Ações da Apple têm a maior queda em quatro anos

Resultado pior que o esperado pelo mercado fez papel recuar 12,35% e empresa perder cerca de US$ 60 bi em valor de mercado

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h10

A Apple, maior empresa do mundo em valor de mercado, sofreu ontem seu maior revés na Bolsa dos últimos quatro anos. As ações da empresa fecharam em queda de 12,35% na bolsa eletrônica Nasdaq, refletindo a insatisfação do mercado com os resultados do primeiro trimestre fiscal, anunciados no dia anterior.

A principal preocupação dos analistas foi com as vendas de iPhones na temporada de festas de fim de ano. Apesar de terem somado o número recorde de 47,8 milhões de unidades no trimestre encerrado em dezembro, a cifra ficou abaixo das estimativas, de pelo menos 50 milhões de unidades. Isso provocou um certo temor de que a empresa esteja perdendo terreno na batalha dos smartphones.

Para o analista Peter Misek, da Jefferies & Co., a desaceleração do iPhone é "real e material" e deve permanecer. "Achamos que a Apple está perdendo as guerras em tamanho de tela", disse, assinalando que a demanda está migrando das telas de 3,5 e 4 polegadas para aquelas de 5 polegadas oferecidas por rivais como Samsung, HTC e Nokia.

Com a queda de ontem, a Apple registrou, em apenas um dia, uma perda de cerca de US$ 60 bilhões em seu valor de mercado. A empresa fechou a quinta-feira valendo US$ 423 bilhões, e viu seu posto de maior empresa do mundo ser ameaçado pela petroleira ExxonMobil, que terminou o dia valendo US$ 416 bilhões.

O Deutsche Bank reduziu o preço-alvo para a ação da Apple de US$ 800 para US$ 575, e afirmou que a empresa deveria começar a desenvolver um iPhone com preço menor para recuperar a perda de mercado.

Sem lançamentos. Analistas também afirmaram que o crescimento da empresa está atrelado a novos produtos, mas ressaltaram que um lançamento não está no horizonte.

"Para reacelerar o crescimento, a Apple precisa principalmente lançar novos produtos, mas isso parece pouco provável antes de junho", disse o analista Stuart Jeffrey, da Nomura.

A companhia tem sido alvo de rumores sobre estar desenvolvendo um televisor, mas até agora desviou a atenção de questões sobre sua existência. A Apple não lança uma nova linha de produtos há cerca de três anos, exceto por uma versão menor do iPad - indo atrás de rivais que já tinham lançado produtos nessa categoria.

Alguns analistas têm questionado a estratégia da empresa de apostar sua fortuna em um único celular, enquanto outros afirmaram que uma versão mais barata do iPhone poderia compensar a perda de participação de mercado. / REUTERS

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