Ações de baixa liquidez: riscos e vantagens

Formar uma carteira de ações não é uma tarefa fácil para quem quer entrar no mercado acionário. Trata-se de uma análise que deve ser refeita constantemente. Com base nos resultados financeiros da empresa e na conjuntura econômica do País, o investidor vai traçar perspectivas de rentabilidade. Dessa forma, a decisão pelo investimento deve priorizar os resultados esperados para o futuro e não o que já foi alcançado.Isso porque, mesmo que uma companhia tenha tido bons resultados nos últimos meses, não há nenhuma garantia de que se mantenha dessa forma no futura. De acordo com Jorge Misumi, diretor de renda variável do HSBC Asset Management, o investidor deve avaliar, principalmente, liquidez, segurança e rentabilidade para os papéis da companhia no futuro. Liquidez é a facilidade de vender o papel no menor espaço de tempo possível e a um preço justo dentro do mercado acionário. A segurança é medida pelos resultados financeiros da companhia nos últimos anos, e do segmento no qual ela atua. Esses fatores, além de uma análise criteriosa da estratégia de atuação da empresa, composição de sua carteira de crédito e nível de inadimplência de seus clientes, podem indicar quais são as chances que essa empresa tem de não honrar seus compromissos e, com isso, prejudicar a cotação de suas ações. Já a rentabilidade é a perspectiva de valorização das ações, em um determinado período. Para Misumi, sempre que o investidor privilegia um desses aspectos, abre mão de outro. "Ao tentar obter maior rentabilidade, uma das opções é escolher uma ação de baixa liquidez, ou seja, pouco negociada", explica. Porém, o executivo esclarece que apenas o dinheiro que poderá ser investido por um prazo acima de um ano, no mesmo papel, deve ser direcionado para essa alternativa. "Ao comprar uma ação de baixa liquidez, o investidor pode ter dificuldades para se desfazer do papel quando precisar vendê-lo".Para Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, o período para esse investimento deve ser ainda maior. "Só deve comprar ações com baixa liquidez o investidor que puder ficar com o dinheiro aplicado, no mesmo papel, por um período de três anos", recomenda.Ações com baixa liquidez: risco maiorO segmento de ações com baixa liquidez é considerado de alto risco pelos analistas. Além da dificuldade de se negociar o papel, o investidor ainda deve estar preparado para acompanhar fortes oscilações no preço da ação. Isso pode acontecer mesmo que a empresa tenha bons resultados financeiros, pois a falta de liquidez afeta de maneira muito rápida as cotações desses papéis."O preço das ações líquidas, ou seja, com facilidade de negociação, é definido por um conjunto de investidores. No caso das empresas com baixa liquidez, esse grupo de investidores tende a ser menor. Se houver, em um dado momento, uma grande operação, de compra ou de venda, a dificuldade de negociação do papel pode ficar ainda maior, afetando a sua cotação", afirma Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management.Além das oscilações provocadas por momentos intensos de compra e venda do papel, as ações de baixa liquidez sentem mais diretamente as mudanças no cenário econômico do País. Ziegelmann explica que empresas menores, que geralmente são representadas por ações com baixo volume de negócios, incorporam ganhos mais rápido durante a fase de crescimento econômico do País. Mas, se há uma crise, também perdem preço mais rapidamente. Alexandre Póvoa, diretor de renda variável do ABN Amro Bank, avalia que, diante desses riscos, o preço justo da ação precisa ser analisado de uma forma diferente. "A perspectiva de rentabilidade deve ser ainda maior para compensar o risco da falta de liquidez. Por isso, a estimativa de ganhos deve ser muito atraente, compensando o baixo volume de negócios, o que pode dificultar a venda do papel em um momento necessário". Veja na seqüência, a indicação dos analistas para se compor uma carteira com papéis de baixa liquidez. Veja o link abaixo:Cartilha de investimentos - ações

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