Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

Bradesco prorroga contrato e Via Varejo ganha fôlego para reforçar caixa

Ao estender contratos com o banco para oferta de cartões até 2029, varejista recebeu adiantamento de R$ 700 milhões

Dayanne Sousa e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 07h45

A rede de móveis e eletroeletrônicos Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, anunciou na segunda-feira que prorrogou contrato com o Bradesco para oferta de cartões e correspondentes bancários. Pelo acordo, a varejista estende seu acordo com o banco até 2029 e recebe um adiantamento de R$ 703,7 milhões, dos quais R$ 550 milhões em antecipação de comissões e R$ 153,7 milhões por remunerações adicionais previstas nos contratos.

Na prática, com esses recursos, a varejista ganha fôlego para reforçar seu caixa e fazer frente a um momento crítico para o setor, marcado pelas vendas fracas. Como a margem nesse tipo de varejo é muito baixa, pelo novo acordo com o banco, a companhia consegue prazo maior para oferecer mais serviços, como financiamento e seguros, aumentando a rentabilidade, afirmou uma fonte próxima ao assunto.

O anúncio foi bem-recebido. As units (pacote de ações) da Via Varejo encerraram em alta de 14,4%, a R$ 3,97. O valor de mercado da companhia fechou na segunda-feira a R$ 2,48 bilhões, de acordo com a consultoria Economática. No ano, o valor da empresa recuou 72%. As ações da companhia estão sendo castigadas pelo mau momento da economia, com reflexos no varejo, que enfrenta queda nas vendas e crédito restrito.

Parceria. Com a renovação do contrato, foram criados comitês com representantes de Via Varejo e Bradesco para manter uma governança e alinhamento entre as partes no que diz respeito à busca de melhores serviços, condições e práticas com relação a estes produtos, que serão revertidos em ofertas e atratividade aos clientes da Casas Bahia, marca mais popular da rede. A transação envolve apenas exclusividade na oferta de cartões co-branded (parceria do banco com a bandeira da Casas Bahia).

A entrada de caixa para a Via Varejo, controlada pelo grupo francês Casino, foi vista como uma surpresa positiva pelo banco Credit Suisse. Em relatório, os analistas Tobias Stingelin e Giovana Oliveira afirmam que é “muito bem-vindo” o montante recebido com a prorrogação de contrato de cartões e serviços financeiros com o Bradesco e Bradescard.

Os analistas consideraram que a Via Varejo vive um cenário adverso com demanda de consumidores fraca e custos em alta. Apesar disso, destacaram que a companhia continua com foco em geração de fluxo de caixa livre. “Não há catalizadores de curto prazo para a companhia, mas a injeção de caixa é muito bem-vinda, surpreendente e, o que é mais importante, acreditamos que a Via Varejo continua sendo a companhia mais forte no segmento”, afirmaram em relatório.

Demissão. Maior rede de varejo eletroeletrônico do país, controlada pelo francês Casino, a Via Varejo, dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio, cortou 11 mil postos de trabalho desde janeiro, entre demissões e fechamento de vagas que estavam abertas.

Líder de mercado, a Via Varejo abriu seu capital em 16 de dezembro de 2013, avaliada em R$ 5,9 bilhões. Chegou a atingir pico de R$ 12 bilhões em 2014, mas suas ações foram perdendo força com a crise econômica no País. Sua concorrente direta, o Magazine Luiza, também passa por um momento parecido. Ontem, a varejista atingiu valor de mercado de R$ 185,3 milhões, segundo a Economática. Seu valor de mercado, no início do ano, era de R$ 1,38 bilhão. A expectativa que os papéis dessas empresas sigam pressionados pelos indicadores pessimistas para 2016, de acordo com analistas do mercado.

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