Ações da BrT despencam com proposta da Oi

Ações da BrT despencam com proposta da Oi

Descoberta de pendências judiciais leva Oi a reduzir valor das ações da BrT na incorporação

Rodrigo Petry, Vinícius Pinheiro e Monica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

A mudança nas condições da incorporação da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (ex-Telemar) surpreendeu negativamente até os mais pessimistas no mercado financeiro. Ao alterar a relação de troca entre as ações das duas empresas prevista no processo de fusão, a Oi atribuiu à BrT toda a conta das pendências judiciais descobertas na empresa após a realização do negócio, no valor de R$ 2,3 bilhões, de acordo com especialistas ouvidos pela Agência Estado.

No pregão da BM&FBovespa, as ações ordinárias (ON) da BrT despencaram 17,63% e as preferenciais (PN) caíram 5,46%, ajustando-se à nova relação de troca. O anúncio do passivo na BrT - de processos referentes aos antigos planos de expansão - foi feito em maio de 2009, mas foi apenas em janeiro deste ano, após o aumento de mais R$ 1,290 bilhão nas provisões, que a Oi anunciou a interrupção no processo de incorporação e a necessidade de revisão na relação de troca.

Pela nova proposta da Oi, cada ação ON da BrT valerá 0,3955 da Telemar Norte Leste (Tmar), o que representa uma perda de 9,9% em relação às condições originais, enquanto o papel PN da operadora será trocado por 0,2191 da empresa - 20,8% abaixo das condições originais.

A Oi informou que só levará a operação adiante se os acionistas minoritários aprovarem as novas condições. Na avaliação da analista-chefe da Ativa Corretora, Luciana Leocadio, as chances de rejeição à proposta são grandes. Ela argumenta que os novos valores estão sendo reduzidos com base na avaliação da Oi de provisões para perdas em processos ainda não concluídos, e que não necessariamente resultarão em perda de fato para a companhia.

Para a especialista, caso a nova relação não seja aprovada, o cenário mais provável é que a Oi cancele a troca de ações, deixando os papéis da BrT listados em bolsa. "Acreditamos que isso poderá gerar uma pressão adicional nas ações do grupo, em particular da Brasil Telecom, uma vez que o cenário de unificação da liquidez desses papéis não se concretizará", diz.

Risco. O diretor financeiro da Oi, Alex Zornig, admitiu à Agência Estado que a mudança nas condições da incorporação pode não ser aprovada pelos acionistas minoritários. "O risco de não se aprovar existe, mas a empresa está calma", afirmou. O executivo reiterou a intenção do grupo de suspender a incorporação caso a nova relação de troca seja vetada. "Simplesmente nós paramos a incorporação e deixamos a BrT com os minoritários."

Apesar de enxergar o risco, o executivo está confiante na aprovação da operação. Segundo ele, alguns acionistas já sinalizaram a intenção de aprovar a nova relação de troca. "Eles entendem que a perda de ficar com a ação é maior do que com a migração", explicou. Além disso, Zornig pondera que o acionista da BrT pode ter levado um "susto" ontem, mas a migração acabará sendo uma alternativa de investimento melhor. Isso porque o grupo Oi paga dividendos maiores e são ações com maior perspectiva de valorização, por estarem sendo subavaliadas.

De acordo com o executivo, mesmo com o "prejuízo" agora, o acionista que migrar conseguiria recuperar a perda. Zornig admite ainda que a mudança nas condições da operação pode gerar reclamações judiciais. "Contestações sempre vão ter, tem sempre o chororô de alguns", disse. Mas completou: "Estamos com a consciência limpa porque, pela ótica fiduciária, tivemos de fazer isso."

Perdas

17,63%

foi a queda das ações ordinárias da BrT no pregão de ontem da BM&FBovespa. As ações preferenciais tiveram queda de 5,46%

0,3955

é quanto passaria a valer cada ação ON da BrT em relação a uma ação da Oi, uma queda de 9,9% em relação às condições originais

0,2191

seria o novo valor das ações PN em relação à ação da Oi

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