Vivian Lin/AFP - 17/9/2021
Vivian Lin/AFP - 17/9/2021

Ações da gigante chinesa Evergrande caem ao menor nível em 11 anos

Crise da companhia do setor imobiliário, que tem dívidas de US$ 305 bilhões, preocupa investidores e compradores de imóveis; papéis caíram 10,2% neste segunda

Reuters

20 de setembro de 2021 | 10h51
Atualizado 20 de setembro de 2021 | 11h43

HONG KONG - As ações da gigante chinesa do setor imobiliário Evergrande caíram nesta segunda-feira, 20, para o nível mínimo em 11 anos, à medida que se aproxima o prazo para vencimento de dívidas e crescem os temores de calote.

A Evergrande tem se esforçado para levantar fundos para pagar seus muitos credores, fornecedores e investidores, com os reguladores alertando que seus US$ 305 bilhões em passivos podem gerar riscos mais amplos para o sistema financeiro do país se não forem estabilizados.

A ação da empresa fechou em queda de 10,2%, depois de chegar a cair 19%, para seu menor nível desde maio de 2010. A unidade de gestão de propriedades da empresa caiu 11,3%, enquanto a unidade de carros elétricos perdeu 2,7%. A empresa de streaming de filmes Hengten Net, também da Evergrande, despencou 9,5%.

A desvalorização da empresa afeta as Bolsas de Valores em todo o mundo, inclusive a do Brasil. Em Nova York, o dia começou com forte queda, em parte, por causa dos temores sobre um possível calorte da Evergrande. 

"As ações continuarão caindo porque ainda não há uma solução que pareça ajudar a empresa a aliviar o estresse de liquidez, e ainda há muitas incertezas sobre o que ela fará no caso de reestruturação", disse Kington Lin, diretor de gestão de ativos da Canfield Securities.

Um dos principais credores de Evergrande fez provisões para perdas de uma parte de seus empréstimos para a empresa, enquanto alguns planejam dar mais tempo para pagar, disseram quatro executivos de banco à agência de notícias Reuters.

A incorporadora disse no domingo que começou a reembolsar os investidores de seus produtos de gestão de fortunas com imóveis.

O Banco do Povo, banco central da China e órgão de supervisão bancária do país, convocou os executivos da Evergrande em agosto e alertou que é necessário reduzir seus riscos das dívidas.

A Evergrande tem que pagar US$ 83,5 bilhões em juros na próxima quinta-feira, 23, e tem mais US$ 47,5 bilhões para vencer no dia 29. Ambos os títulos entrariam em default (calote) se a Evergrande não liquidar os juros dentro de 30 dias das datas de pagamento programadas.

Em qualquer cenário de inadimplência, a Evergrande precisará reestruturar os títulos, mas analistas já preveem um baixo índice de recuperação para os investidores.

O estresse também tem pressionado o setor imobiliário mais amplo, bem como o iuan, a moeda chinesa, que caiu para uma mínima de três semanas de 6,4831 por dólar. As ações da Sunac, quarta maior incorporadora imobiliária da China, caíram 10,5%, enquanto a Greentown China, apoiada pelo Estado, caiu 6,7%.

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