Ações de empresas expostas a corte de juros e a fusões ganham espaço

As equipes de análise seguem cautelosas em suas recomendações, preferindo mesclar nas carteiras ações de empresas com receitas expostas ao dólar e a cortes de juros

Karin Sato, Broadcast

08 Julho 2017 | 05h00

Atentas à capacidade do governo federal aprovar a Reforma da Previdência, as equipes de análise seguem cautelosas em suas recomendações, preferindo mesclar nas carteiras ações de empresas com receitas expostas ao dólar e a cortes de juros, companhias que podem protagonizar operações de fusões e aquisições ou de setores que passam por reformas e histórias de reestruturação.

Para o time do Citi, o Congresso apenas aprovará a Reforma da Previdência no quarto trimestre, mas será uma versão “diluída”. Já o Bradesco cita que fazer previsões para a economia doméstica ainda é tarefa difícil. “Não pretendemos fazer previsões no campo político, mas o consenso entre os economistas brasileiros hoje é de que, na melhor das hipóteses, teremos aprovada uma reforma da Previdência ainda desidratada neste ano, o que trará a necessidade de uma nova reforma já em 2019”, diz em relatório.

A Planner, por exemplo, indicou Ser Educacional, graças à possibilidade de consolidação no setor de educação. Depois de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) impedir a fusão entre Estácio e Kroton, a expectativa é que as atenções do mercado se voltem para a Ser, que já havia demonstrado interesse pela Estácio, disse o analista Mário Roberto Mariante. A corretora indicou ainda Itaú Unibanco e Ferbasa.

Os analistas do BB Investimentos, por sua vez, indicaram quatro ações: Natura, Petrobrás, Itaú Unibanco e Transmissão Paulista. Em relação à Natura, lembraram que, após a pressão sobre o papel em junho, por causa da compra da The Body Shop, a expectativa é de que o mês de julho represente um bom ponto de entrada na ação. “Embora a aquisição possa aumentar a alavancagem no curto e médio prazos, acreditamos que a queda da ação tenha sido demasiada, considerando as sinergias. Além disso, os resultados do segundo trimestre devem mostrar uma continuidade da recuperação das vendas da marca do Brasil”, explicam, em relatório.

Sobre Transmissão Paulista, lembraram que, a partir de julho, a companhia inicia o recebimento das indenizações referentes aos ativos da Rede Básica do Sistema Transmissão Existente (RBSE), o que tende a elevar suas receitas e a geração de caixa, possibilitando a definição e implementação de sua estratégia de expansão ou aumento da distribuição de dividendos. Quanto à Petrobrás, uma das razões para a indicação é a expectativa de que os investidores antecipem os dados operacionais do segundo trimestre, após os números positivos do primeiro trimestre.

O time do Bradesco incluiu Usiminas, Magazine Luiza, Cemig e BM&FBovespa. A respeito da siderúrgica, os analistas lembram que a empresa deve continuar com uma sólida capacidade de precificação e dizem projetar forte desalavancagem nos próximos dois anos. No que diz respeito à Magazine Luiza, trata-se de uma empresa com potencial de crescimento e de desenvolvimento de negócios não explorados, como marketplace no site – oferta dentro de uma única estrutura de vendedores diferentes.

Quanto à Cemig, os analistas lembram que a elétrica decidiu vender o controle da Light, o que deve trazer alívio à sua dívida. Por fim, para BM&FBovespa, há vários potenciais fatores positivos, como a possibilidade de recuperação dos investimentos privados, após um longo período de movimento fraco de operações de abertura de capital.

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