Ações de bancos despencam e Bovespa cai mais de 8%

Papéis das instituições financeiras respondem à piora da crise, à redução do crédito e à divulgação da MP 443

Agência Estado,

22 de outubro de 2008 | 15h39

A queda acentuada da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é comandada nesta quarta-feira, 22, pelo setor bancário. Às 15h56 (de Brasília), o Ibovespa despencava 8,31%, aos 35.798 pontos. As ações dos bancos respondem não apenas à piora do ambiente externo, mas também à redução do crédito e à divulgação da MP 443, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprarem participações e até o controle de instituições financeiras públicas ou privadas, sem processo de licitação. As unis do Unibanco apresentavam a maior queda, de 11,94%, no início da tarde, seguida por Banco do Brasil ON -8,72%; Bradesco PN -8,66% e Itaú PN -8.64%.   Veja também: Governo autoriza estatização de instituições privadas no País Íntegra da MP no Diário Oficial  Pacote para construção civil envolverá BNDES e Caixa Conheça outro caso de intervenção do governo em construtoras Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     Analistas ressaltam, porém, que não vêem muita relação dessa queda expressiva das ações do setor bancário com a divulgação da MP 443. "É mais uma medida preventiva, que mostra que o BC está em estado de alerta", disse uma fonte. De acordo com a medida, os dois bancos federais poderão comprar participações em instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário e de capitalização, entre outras. Além disso, o negócio poderá ser realizado sem qualquer licitação para isso.   A MP 443 autoriza ainda a criação da empresa Caixa - Banco de Investimentos S.A., sociedade por ações, subsidiária integral da Caixa Econômica Federal, com a finalidade de explorar atividades de banco de investimento. Além disso, o BC poderá realizar operações de swap (contratos que trocam os rendimentos em juros pela oscilação da moeda estrangeira) de moedas com bancos centrais de outros países.   Desconfiança   De qualquer maneira, ficou a dúvida se essa MP é para atender a alguma demanda específica. "Será que ela veio para estatizar algum banco pequeno com problemas de liquidez"? - perguntava-se um operador. "Essa é uma medida radical em cima de outra de duas semanas atrás, sobre compra de carteiras de instituições financeiras", observou a mesma fonte. O presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que não há demanda pelo redesconto.   O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que não tem banco quebrando no Brasil e que o sistema financeiro brasileiro é sólido por ser menos alavancado, mais prudente e mais capitalizado do que em outros países. "Mas isso não o isenta de ter problemas de liquidez, por isso o Banco Central está devolvendo os depósitos compulsórios, criando mais alternativas para criar liquidez", disse.   Crédito   Segundo dados divulgados nesta quarta pelo BC, a oferta de crédito no País caiu 13% nos dez primeiros dias de outubro, em relação ao mesmo período de setembro. Essa redução do volume emprestado acontece nas linhas de crédito para famílias e empresas. Nesse período, as operações para pessoas físicas diminuíram 13,4%. Para as pessoas jurídicas, a redução foi de 12,8%.

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