Ações da Petrobrás caíram 26% em 4 meses

Queda ocorreu desde que Graça Foster assumiu a presidência da estatal; os acionistas controladores são os mesmos, lembra relatório de corretora 

Sabrina Valle e André Magnabosco, da Agência Estado ,

26 de junho de 2012 | 23h10

RIO/SÃO PAULO - Apesar de ter a gestão mais bem avaliada pelo mercado do que a de seu antecessor, José Sergio Gabrielli, a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, viu as ações preferenciais - com maior liquidez - da companhia amargarem queda de cerca de 26% desde que assumiu o cargo, em 13 de fevereiro.

Relatório distribuído ontem pela Itaú Corretora dá pistas sobre o que, em princípio, parece uma desaprovação da gestão Foster pelo mercado: "A sessão (de anteontem) confirma a nossa tese inicial: enquanto a Petrobrás administrada por Foster e seu time é definitivamente uma melhor companhia, dois fatores permanecem: não podemos lutar contra os números (levará um tempo até que vejamos resultados tangíveis da nova administração); os acionistas controladores continuam os mesmos", destaca o documento assinado pelos analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, da Itaú Corretora.

Sendo a Petrobrás uma empresa de economia mista com controle integral da União, fica implícita a preocupação dos analistas acerca de ingerências políticas na condução da companhia. No movimento de queda dos últimos dias, o mercado avaliou mal o fato de o reajuste ter vindo apenas no limite da Cide, o que mostrou a falta de disposição do governo de repassar aumentos para o consumidor.

Na escolha de prioridades entre manter sob controle a inflação - tarefa que seria dificultada diante do repasse do aumento nas refinarias ao mercado varejista - e irrigar o caixa da estatal com um aumento mais consistente, ficou muito clara a opção feita pelo governo.

O acanhado reajuste eleva a desconfiança dos investidores. Não apenas sobre a capacidade de a Petrobrás financiar seus investimentos, como sobre o ritmo de desempenho que o governo irá impor à companhia.

A saída dos investidores estrangeiros, que haviam carregado o mercado no início do ano, a subsequente queda do preço do petróleo no mercado internacional e, agora, um reajuste de combustíveis considerado insuficiente pelo mercado, afetaram os papéis. O plano de negócios com metas menos ambiciosas e investimentos maiores parece contribuir para afastar investidores.

Além da frustração em relação ao controle do preço dos combustíveis pelo governo, o analista Ricardo Corrêa, da Ativa, lembra que Graça também tem administrado uma conjuntura internacional menos favorável que coincidiu com sua entrada no cargo. "O cenário que, no início do ano, fez as ações da Petrobrás subirem, agora se inverteu", diz o analista.

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