Ações caem 9% e presidente da Petrobrás diz que vai insistir em novos reajustes da gasolina

A Petrobrás deixou claro ontem que continuará brigando por reajustes nos combustíveis e pela paridade dos preços de seus produtos com os praticados no mercado internacional. Em apresentação para detalhar o plano de negócios 2012-2016, a diretoria mostrou que os reajustes da gasolina (7,83%) e do diesel (3,94%) autorizados pelo governo e em vigor desde ontem não compensaram integralmente a defasagem de preços.

SABRINA VALLE, SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h09

A apresentação da diretoria ontem mostrou que desde janeiro de 2011 a Petrobrás vem perdendo com o não repasse de preços. "Este é um fundamento do plano do qual não se abriu mão. O reajuste de agora nos colocou mais próximos do alvo, mas o alvo continua sendo a meta da empresa", disse o diretor Financeiro, Almir Barbassa, dizendo que novos reajustes seriam esperados para o médio e longo prazos.

Apesar de ter elevado em US$ 14 bilhões os investimentos em exploração e produção, a empresa reduziu em 14% as metas de produção no Brasil para 2020. "Foi com muito realismo que definimos a curva de produção a partir de 2012", alegou a presidente da companhia, Graça Foster. Em encontro com investidores, ela ressaltou que "não é possível considerar milagres na hora que se tem uma demanda tão forte".

Os argumentos em torno de futuros reajustes e de metas mais realistas para a produção não conseguiram impedir o baque no desempenho das ações. O aumento de preços, que passou a vigorar ontem nas refinarias - e que não chegará ao consumidor - foi considerado insuficiente e tardio pelos investidores. As ações com direito a voto (ON) da companhia desabaram 8,33% e as preferenciais, 8,95%, arrastando o Ibovespa para uma baixa de 2,95%.

Segundo fontes do Estado, a companhia defendeu no plano de negócios reajuste de 15% nos combustíveis para financiar um aumento de 5,2% em seus investimentos, previstos agora em US$ 236,5 bilhões até 2016. "O controlador aprovou o plano e o primeiro item é a paridade de preço", afirmou Graça Foster: "É fundamental que estejamos discutindo no conselho a nossa capacidade de investimento frente à pressão de caixa da companhia."

O governo, que usa os investimentos crescentes da Petrobrás para estimular a economia do País, abriu mão integralmente da arrecadação de R$ 420 milhões mensais da Cide, zerando o tributo, de forma a conceder o maior reajuste possível sem repasse de preço ao consumidor.

A apresentação do primeiro plano sob o comando de Graça imprimiu o estilo de gestão da executiva: centralização de poderes, planos mais factíveis e maior rigor no cumprimento de metas. Graça reconheceu que há oito anos as metas vêm sendo descumpridas. Metas que considerou ousadas demais. Deixou claro que metas de produção e aprovação de investimentos passarão por ela.

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