Sérgio Moraes/Reuters
Sérgio Moraes/Reuters

Ações da Petrobrás negociadas em Nova York têm forte queda antes da abertura do mercado

Investidores reagem à indicação do general e ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna, atualmente diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, para assumir a presidência da petroleira; na sexta-feira, petroleira perdeu R$ 28 bilhões em valor de mercado

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2021 | 08h07

Os American Depositary Receipts (ADR), recibos de ações negociadas em Nova York, da Petrobrás têm queda de 16,22%% antes da abertura do mercado nos Estados Unidos nesta segunda-feira, 22, após o presidente Jair Bolsonaro indicar o general e ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna, atualmente diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, para assumir a presidência da petroleira e um assento no conselho de administração da estatal. A decisão final sobre a substituição cabe ao conselho de administração da empresa, que se reúne na terça-feira, 23. 

O EWZ, maior fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) do Brasil em Nova York, registra perda de 4,95% antes da abertura do mercado.

O anúncio de Bolsonaro deve mexer com as ações da Petrobrás nesta segunda também no Brasil. Na sexta-feira, 19, as declarações do presidente provocaram pânico no mercado financeiro e as ações tiveram queda de quase 8%. Num único dia, a Petrobrás perdeu R$ 28,2 bilhões em valor de mercado. Em Nova York, as perdas na sexta-feira também foram fortes após o fechamento do mercado, depois de Bolsonaro ter anunciado a mudança no comando da empresa.

A XP já rebaixou a recomendação para as ações da Petrobrás de neutro para venda e revisou o preço-alvo de R$ 24 por ação para os papéis ON e PN ante R$ 32 mantido anteriormente.

"Vemos esse anúncio (da troca no comando da empresa) como uma sinalização negativa, tanto de uma perspectiva de governança, dados os riscos para a independência de gestão da Petrobras, como também por implicar riscos de que a companhia continue a praticar uma política de preços de combustíveis em linha com referências internacionais de preços, ou seja, que reflitam as variações dos preços de petróleo e câmbio", explica a XP.

No documento assinado pelos analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado, a casa justifica ainda que existem muitas incertezas para justificar uma tese de investimento na Petrobrás: "Acreditamos que as ações deverão daqui em diante negociar com um desconto mais alto em relação ao histórico e a outras petroleiras globais", dizem.

"Além disso, as incertezas para a política de preços de combustíveis da Petrobrás implicam uma menor correlação das ações em relação aos preços do petróleo daqui para frente, dados os riscos de que não sejam totalmente repassados aos preços dos combustíveis. Com isso, esperamos uma deterioração nos resultados no futuro, não apenas devido às margens de refino mais baixas, mas também devido aos riscos que a Petrobrás deva realizar importações de combustível com prejuízo para evitar qualquer risco de desabastecimento no mercado local", afirmam.

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