REUTERS/Ricardo Moraes
REUTERS/Ricardo Moraes

Ações da Vale nos Estados Unidos despencam após rompimento de barragem

Impacto para a produção da companhia deve ser limitado, avalia especialista

Karla Spotorno, Flavia Alemi e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 16h50
Atualizado 25 de janeiro de 2019 | 20h04

Correções: 25/01/2019 | 19h00

Os recibos de ações da Vale negociadas nos Estados Unidos despencaram na tarde desta sexta-feira, 25, após o rompimento de uma barragem na Mina Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os papéis da mineradora caíram 8,08% na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE, na sigla em inglês), cotada em US$ 13,66. Ao longo do dia, conforme o desastre ganhava proporção, o papel chegou a marcar queda de 11%. Com 157 milhões de negócios, a Vale foi a empresa mais negociada lá fora, enquanto, no mercado doméstico, a B3 ficou fechada devido ao feriado do aniversário da cidade de São Paulo.

O impacto para a produção da companhia deve ser limitado, na avaliação do analista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic. "Para colocar em perspectiva, nas nossas contas, [a planta da Mina do] Feijão representa de 1,5% a 2,5% da produção da companhia, portanto operacionalmente o impacto deveria ser limitado", escreveu Luketic.

Como afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast, o analista-chefe da XP pondera que é muito cedo ainda para estimar o impacto financeiro do acidente. O rompimento da barragem de Fundão, na cidade mineira de Mariana, em novembro de 2015, gerou uma sucessão de multas e processos judiciais. "No caso de Mariana, o acordo anunciado com as autoridades brasileiras em 2016 tinha valor de R$ 11 bilhões a R$ 13 bilhões, ou 4% do valor de mercado da companhia hoje", escreveu o analistas da XP.

Os analistas especializados em Vale trabalham nesse momento em busca de informações sobre o rompimento da barragem. "O mais importante agora é saber o impacto para a vida e para a cidade. O aspecto financeiro é secundário", diz o analista da XP Investimentos Karel Luketic. Ele fez contato com a área de Relações com Investidores (RI) da mineradora, que ainda apura e organiza as informações sobre o acidente para poder relatar.

Luketic acrescenta que é difícil estimar o impacto sobre a produção – "que tende a ser menor, mais manejável" – e mais ainda calcular os montantes com potenciais multas, acionamento de seguros.

O analista de um grande banco comenta que, nesse momento, busca entender a dimensão do acidente e o volume de rejeitos – se são menores ou maiores – que os do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG). Fundão tinha capacidade de estocar 55 milhões de metros cúbicos em rejeitos. Em novembro de 2015, a barragem se rompeu, provocando a morte de 19 pessoas e a destruição do distrito de Bento Rodrigues, próximo à represa. Os rejeitos alcançaram o litoral do Espírito Santo, afetando a flora e a fauna.

Correções
25/01/2019 | 19h00

É incorreta a informação de que a barragem que rompeu tinha 1 milhão de metros cúbicos. Esse volume, que constava de uma nota técnica divulgada internamente pelo Ibama, se refere à barragem 6 do complexo de barragens da Vale na região. Segundo a empresa, a barragem que rompeu é a número 1. De acordo com informações apresentadas no site da Vale sobre as barragens da região, a barragem 1 foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³. Atualmente, a barragem não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito à seco, ainda de acordo com o site. 

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