Ações atingem o menor preço desde 99

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) pode ter encontrado o fundo do poço nos últimos dias. Quase um terço das ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa - chegaram a bater recentemente a menor cotação desde 1999, segundo levantamento da Financhart e da Economática. Atualmente, o Ibovespa gira em torno de 13 mil pontos, mesmo patamar de novembro de 1999, quando houve uma forte desvalorização do real em relação ao dólar. "Estamos passando por uma ausência total de fluxo de dinheiro novo. A economia mundial como um todo está desaquecida. O nosso mercado apenas reflete isso", afirmou o chefe da área de análise da BBV Corretora, Carlos Firetti.Os analistas atribuem a queda generalizada a vários motivos: a desvalorização cambial, a crise na Argentina, o racionamento de energia e a expectativa de desaquecimento da economia brasileira no segundo semestre.Embratel e Bradespar O estudo da Economática mostrou que duas ações da carteira do Ibovespa - Embratel e Bradespar - atingiram recentemente a menor cotação já registrada em todo seu histórico. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da Embratel foram negociados a R$ 9,50 por lote de mil no último dia 24, o valor mais baixo desde 21 de setembro de 1998, quando começaram a ser negociadas separadamente na Bovespa, após a privatização. Nessa data, o papel valia R$ 7,76 por lote de mil. A Embratel vem sendo prejudicada pelo crescimento da inadimplência, por sua elevada dívida em dólar e pela revisão das estimativas de crescimento neste ano. As ações preferenciais da Bradespar registraram a mínima de R$ 0,66 por mil em 21 de agosto, a menor cotação desde 10 de agosto de 2000. Nessa data, os papéis foram lançados com a cisão dos ativos não-financeiros do Bradesco. A Bradespar é afetada pelo desempenho das companhias nas quais tem participação, e a Globo Cabo é considerada a maior vilã. A operadora de TV a cabo deve ser uma das mais afetadas pelo desaquecimento da economia. A cotação do papel chegou a R$ 0,75 em 21 de agosto, a menor desde 12 de julho de 1999. Para a analista-chefe da Fator Doria Atherino, Lika Takahashi, existem muitos papéis baratos no mercado. Isso não significa que eles vão começar a subir de uma hora para outra", ressalta. Segundo ela, faltam boas notícias para desencadear uma recuperação dos papéis no curto prazo. Veja no link abaixo os fatores que podem determinar uma recuperação na Bovespa e a expectativa dos analistas sobre as possibilidades de ganho.

Agencia Estado,

04 de setembro de 2001 | 08h56

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