Ações da OGX caem 25% na Bolsa

Produção bem abaixo do esperado em poço na Bacia de Campos frustrou mercado

SABRINA VALLE, SERGIO TORRES / RIO, BETH MOREIRA / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h08

A admissão por parte da OGX de que a produção de seu primeiro campo de petróleo está abaixo do previsto e o relatório de um banco estrangeiro recomendando a venda dos papéis provocaram uma debandada de investidores da petroleira do empresário Eike Batista. As ações ordinárias (com direito a voto) desabaram 25,33%, carregando o Ibovespa para uma baixa de 1,35%. Desde o início de maio, a queda acumulada da OGX é de 52%.

Na tentativa de tranquilizar o mercado, Eike e três de seus principais executivos realizaram uma teleconferência ontem à noite. Ele disse não haver chance de falir ("é zero a probabilidade de falência"), pois "o grupo tem US$ 9 bilhões em caixa" e, ao fim do ano que vem, estará produzindo 250 mil barris diários de petróleo na Bacia de Campos (litoral do Estado do Rio).

Frustrado com resultados de produção prometidos e repetidamente descumpridos, o mercado puniu a OGX, a menina dos olhos de Eike, com a baixa que levou ontem o preço dos papéis a R$ 6,25. O valor é quase metade do preço de lançamento (R$ 11,31, ajustados) em junho de 2008. Pelos cálculos da consultoria Economática, a petroleira perdeu ontem, em valor de mercado, R$ 6,86 bilhões.

Para Eike, presidente da holding EBX, a petroleira está mudando o foco da exploração para a produção de óleo e, como parte desse planejamento, reduzirá de seis para três o número de sondas de perfuração em Campos.

"A empresa está passando da fase de exploração para a de produção. Com três sondas, você pode perfurar 12 poços ou mais por ano", disse o empresário, para quem a produção diária de 7.549 barris/dia "é excelente" e "de baixo custo".

O mau humor e a onda de desconfiança em relação à empresa tomaram vulto na terça-feira à noite, com a divulgação de um fato relevante em que a OGX admitia uma produção ideal de apenas 5 mil barris por dia em cada poço do campo de Tubarão Azul, na acumulação de Waimea, a primeira do grupo a produzir. Há seis meses, a previsão era de que os poços poderiam chegar a 40 mil barris, sendo até 20 mil em fase de testes de longa duração.

"O anúncio (de anteontem) reforça mais uma vez a ideia de que a empresa está guiando errado o mercado", disse o gestor da Yield Capital, Hersz Ferman.

A OGX se disse ainda confiante na recuperação de 110 milhões de barris de óleo equivalente no campo de Tubarão Azul, como previsto. Mas a declaração não convenceu. O Bank Of America Merrill Lynch rebaixou a recomendação para as ações da OGX de "em linha" para "abaixo" da média do mercado. O preço-alvo da ação foi reduzido de R$ 19,50 para R$ 7,30.

"Apesar de ser um bom nível de saída absoluto (5 mil barris/dia), está abaixo dos níveis sinalizados pela diretoria. Vemos o anúncio com grande decepção e provavelmente terá um efeito duradouro sobre a avaliação da OGX", diz o relatório do banco.

A previsão fora reduzida a 13 mil barris/dia no início do ano, e depois revisada para 11 mil barril na divulgação do resultado do primeiro trimestre. Há quase um mês, a declaração a uma agência de notícias do presidente da OGX, Paulo Mendonça, de que a vazão de um poço estava a 8 mil barris/dia, levou a uma queda de mais de 8% nos papéis no dia.

Na ocasião, a área de comunicação e de relações com investidores da empresa amenizou o fato a jornalistas e analistas de mercado, dizendo que a declaração havia sido mal interpretada pela repórter e que flutuações eram normais em fases de teste.

Em 14 de maio, a OGX apresentou à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a declaração de comercialidade de parte do Complexo de Waimea, com nova denominação proposta, Campo de Tubarão Azul. O campo fica no bloco BM-C-41, em águas rasas da Bacia de Campos, a 80 quilômetros do Rio.

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