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Petróleo fecha em forte alta, de quase 15%, após ataques na Arábia Saudita

Papéis da Petrobrás chegaram a ter alta de 4%; ações de empresas aéreas caiam no decorrer desta segunda-feira

Niviane Magalhães, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 10h22
Atualizado 16 de setembro de 2019 | 18h42

Os contratos futuros de petróleo encerraram a segunda-feira, 16, em forte alta, no primeiro dia de negociações em pregões físicos após os ataques de drones a instalações da refinaria Saudi Aramco, a maior petrolífera do planeta.

O petróleo WTI para outubro fechou em alta de 14,67%, a US$ 62,90 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para novembro subiu 14,61%, a US$ 69,02 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

Os ataques a instalações de produção de petróleo na Arábia Saudita impulsionaram rapidamente os contratos futuros de petróleo a níveis não vistos desde maio, na medida em que investidores avaliam que os atentados podem levar a uma queda na oferta da commodity energética. Os bombardeios levaram à redução de cerca de metade da capacidade produtiva da Arábia Saudita, ou aproximadamente 5,7 milhões de barris na produção diária de petróleo.

No fim do pregão, relatos das agências Reuters e Bloomberg de que a produção da Saudi Aramco pode ser normalizada somente dentro de semanas ou até mesmo de meses ofereceram condições para que o petróleo avançasse ainda mais, extrapolando os 15% de alta e chegando ao salto intraday mais alto desde 2008.

Autoridades da Arábia Saudita, no entanto, afirmaram mais cedo que a petrolífera pretendia restaurar cerca de um terço da produção afetada até o fim desta segunda-feira.

Brasil

A alta de quase 15% nos preços do petróleo no mercado futuro trouxe alguma aversão ao risco para os ativos globais, mas em intensidade pequena ante a variação das cotações da commodity. No Brasil, o cenário foi minimizado diante da leitura de que esse estresse é, por ora, apenas passageiro, insuficiente para mudar as perspectivas inflacionárias de médio prazo e, portanto, a estratégia de política monetária do Banco Central.

Em meio a isso, dados fracos da China, perspectivas de afrouxamento monetário ao redor do mundo e revisão em baixa para a inflação, deste e do próximo ano no Brasil fizeram os juros futuros recuarem ao longo de toda a curva, com as taxas curtas nas mínimas históricas e 100% dos investidores posicionados para um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, na reunião do Copom que termina na quarta-feira.

Risco

No exterior, no entanto, a fuga do risco, além de fazer as bolsas norte-americanas terminarem em leve queda - ainda que o avanço das empresas da área de energia tenha limitado o movimento -, também aumentou a procura por Treasuries, o que derrubou o rendimento dos títulos.

Mesmo assim, com o possível impacto nos preços da energia, aumentaram as apostas, de 20% na sexta-feira para 34% hoje, em manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed), em decisão que também será conhecida na quarta-feira.

No mercado acionário doméstico, houve alguma volatilidade e o Ibovespa chegou a subir e tocar nos 104 mil pontos pela manhã. À tarde, contudo, perdeu força e operava em baixa até o leilão de fechamento dos negócios. Foi quando a queda das ações dos bancos perdeu força e a alta dos papéis da Petrobras, diante da disparada nos preços do petróleo, voltou a ganhar fôlego, encerrando com valorização superior a 4%.

O comportamento só não foi melhor porque o tombo das empresas aéreas, com custos altamente ligados aos preços do petróleo, e da Vale, em reação aos indicadores chineses, segurou o índice, que subiu 0,17%, aos 103.680,41 pontos.

O real também foi menos penalizado do que outras moedas, devido ao fato de o Brasil ser um dos grandes produtores globais de petróleo e com os agentes adotando uma postura mais cautelosa à espera das ações dos banco centrais nesta semana - há decisões de política monetária previstas no Brasil, EUA, Reino Unido, Japão, Suíça, entre outros.

Assim, o dólar teve valorização de apenas 0,07% ante o real, a R$ 4,0893.

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