Ações da Eletrobras são desaconselhadas

Mesmo com a expectativa de reestruturação da Eletrobrás, analistas do mercado não consideram a compra do papel uma boa opção no momento. A indefinição quanto ao modelo de privatização da companhia e as incertezas sobre seus resultados deixam investidores e administradores inseguros.O diretor de Renda Variável do Banco CCF, Lúcio Gracco, diz que, por ser uma holding muito grande e com várias subsidiárias, como Furnas, Chesf e Eletronorte, a reestruturação da Eletrobrás pode ser demorada. Enquanto isso não ocorre, o investidor pode ficar exposto ao risco das oscilações do mercado acionário sem perspectiva de ganho com o papel.O gerente de Finanças da corretora Socopa, Gregório Mancebo, também acredita que a grande preocupação no momento é a demora da privatização. Para ele, no curto prazo, a holding não deve apresentar nenhuma novidade. "Este ano não deve ser tomada nenhuma decisão sobre a privatização por conta das eleições municipais".Conforme Mancebo, essas projeções acabam inibindo a valorização do papel. Além disso, nas duas últimas prévias do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), as ações da Eletrobrás perderam peso.Para o chefe do Departamento de Investimento do Banco Alfa, Juscelino Florido, a provável queda de participação no índice levou à interrupção do movimento de recuperação do preço dos papéis da empresa em curso nos dois últimos meses, já que em julho as ações subiram 10% e, em junho, 25%. "Com a antecipação da venda dos papéis pelos gestores de portfólios ativos, as cotações do papel caíram muito este mês, comenta.ReestruturaçãoAntes de ser privatizada, a holding deverá passar por várias etapas de reestruturação, explica a analista do Setor Elétrico do Chase Manhattan, Alexandra Strommer. A analista explica que as subsidiárias deverão ser reavaliadas para que seja definido o modelo da privatização de cada uma delas. No caso de Furnas, empresa que atua principalmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, espera-se que sua venda seja pulverizada.Mancebo acredita em uma cisão da empresa, com separação da parte de geração do setor de transmissão de energia. Já na Chesf, empresa que abastece as regiões banhadas pelo Rio São Francisco, apenas o setor de geração de energia deve ser privatizado. Mas tudo é hipótese, não há nada definido.Somente com essas projeções, fica difícil para o aplicador decidir se é hora de comprar ou vender o papel da Eletrobrás. Mancebo afirma que o investidor que tem as ações em uma carteira de longo prazo pode permanecer com elas, mas quem não tem o papel não deve comprá-lo agora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.