Ações da Lupatech caem 25% em um só dia

Papel da fornecedora da Petrobrás, que sofre com alto endividamento, já recuou mais de 60% desde o início do mês

LUCIANA COLLET, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h07

As preocupações dos investidores com a solvência da Lupatech, fabricante de equipamentos para o setor de petróleo, após mais um trimestre de resultados frustrantes, fizeram as ações da companhia acumularem uma queda de mais de 60% em novembro. Por conta das dificuldades da companhia em honrar os compromissos de curto prazo, a ação sofreu ontem forte desvalorização, recuando 25,8%, para R$ 3,45. No fim de outubro, o papel valia R$ 9.

Apesar de ter chamado maior atenção do mercado nos últimos dias, não é de hoje que investidores e analistas se mostram cautelosos com a companhia. A Lupatech vem atravessando dificuldades desde a crise de 2008, quando sua principal cliente, a Petrobrás, adiou encomendas.

No primeiro semestre deste ano, a empresa anunciou uma reorganização que envolvia tanto a estrutura organizacional quanto a de ativos, com a venda de ativos que reforçariam o caixa entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões.

A expectativa da companhia era conseguir o avanço rápido das negociações para a venda de algumas de suas unidades, com a previsão de que algum anúncio pudesse ser feito no terceiro trimestre. As negociações, no entanto, vêm demorando mais do que o esperado.

A primeira divulgação de proposta de venda foi realizada apenas em 13 de outubro: a oferta da Forjas Taurus para a compra da Steelinject Injeção de Aços, pelo montante de R$ 14 milhões. A transação ainda depende de aprovação por parte dos detentores de bônus perpétuos da companhia, uma vez que a empresa é uma das garantidoras dos títulos, emitidos em 2007.

Conforme informou a companhia, em teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre, ela também negocia outras propostas na área de metalurgia. "Acreditamos que possamos ter alguma proposta anunciada vinculante nas próximas semanas", disse Alexandre Monteiro, presidente da empresa.

A Lupatech corre contra o tempo para obter recursos que a permitam fazer frente às dividas de curto prazo. A companhia encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida consolidada de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 312,8 milhões com vencimento nos próximos 12 meses. O caixa, no entanto, somava R$ 30,9 milhões em 30 de setembro - menos da metade do resultado do fim de junho.

Dinheiro novo. Na mais recente divulgação de resultados, a Lupatech informou que estava em processo de contratação de linha de financiamento de R$ 60 milhões, na forma de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) que serão adquiridas pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros), que detém 15% da companhia. A expectativa é de que esses recursos entrem no caixa da empresa até o fim deste mês.

O analista Artur Delorme, da Ativa Corretora, diz que, além da venda de ativos, a Lupatech precisará recorrer também a uma emissão de equity e acredita que os dois dos maiores sócios - Petros e BNDES (11,4%) - deverão participar de forma ativa no saneamento financeiro da empresa, até porque o BNDES também é um dos principais credores. Para Delorme, os resultados da empresa podem melhorar a partir do momento em que alguns pedidos hoje suspensos sejam entregues. Mas diz que os balanços só têm chance de ficar mais robustos a partir do fim de 2012.

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