Ações de Internet serão as novas vedetes

Os setores ligados à tecnologia e Internet podem gerar os papéis mais negociados do mercado de ações brasileiro daqui a dez anos, segundo especialistas. "O segmento de biotecnologia tem tudo para possuir um representante de peso no mercado, apesar de ainda ser incipiente no Brasil", disse o responsável pela área de gestão de recursos do Dresdner Bank, Luiz Neves. Hoje, o mercado de ações brasileiro não conta com representantes do setor de biotecnologia. As atuais "blue chips" da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) estão concentradas no setor de telecomunicações, além de Petrobras. Uma das grandes vedetes que o mercado já teve foi Telebrás, que estreou na Bolsa em 1989. Com o processo de privatização, em 1998, a "blue chip" deu espaço a 12 novas companhias criadas da sua cisão.Na opinião de Neves, a rede mundial de computadores ganhará expressão se for capaz de mudar as relações comerciais do País. Ele alertou, entretanto, que a web corre o risco de se tornar uma incógnita mundial se não garantir relevância no meio empresarial. "É uma promessa que, como todas, corre o risco de não vingar." BiotecnologiaO chefe de análise da Indosuez W.I. Carr Securities, Alexandre Monteiro, também acredita que o progresso científico e a demanda por novos remédios impulsionarão a biotecnologia. Mas, de acordo com ele, o setor provavelmente será dominado por companhias globais, o que restringe a expectativa quanto a possíveis aberturas de capital no Brasil.Monteiro também acredita que os setores de equipamentos eletrônicos e computação irão figurar na lista das "blue chips" do futuro. "A área tende a gerar um grande volume de venda." Os segmentos relacionados à alta tecnologia, o que inclui telecomunicações, são a principal aposta do diretor de estratégia de investimentos do Lloyds Asset Management, Paulo de Sá Pereira. "Daqui a dez anos, o mundo inteiro vai estar conectado, pois estamos vivendo uma revolução da informação originada pela tecnologia." Segundo ele, os fornecedores de equipamentos e serviços para que as companhias atinjam as metas dessa nova conjuntura serão os grandes beneficiados. A ampliação do uso do telefone como um dos principais meios de acesso à informação, afirmou Pereira, deverá elevar as receitas das empresas de telecomunicações. Um dos motivos que impulsionarão a telefonia é o alto custo para se realizar a troca dos sistemas urbanos de cabo por fibra óptica.

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