Ações da Petrobrás chegam a subir até 6,5%

Chance de alta de combustíveis e preço atrativo de papel fazem cotações dispararem

FERNANDA NUNES , SABRINA VALLE/RIO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h04

A simples possibilidade de um reajuste de preços de combustíveis da Petrobrás aliada aos preços atrativos dos papéis da estatal fizeram as cotações dos papéis da empresas disparar no mercado acionário ontem.

Os investidores, principalmente os estrangeiros, aproveitaram os preços baixos dos papéis da empresa e compraram ações de forma agressiva ontem, logo depois da declaração do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, sobre um possível reajuste nos preços dos combustíveis.

As ações ordinárias (ON, com direito a voto) subirem 6,5% durante o pregão. Ao longo do dia os títulos reduziram os ganhos e as ações ON fecharam em alta de 4,82%; as preferenciais (PN), subiram 3,97%. A Petrobrás foi o destaque do dia e puxaram o principal índice da Bolsa, o Ibovespa, que encerrou o pregão com ganho de 1,78%.

Mudança. Numa mudança de tom em relação a declarações anteriores, o ministro Edison Lobão admitiu ontem a preocupação do governo com os efeitos do congelamento dos preços dos combustíveis para o caixa da Petrobrás. A declaração se somou às recentes defesas da presidente da Petrobrás, Graça Foster, sobre a necessidade de reajuste, embora ainda sem previsão de data.

Qualquer mudança no preço de combustíveis é acompanhada pelo mercado com atenção, já que ao mesmo tempo impacta o bolso dos consumidores e o caixa da maior empresa do País.

"Temos a preocupação com a Petrobrás, porque os preços não sobem há muito tempo. Mas tem que ser analisado com todo o cuidado para não complicar a inflação", disse Lobão, após participar do evento Energias renováveis para o desenvolvimento sustentável, parte da Rio+20.

A declaração foi interpretada como uma mudança de discurso. Na semana passada, o ministro chegou a descartar taxativamente um reajuste este ano.

Há algumas semanas, Lobão havia indicado que o repasse só ocorreria quando o preço do barril do Brent chegasse a cerca de US$ 130. O barril chegou a US$ 125, mas devido à crise internacional vem recuando e ontem estava em US$ 96.

Na sexta-feira passada, dois dias depois da reunião mensal em que a diretoria da companhia apresenta os números da empresa ao conselho de administração, Graça defendeu um reajuste. Ela alegou que a queda da cotação do petróleo no mercado internacional acabou sendo revertida pela valorização da cotação do dólar no mesmo período.

"O (barril do tipo) Brent desceu um pouco. O dólar, que vinha R$ 1,6, R$ 1,65, está estável em torno de R$ 2. É necessário, sim, que haja reajuste de combustíveis", disse a jornalistas. "Nós continuamos com uma defasagem de preço. Mesmo quando o Brent estava US$ 125 e o dólar R$ 1,65, R$1,70. A defasagem continua muito próxima".

Na ocasião, Graça também afirmou que não tinha uma data para um possível reajuste. A redução temporária do porcentual da Cide sobre diesel e gasolina, aprovada no último reajuste de combustíveis nas refinarias da Petrobrás, em novembro passado, se encerra neste mês e precisará ser renovada. "Mexer na Cide é uma decisão do Ministério da Fazenda. A Petrobrás não tem ingerência sobre isso", disse.

Diretoria. Também ontem, Lobão reiterou a possibilidade de o gerente executivo da Petrobrás José Carlos Vilar Amigo, assumir a diretoria Internacional da empresa. "Essa é uma hipótese", ressaltou. O diretor Jorge Zelada apresentou sua carta de renúncia na semana passada.

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