. "Como a venda de carros no ano passado ficou muito desaquecida, o preço destes papéis está muito abaixo do que de fato valem", afirma Celestino.Ziegelmann, da BankBoston Asset Management, também acredita no potencial de valorização das ações da CSN. Segundo ele, a empresa está voltada para o mercado externo e, se houver uma retomada da atividade econômica mundial, as ações da companhia estarão entre as primeiras a se beneficiar. Como preço-alvo para a ação ordinária (ON, com direito a voto) em 12 meses, ele estipula a cotação de R$ 59,00, o que sugere um rendimento de 37,21% no período em relação aos últimos negócios de ontem.No caso da Usiminas, as ações preferenciais tipo A (PNA) também são recomendadas pelo diretor da HSBC Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, Sylvio Rocha. O preço-alvo indicado pelo executivo para o período de 12 meses é de R$ 15,32, o que significa uma perspectiva de ganho de 122,02% no período.Telemar Norte Leste, Telesp Celular, Brasil Telecom e Tele Centro-Oeste CelularNo ano passado, as empresas do setor de telecomunicações sofreram muito com a alta do dólar. Além disso, como as ações deste segmento apresentam grande liquidez, qualquer tendência mais forte na Bolsa, seja de alta ou baixa, tem influência maior sobre estes papéis. Rocha estabelece como preço-alvo para as ações PNA da Telemar Norte Leste, no período de 12 meses, a cotação de R$ 78,40 - perspectiva de ganho de 40%. Para a Telesp Celular PN, o preço-alvo é de R$ 9,46, com projeção de ganho de 20,97% no período. Já a Brasil Telecom PN tem preço-alvo de R$ 23,00, projetado pelo diretor da HSBC Corretora, um rendimento de 84,14%.Entre as empresas do setor de telecomunicações, Ziegelmann aponta as ações preferenciais da Tele Centro-Oeste Celular como uma boa opção. "Esta é a melhor empresa do setor de telefonia celular. Em 12 meses, o preço-alvo da ação é de R$ 8,00", diz. Neste caso, o ganho previsto é de 60,64%.Cemig, Copel e LightRocha afirma que estas empresas foram muito prejudicadas pelo racionamento de energia em 2001. Este fator já não deve pesar neste ano, já que há a possibilidade de que o racionamento chegue ao fim. "Esta expectativa já está embutida no preço das ações, mas há ainda a chance de ganhos expressivos", diz o diretor da HSBC Corretora. Além disso, segundo ele, a mudança de governo em Minas Gerais favorece os papéis da Cemig, já que a presença do governador Itamar Franco era considerada um risco pelos investidores. No caso da Copel, a perspectiva de privatização favorece as ações. Rocha acredita que o preço-alvo para a Cemig PN em 12 meses é de R$ 43,00; para a Copel PNB, R$ 23,68; e para a Light ON, R$ 192,00. Isso significa uma perspectiva de ganho de 43,33%, 53,17% e 59,96%, respectivamente.Petrobrás e BR DistribuidoraRocha avalia que, em 2002, as ações da Petrobrás continuarão com a característica de "defesa" em uma carteira de ações. "Os papéis são favorecidos em momentos de alta do dólar. Além disso, a perspectiva de reaquecimento econômico, que favorece a demanda por petróleo, também tem influência positiva sobre as ações", afirma. O diretor estabelece um preço-alvo de R$ 70,00 para as ações preferenciais em 12 meses, prevendo um ganho de 45,65% no período.Neste setor, o diretor do BankBoston indica as ações preferenciais da BR Distribuidora, com preço-alvo de R$ 48,00 em 12 meses, o que sugere um ganho de 41,17% no período. "Os ativos da empresa passaram a ser muito valorizados", avaliaOutras recomendaçõesEntre as empresas que têm produção voltada para o mercado interno, Ziegelmann recomenda os papéis Duratex PN (preço-alvo de R$ 73, com perspectiva de ganho de 73,81%); Lojas Americanas (preço-alvo de R$ 6,5, com perspectiva de ganho de 28,71%); e Klabin PN (preço-alvo de R$ 1,80, com perspectiva de ganho de 51,26%).No caso das companhias que têm produção voltada para o exterior, as melhores opções, segundo Rocha são: Perdigão PN (preço-alvo de R$ 23,78, com perspectiva de ganho de 55,42%); e as ações ordinárias da Embraer (preço-alvo de R$ 14,53, com perspectiva de ganho de 22,10%).Além da recomendação das ações, os analistas também indicam o investimento em Bolsa apenas para a parcela dos recursos que não tem uma data definida para resgate. Ou seja, o investidor precisa ter disponibilidade de tempo para esperar que a ação tenha a valorização desejada. Rocha também comenta que toda ação que atingir o seu preço-alvo deve ser trocada. Isso significa que o investidor deve vender o papel, embolsar o ganho pretendido e escolher outra ação para ocupar sua carteira. Para quem não tem condições de fazer este acompanhamento, a melhor opção é optar por um fundo de ações. Neste caso, é o gestor quem fará este acompanhamento e, por este trabalho, cobrará uma taxa de administração que incide sobre o patrimônio total da carteira.Veja no link abaixo como os analistas estão formando suas carteiras de ações neste ano. Segundo eles, a escolha dos papéis toma por base a análise do setor e da empresa, mas, neste ano, as perspectivas individuais de cada companhia terão peso maior, já que há muitas diferenças entre as empresas em cada setor.

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