Ações de bancos sobem quase o dobro do Ibovespa

Queda de juros foi compensada pela alta das tarifas; enquanto Ibovespa tem alta de 8,9%, bancos sobem mais de 16% neste ano

Mariana Congo e Yolanda Fordelone, do Estadão.com.br ,

23 de setembro de 2012 | 22h08

Nem a queda da taxa básica (Selic) nem a pressão do governo para que as instituições reduzam seus juros conseguiram prejudicar o desempenho das ações dos bancos. Pelo contrário, no ano, os papéis da maioria das grandes instituições financeiras têm superado o desempenho médio da Bolsa, o Ibovespa.


O motivo, dizem especialistas, é que os lucros dos bancos caíram menos que o esperado. Isso porque a queda no juros foi compensada sobretudo com o aumento das tarifas bancárias.

A maior alta de tarifa bancária se deu na venda de moeda estrangeira por cartões pré-pagos, cujo valor médio cobrado subiu 191,5%, de R$ 18,33 para R$ 53,44, de acordo com o Banco Central. O serviço de extrato mensal também sofreu grande aumento: 49,5%, passando de R$ 2,48 para R$ 3,71, me média.

"Os bancos sempre ganham dinheiro, em qualquer cenário. O spread bancário (diferença entre o juro ganho nos empréstimos e o pago nas aplicações) caiu, mas os serviços e as tarifas ficaram mais caros", diz o analista da corretora SLW, Pedro Galdi. 

Na Bolsa, os resultados do balanço (negativos, mas melhores do que o esperado) se traduzem em valorização dos papéis. Enquanto o Ibovespa sobe 8,9% em 2012, as ações do Bradesco, Santander e Banco do Brasil avançam mais que 16% (veja ao lado).

Oscilações. "Em abril e maio, o governo iniciou um movimento de reduzir taxas dos bancos públicos para pressionar os privados. O mercado penalizou muito as ações e agora, sem impacto significativo nos balanços, as ações se recuperam", diz Flávio Sznadjer, da gestora Bogari Capital.

A situação externa no primeiro semestre também não ajudou. "O mercado estava preocupado com a situação dos bancos europeus e os ‘precificou’ para baixo. Os múltiplos do setor bancário internacional impactam nas ações e nas perspectivas dos bancos daqui", diz o analista da corretora Ativa, Ricardo Corrêa. 

Em abril e maio, as ações do Banco do Brasil caíram 22,7%, as do Itaú Unibanco, 16%, as do Bradesco, 7% e as do Santander, 3%.

Mais recentemente, após a divulgação dos balanços do segundo trimestre, o mercado reavaliou suas previsões. Além dos resultados melhores do que o esperado, os bancos também não registraram alta significativa na inadimplência - um receio que rondava o setor no primeiro semestre. "A inadimplência subiu um pouco, mas muito focada em financiamento de automóveis", diz Galdi. 

Além disso, com o aumento do risco no setor de energia, após a divulgação do pacote de concessões, que pretende reduzir os custos de energia no País, alguns investidores venderam essas ações. Segundo os analistas, parte do dinheiro pode ter migrado para os bancos, impulsionando a recuperação.

O banco que continua atrás da média do mercado é o Itaú Unibanco. O resultado do segundo trimestre foi muito impactado pela inadimplência, que reduziu a carteira de crédito para automóveis em 4,2%, para R$ 56,5 bilhões. Até dezembro, a carteira deve cair ainda mais e fechar em no máximo R$ 52 bilhões. As despesas com provisão para devedores duvidosos também teve um salto, de 30,89% em relação ao segundo trimestre de 2011.

Nos próximos meses, o desafio dos bancos ainda será lidar com o crédito, que deve crescer sob impacto das medidas do governo, mas não no ritmo anterior. "O grande boom já passou", diz Sznadjer.

Apesar disso, as ações têm aparecido nas carteiras recomendadas das corretoras. "Considero um setor interessante e com boas perspectivas. O risco pode estar menor até do que o de algumas ações de consumo, que já subiram muito", comenta ele. O preço-alvo médio para o fim do ano das ações do Itaú Unibanco é de R$ 38,56. Do Bradesco, R$ 38,20, e o do Banco do Brasil, R$ 29,78.

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