Ações da Embraer despencam no pregão

As perspectivas negativas para o setor de aviação, após os ataques terroristas nos Estados Unidos, estão deixando apreensinos os investidores da Embraer. Ontem, as ações da companhia desabaram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis bateram na cotação mínima dos últimos 12 meses e a queda chegou a quase 18% no decorrer do dia."Os acontecimentos afetam diretamente o ramo de atuação da Embraer", afirmou o analista da Itaú Corretora, Ricardo Ventrilho. A previsão é de queda do tráfego aéreo mundial devido ao temor provocado pela tragédia americana. "As pessoas podem preferir usar o carro para realizar viagens mais curtas nos próximos meses", acredita o especialista.O analista-chefe da BES Securities, Rodrigo Pinheiro, lembrou que esse movimento de retração do tráfego foi verificado durante a Guerra do Golfo, em 1991. Os desdobramentos atingem as companhias aéreas e, consequentemente, a Embraer - que fabrica aviões regionais. O receio dos especialistas refere-se ao adiamento de encomendas, que poderia frear os lucros crescentes da empresa.Os investidores também já anteciparam ontem a perspectiva nada boa para a reabertura dos negócios em Nova York, na segunda-feira. A avaliação é que as ações das empresas aéreas devem mostrar forte queda na retomada das transações.A Embraer informou que a entrega de jatos permanece conforme o previsto. No entanto, as encomendas para os Estados Unidos constituem uma exceção momentânea, já que a paralisação dos vôos impede a vinda dos pilotos.A empresa confirmou ontem uma estimativa mais baixa para as entregas de aviões. Agora, prevê entregar neste ano entre 185 e 190 aeronaves, contra a expectativa inicial de 200 jatos. Essa alteração de metas, no entanto, já era de conhecimento do mercado. No final de agosto, os pedidos firmes em carteira da Embraer totalizavam US$ 11,3 bilhões, correspondentes a 552 aviões.O analista Paschoal Paione, da Fator Doria Atherino, afirmou que ainda é prematuro traçar um cenário para o desempenho da companhia. Para ele, o mercado está operando movido pelo "pânico" e os fundamentos foram deixados de lado. Tanto que as ações da Embraer recuavam ontem mesmo enquanto o dólar subia. Por ser uma grande exportadora, a empresa se beneficia da desvalorização do real.

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