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Ações de estrangeiras mantêm baixa liquidez

A chegada de novos Brazilian Depositary Receipts (BDRs) ao mercado local não deve trazer mais liquidez para esse tipo de papel. Os recibos de ações de outras empresas internacionais, segundo especialistas, devem continuar enfrentando a realidade vivida pela espanhola Telefónica, cujos BDRs têm uma baixo volume diário de negociação.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) receberá dentro de alguns meses duas novas empresas estrangeiras de telecomunicações. A Telefónica Móviles entrará no mercado brasileiro mediante troca de ações com a Celular CRT e a Portugal Telecom fará a mesma operação com a Telesp Celular.Para os especialistas, o problema central com os BDRs é a falta de clareza nas regras que determinam a tributação dos fundos de pensão. Os gestores temem que a aplicação em BDRs seja vista pela Receita Federal como um investimento em ativos estrangeiros, o que retiraria a isenção de Imposto de Renda das fundações.Por essa razão, eles não direcionam os recursos para tais papéis. O diretor de renda variável do ABN Amro Real, Alexandre Póvoa, afirmou que, mesmo nos fundos de investimento tradicionais, o gestor acaba não optando pelo BDR porque receia que o investidor institucional não aplique na carteira, com medo de perder o benefício da isenção.Como os fundos de pensão são responsáveis pela maioria do giro do mercado, não há como um papel ter liquidez se não for alvo dessas instituições, explica o analista Alexandre Carneiro, da Adinvest, consultoria especializada em avaliação de aplicações e gestão de recursos.Estar fora do Ibovespa atrapalha aceitaçãoOutra agravante, citado pelo gestor de recursos de renda variável do Banco Safra, Valmir Celestino, é o fato de o BDR da Telefônica não fazer parte da composição do Índice Bovespa (Ibovespa). Isso, explicou, tira de outra grande parcela do mercado a possibilidade de investir nos papéis, já que a maioria dos fundos busca seguir o Ibovespa.Além do problema da liquidez, o gestor de renda variável do J.P. Morgan, Eduardo Favrin, apontou que a análise das empresas internacionais fica prejudicada quando é feita daqui. "Existem nuances de legislação e contabilidade que dificultam a avaliação", explicou.A diretora de administração de renda variável da Fator Administradora de Recursos, Roseli Machado, afirmou que instituições que fazem somente cobertura local ficariam reféns das avaliações de analistas do exterior. Apesar destas dificuldades, Póvoa, do ABN Amro Real, acredita que muitas questões seriam facilmente transpostas se houvesse liquidez e interesse pelos papéis. Na opinião do especialista, seria saudável para o mercado que fosse regulado o investimento em BDRs. Para ele, enquanto a situação não estiver definida, o investidor e o País saem perdendo.

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