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Ações de energia podem cair ainda mais

A amplitude dos impactos do racionamento de energia elétrica nas ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda é uma incógnita para os analistas. Há um consenso de que os papéis estão baratos em geral, mas ninguém se arrisca a dizer que isso significa o fundo do poço. O diretor de Renda Variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, recomenda, por exemplo, uma compra de ações com visão de longo prazo. É uma tentativa de evitar a provável volatilidade do momento atual. O diretor de Renda Variável do ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa, é mais conservador. "Não recomendo entrada em Bolsa agora", diz Póvoa. Para ele, todas as companhias listadas podem continuar sendo afetadas pelo racionamento. "A Bolsa pode estar aparentemente barata, mas uma mudança na expectativa de crescimento da economia, por exemplo, pode derrubá-la ainda mais." Um fato é certo. Dentre todas as quedas já ocorridas, as maiores correspondem a papéis de empresas que podem sofrer impacto direto da falta de energia, como os das próprias companhias elétricas e de siderúrgicas. Nesse cenário, estão mais protegidas companhias que possuem auto-suficiência em geração de energia. "Aracruz e Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) sofrem ainda menos, pois não dependem do mercado interno, que pode reduzir demanda na falta de energia", disse o analista Márcio Lins, do Banco Pactual. A Companhia Siderúrgica Nacional, na visão dele, depende do mercado interno, mas pode compensar eventuais perdas exportando mais. As empresas mais expostas por enquanto no setor siderúrgico, na visão de Lins, são Usiminas e Cosipa. "A auto-suficiência não chega a 20% do consumo total. Além disso, as vendas dessas companhias são voltadas para o mercado interno." Para Ziegelmann, ainda podem ser afetados em termos de preço na Bovespa os setores que sofrerão impactos indiretos com o problema, como redução de demanda por parte dos clientes. Nesse quesito se encaixam companhias com vendas voltadas ao mercado nacional, como as de varejo. Pão de Açúcar e AmBev estão entre elas, afirmou. PetroquímicasEsse também é o caso das companhias petroquímicas. O analista Gilberto Pereira de Souza, da Itaú Corretora, lembrou que a maioria das companhias é auto-suficiente em geração, mas seus clientes podem não ser. Nesse cenário, as empresas exportadoras poderão aliviar em parte esses impactos. A queda expressiva das ações de energia elétrica ainda não justificou mudanças de recomendações por parte dos analistas. Júlio Marote, da Indosuez W.I Carr Securities, tem como única opção de compra a Eletropaulo Metropolitana. "O racionamento está mais do que precificado nesse caso", disse. A recomendação, entretanto, se baseia no preço de mercado, e não no desempenho do balanço. "O resultado de 2001 ainda vai ser ruim."

Agencia Estado,

21 de maio de 2001 | 11h36

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