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Ações da Natura lideram altas da bolsa após Cade aprovar compra da Avon sem restrições

Operação realizada em maio criou o quarto maior grupo de cosméticos do mundo

Beth Moreira, Niviane Magalhães e Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2019 | 13h06
Atualizado 08 de novembro de 2019 | 12h06

As ações de Natura lideram as altas do Ibovespa nesta quinta-feira, 07, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar na noite da última quarta-feira sem restrições, a aquisição da Avon. A operação foi anunciada em maio e criou o quarto maior grupo de cosméticos do mundo. Às 14h53, a ação da Natura tinha alta de 7,96%, a R$ 34,01, a máxima intraday, enquanto que o Ibovespa tinha alta de 1,05%, aos 109.493,77 pontos.

Para o analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, a aprovação impulsiona as ações, pois amplia possíveis ganhos de sinergia com a operação especialmente no varejo, que é um setor bem regulado pelo Cade. "Pelo tamanho da empresa, essa decisão pode conferir vantagem competitiva no segmento", disse.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na quarta-feira, a Natura afirmou que a decisão foi publicada no Diário Oficial da União. "A decisão não será final até que seja publicada no Diário Oficial da União, e decorrido o prazo de 15 dias a contar de tal publicação, para eventuais recursos, nos termos da legislação aplicável", explicou a empresa.

A transação criou uma nova holding brasileira, na qual os atuais sócios da Natura terão 76%, ante 24% dos atuais acionistas da Avon. Com a aquisição, a Natura passará a ter faturamento bruto anual superior a US$ 10 bilhões (ou mais de R$ 40 bilhões), cerca de 40 mil colaboradores e presença em cem países.

Estimativas do UBS projetam lucro líquido de R$ 139 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 4,9% na comparação anual. Para o faturamento líquido, a expectativa é de R$ 3,41 bilhões, crescimento de 9,4%.

Para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o banco suíço estima que a Natura reportará resultado de R$ 486 milhões, leve alta de 0,5% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A Natura divulga balanço no próximo dia 13 de novembro, após o fechamento do mercado.

O UBS afirma que a aprovação da aquisição da Avon pelo Cade veio antes do esperado. Além disso, para os analistas Gustavo Piras Oliveira, Gabriela Katayama e Rodrigo Alcantara, o aval do órgão regulador brasileiro esclarece questões sobre um possível truste por parte da Natura &Co Holding, empresa que será formada após a combinação de negócios.

"O Cade julgou que a maior concentração e um Índice Herfindahl-Hirschman (HHI, na sigla em inglês) em fragrâncias, cuidados com a pele e maquiagem não tornou necessária nenhuma medida antitruste", escreve o trio de analistas. O UBS tem recomendação de compra para as ações ON da Natura, com preço-alvo de R$ 27,00, potencial de queda de 14,28% sobre o fechamento de ontem.

 

Dificuldades da Avon

Com a inclusão da Avon em seu portfólio, a Natura tenta crescer no segmento mais popular de cosméticos. A empresa já está presente em produtos de maior valor agregado, após a compra da britânica The Body Shop, em 2017, e no de luxo, com a australiana Aesop (sua primeira grande aquisição, em 2013).

Ao optar pela troca de ações, a Natura conseguiu colocar para dentro de casa um negócio grande e complexo, sem se expor financeiramente de forma significativa, conforme análise do banco Brasil Plural.

“Apesar disso, com a aquisição, a Natura vai enfrentar uma série de desafios relativos ao apelo e às operações logísticas da marca Avon, à medida que a companhia vem enfrentando dificuldades em todos os seus principais mercados”, disse a instituição. O banco aponta ainda que a Natura “terá de investir para recuperar as operações globais (da Avon), enquanto já empreende um trabalho de reestruturação da The Body Shop”.

Apesar de combalida, no entanto, a Avon pode servir como linha popular para a Natura, além de servir como plataforma para o lançamento da “marca-mãe” em vários novos mercados. No Brasil, a união de forças colocará a Natura na posição de líder isolada do setor, distanciando o negócio de rivais como O Boticário e Unilever.

As duas empresas terão, juntas, 6,3 milhões de consultoras de beleza em todo o mundo. A Natura disse esperar ganhar sinergias entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões.

 

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