Ações da Apple caem 2,2% com saída de Jobs

Em meio a um crescimento de 70% no faturamento da Apple em 2010, os investidores parecem aos poucos se acostumar com a perspectiva de a empresa ficar sem o seu carismático presidente e fundador, Steve Jobs, por um longo prazo ou mesmo de forma definitiva. Apesar de as ações caírem 2,2% na Bolsa de Valores de Nova York, o impacto não foi similar ao de dois anos atrás, quando as ações despencaram, perdendo quase metade de seu valor.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

Na Europa, as ações subiram 4% depois de queda de 6% anteontem - nos Estados Unidos, o mercado estava fechado na segunda-feira por causa do feriado, permitindo que os investidores digerissem melhor a notícia. Ao longo do último ano, a Apple teve uma valorização de 64% na Bolsa graças ao sucesso de vendas do iPad e do iPhone4.

De forma inesperada, Jobs anunciou na manhã de segunda-feira que deixaria a empresa para tratar da própria saúde. Sobrevivente de um câncer no pâncreas, ele também sofre complicações de um transplante de fígado. Diferentemente de janeiro de 2009, quando o executivo afirmou que retornaria em seis meses, desta vez não foi estipulada data. A falta de uma definição provocou uma série de especulações sobre o futuro da Apple.

Vendas. A licença de Jobs ofuscou o anúncio dos resultados trimestrais da Apple, que foram divulgados ontem. O faturamento cresceu 70%, para US$ 26,74 bilhões. Foram vendidos mais de 16 milhões de iPhones, 7,3 milhões de iPads e 4 milhões de computadores, de acordo com o anúncio da empresa.

O principal foco dos analistas ontem era em Tim Cook, que já dirigia o dia a dia da empresa. Ele deve assumir as funções de Jobs nos próximos meses e recebeu elogios de especialistas no mercado de tecnologia. Outras figuras importantes da Apple também são bem avaliadas. O consenso era de que a empresa suprirá a falta de Jobs com uma série de figuras que atuam desde a área de inovação, passando por negociação e administração.

"A saída de Jobs é negativa, mas a companhia tem um grande time", disse Shawn Kravetz, de um fundo de investimentos especializado em tecnologia, em declaração para a agência de notícias Reuters. "Mesmo grandes times podem perder seus capitães", acrescentou.

Jobs, um dos mais visionários e inovadores executivos americanos, é admirado não apenas pelos seus pares, como também por consumidores ávidos por comprar produtos como o iPad, iPhone e iPod, que o consideram praticamente um guru. O executivo se envolvia diretamente na elaboração desses produtos e chegou a comprar brigas, como no episódio do mau funcionamento da antena do iPhone 4.

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