Ações de agências hipotecárias caem e Paulson ressalta apoio

Secretário diz que ajuda a agências é foco do Tesouro e governo dos EUA estuda plano de contingência

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

11 de julho de 2008 | 13h28

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta sexta-feira, 11, que o Tesouro mantém discussões com as duas maiores agências hipotecárias dos EUA, Fannie Mae e Freddie Mac, uma vez que as ações das companhias continuam caindo. "Hoje nosso foco primário é dar apoio a Fannie Mae e Freddie Mac em sua forma atual, já que têm uma missão importante", disse.   Veja também: Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos Cronologia da crise financeira As grandes crises econômicas    Paulson afirmou que o Office of Federal Housing Enterprise Oversight (Ofheo) "continuará a trabalhar com as companhias, tomando as medidas necessárias para que ambas continuem a desempenhar sua importante missão pública". O Ofheo é o órgão que regula as agências hipotecárias.   As bolsas norte-americanas e o dólar reagiram em queda às declarações dadas por Paulson. O mercado ficou decepcionado com o fato de Paulson não ter detalhado um plano para ajudar as agências hipotecárias, dizendo apenas estar pronto para apoiá-las. Às 13h13 (de Brasília), o Dow Jones cedia 1,89% e o S&P 500 recuava 1,79%; Nasdaq perdia 1,58%.   Alarmados pelos crescentes problemas financeiros nas agências, a administração Bush estuda um plano de contingência para que o governo assuma uma ou as duas agências e atue como um interventor legal, caso a situação se agrave, informa nesta sexta o jornal norte-americano The New York Times, citando pessoas próximas ao plano.   Sob o regime de intervenção, as ações da Fannie Mae e Freddie Mac poderiam valer muito pouco ou até nada e qualquer perda com hipotecas que detenham em suas carteiras ou garantam seria paga pelos contribuintes, diz o NYT.   Segundo o jornal, autoridades do governo disseram que a administração também considera pedir a criação de uma legislação para oferecer garantias explícitas do governo sobre os US$ 5 trilhões em dívida detidas ou garantidas pelas agências hipotecárias. Mas trata-se de uma opção menos atraente, dizem as autoridades, porque efetivamente dobraria o tamanho da dívida pública.   As autoridades também disseram que tal medida seria ineficiente, porque os mercados já consideram que o governo dá suporte as companhias. As autoridades envolvidas nas discussões reforçaram que nenhuma ação pela administração é iminente e que o governo não considera que ambas estejam em situação de crise. Mas nos últimos dias, aumentou a preocupação entre alguns representantes do primeiro escalão do governo, levando-os a realizar uma série de reuniões e conferências telefônicas para discutir um plano de contingência.   A preocupação das autoridades, diz o NYT, é com a possibilidade de as dificuldades em ambas agências prejudicar economias além da norte-americana. Ativos das agências Fannie Mae e Freddie Mac são detidos por várias instituições financeiras estrangeiras, bancos centrais e investidores.   Pela lei de 1992, a Fannie ou a Freddie podem ser colocadas sob regime de intervenção se os reguladores considerarem que se encontram "criticamente subcapitalizadas". O interventor teria poderes para reorganizar a companhia, mas não a autoridade para fechá-las.   As agências são as maiores provedoras de financiamento para empréstimos imobiliários residenciais dos EUA. Se não forem capazes de emprestar, não serão capazes de compras hipotecas dos cedentes de empréstimo comercial. Em conseqüência, seria mais difícil, se não impossível, para os compradores de imóveis obter crédito, congelando o mercado imobiliário norte-americano, observa o NYT. As duas empresas juntas detêm ou garantem mais da metade do total de US$ 12 trilhões de hipotecas dos EUA.

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