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Ações da Embraer perdem 10,6% num só dia

O anúncio dos estragos à carteira de pedidos e as perspectivas sombrias para o setor de aviação derrubaram ontem as ações da Embraer na Bolsa de Valores de São Paulo. Os papéis preferenciais da companhia chegaram a despencar 10,6% durante o dia, atingindo R$ 7,51, patamar que não era visto desde 30 de maio de 2000, segundo dados da Economática.Desde 10 de setembro, véspera dos atentados aos EUA, a empresa já perdeu 42,4% do seu valor de mercado. O montante recuou de R$ 8,6 bilhões para R$ 4,9 bilhões. O primeiro pregão de outubro marcou a reação dos investidores à previsão de queda de 13,5% no número de aeronaves a serem entregues este ano pela Embraer. O total baixou de 185 para 160 aviões. No ano que vem, o cenário é ainda pior, pois a estimativa recuou de 205 para 135 jatos, equivalente a uma diminuição de 34%."Os fundamentos da empresa são bons, mas os papéis estão refletindo o panorama para o setor de transporte aéreo, que é muito negativo", comentou Rafael Quintanilha, analista da BES Securities. "Não adianta olhar só a Embraer, mas também a saúde financeira dos seus clientes." Neste ponto, as últimas notícias não têm colaborado com a empresa brasileira. A Swissair planeja pedir concordata hoje, para proteger algumas empresa do grupo, segundo informações da agência de notícias Dow Jones.As medidas incluem a venda da subsidiária Crossair, que tem diversas encomendas à Embraer. Segundo Quintanilha, os negócios englobam 85 pedidos firmes e 115 opções de compra de jatos dos modelos ERJ 170, 190 e 145. Os dados são do balanço fechado em junho.No HSBC Investment Bank, o novo cronograma de entregas e a nova percepção de risco de mercado provocou uma revisão do preço-alvo para as ações preferenciais da Embraer. A equipe de análise baixou o valor de R$ 21,27 para R$ 15,94.Apesar do cenário adverso, o analista Carlos Albano, do Unibanco, manteve a recomendação de compra para as ações da empresa. Para ele, o anúncio oficial de queda na estimativa de vendas ajudou a clarear o mercado. Ele explicou que suas previsões já consideravam uma redução na entrega de jatos perto do anunciado.Pelos cálculos do analista, a perda de receita da Embraer terá impacto de 25% sobre a geração operacional de caixa, o chamado Ebitda. A empresa espera uma redução de US$ 1,2 bilhão na sua receita em 2002. Dessa forma, a companhia deixará de gerar US$ 300 milhões de caixa.

Agencia Estado,

02 de outubro de 2001 | 09h18

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