Ações: analistas recomendam o setor bancário

A resistência ao investimento em ações foi reforçada com o aumento de incertezas pelo agravamento do cenário externo. Mas pode ser momento de aproveitar os preços baixos das ações e tentar obter um rendimento atraente, embora correndo alto risco. Um dos setores recomendados é o bancário.Passado o período de especulações por causa da privatização do Banespa, as ações de bancos tendem a ganhar novo fôlego no curtíssimo prazo. Por isso, segundo os especialistas, quem tem interesse em entrar nesse mercado deve tirar proveito da baixa e comprar papéis baratos.Antes do leilão do Banespa, o temor dos investidores era que um dos grandes bancos, como Itaú e Bradesco, arrematassem esse banco por valor muito elevado apenas para manter a posição no mercado. Essa possibilidade acabou alimentando incertezas nos investidores, pois, bancando um preço alto, explica o gestor de Investimentos do Deutsche Bank, Alexandre Vasarhelyi, a aquisição comprometeria o lucro do banco vitorioso e, por tabela, a rentabilidade do acionista. "Como a compra foi feita por um banco que está fora dessa disputa direta, o cenário está normalizado e os papéis voltaram a ter bom desempenho."O analista do Chase Manhattan, Rogério Penalva, diz que o setor bancário é indicado principalmente para quem pretende auferir um ganho maior do que o oferecido em produtos de renda fixa tradicionais, mas não tem "estômago" para enfrentar elevado risco. "Existem setores que podem premiar o investidor com um retorno maior, como o de telefonia. Mas, em contrapartida, são setores que embutem maior risco." A vantagem do setor bancário é que as instituições brasileiras são muito bem estruturadas e, por isso, seguras, avalia Vasarhelyi. Além disso, as ações estão sendo negociadas com preço abaixo de seu valor real.DesempenhoMesmo com a redução dos spreads, diferença entre o custo de captação do dinheiro e o retorno dos recursos concedidos a clientes em empréstimos, que corresponde ao ganho da intermediação, a rentabilidade das instituições financeiras permanece em expansão. A fórmula adotada pelos bancos foi ampliar a carteira de crédito para compensar a queda do spread, explica Paschoal Paione, analista de Investimentos da Fator Doria Atherino.O analista da Planner Corretora, Mauro Mazzaro, ressalta, no entanto, que como tiveram crescimento bastante agressivo em 1999, os bancos dificilmente devem sustentar esse ritmo daqui para frente. Segundo levantamento feito pela Planner, em 1999 os papéis do Itaú e Bradesco tiveram valorização de 174% e 137%, respectivamente. Em 2000, até quarta-feira, o ganho era de 1,75% e 6,8%, pela ordem.Mas isso não significa dizer que o setor vai perder atratividade, pois os bancos nacionais são bastante sólidos e não devem ter queda no desempenho que prejudique seus cotistas, avalia Mazzaro. "Simplesmente, o retorno ocorrerá de forma mais gradativa, mas os bancos continuarão rentáveis."

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