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Parque Global: 90% das vendas em 3 meses Perspectiva/Benx

Ações de marketing vencem restrições da pandemia

Incorporadoras atraem interessados com show room tecnológico e com workshops para clientes

Adrian Alexandri, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Inovar para garantir sucesso de vendas. Com estratégias diferentes para públicos ainda mais diferentes, a Benx e a Related Brasil, com o Parque Global, em São Paulo, e a Vegus, com The Brick, em Guarulhos (SP), conquistaram os prêmios de Marketing do Master Imobiliário.

Como vender durante a pandemia, sem a aglomeração em um estande? A tarefa da Benx e Related para lançar duas das cinco torres do Parque Global, na Marginal Pinheiros, em São Paulo, foi levar os protocolos sanitários ao extremo, permitindo apenas 30 atendimentos simultâneos em 3.500 m², conta o diretor André De Marchi. 

Isso porque, em um projeto que terá torres residenciais de 47 andares cada, totalizando 609 apartamentos, o showroom, chamado Complexo Global, é um espaço com mostra de artes, design, paisagismo, vinho e inovação, além de três apartamentos decorados. “Foi criado para encantar o cliente em todos esses aspectos. A ideia sempre foi ter o show room como um dos principais fatores na decisão de compra do cliente, trazendo ao máximo a experiência e o sentimento de viver no Parque Global”, relata o executivo.

Para isso, foram usados recursos tecnológicos em três ambientes. O primeiro é a sala institucional, composta de uma montagem de mais de 35 TVs de LED contando a história dos incorporadores e do time que trabalha no projeto. O segundo é a sala imersiva, com uma tela de projeção 360º e uma maquete com projeção mapeada ao centro. E, por último, em um dos apartamentos decorados, a projeção de opções de diferentes andares das vistas do living principal, proporcionando a vivência completa ao cliente.

Isso sem falar do paisagismo, com um museu de mudas com mais de 72 espécies a céu aberto e uma simulação do que serão as “florestas de bolso” do empreendimento. No show room, há um espaço mostrando o trabalho de resgate de espécies nativas da Mata Atlântica – o empreendimento tem certificações AQUA, de Qualidade Ambiental, e Fitwel, de Saúde e Bem-Estar. No espaço, somado a outras ações de marketing, a Benx investiu R$ 27 milhões.

Segundo a incorporadora, é o maior projeto em desenvolvimento da América Latina, em um terreno de 218 mil m², com 58 mil m² de verde e lazer, e área de 9 mil m² privativos. Foram vendidas, em menos de três meses, mais de 90% das duas primeiras torres.

Para Daniel Citron, diretor da Related, o Parque Global é mais do que um condomínio, é um novo destino, concebido para oferecer a seus moradores todo o conforto e privacidade que eles desejam numa área cercada de verde.

The Brick

O caso da Vegus começa pelo próprio perfil de público do residencial, com 408 unidades em 3 torres, em terreno com mais de 7 mil m²: autônomos, micro, pequenos e médios empreendedores.

“O conceito do The Brick é justamente a diversidade dos profissionais liberais e empreendedores de Guarulhos. Os futuros moradores são a cara de quem investe na cidade. Desde o jovem que trabalha com tecnologia e, por isso, necessita de um condomínio preparado para o home office, até o administrador experiente que curte fabricar a sua própria cerveja artesanal para o churrasco de final de semana”, diz Guilherme Assen, coordenador de Relacionamento com o Cliente.

O material de vendas remetia aos prédios de tijolos de Nova York e a um perfil descolado e “industrial”. A arquitetura do The Brick, que significa “o tijolo”, terá muito desse material aparente, além de estruturas metálicas em escadas, caixilhos e guarda-corpos. De acordo com o empreendimento, “todos os ambientes de uso comum, como salões e oficinas, possuem pé-direito generoso, grandes caixilhos, com uma decoração que remete a ambientes de criação e produção”.

Para atrair seu público, a Vegus fez campanha com base na ideia do Faça Você Mesmo, criando uma rede de fomento, incentivo e compartilhamento da cultura maker. Cerca de 3.300 pessoas passaram pelo empreendimento, de agosto de 2019 a março de 2020, para encontros, workshops, palestras e cursos. “Os workshops foram fundamentais para a tomada de decisão, pois ali demonstramos toda a potencialidade do condomínio, com espaços para artesanato, tecnologia, oficina mecânica, marcenaria, um laboratório, brinquedoteca lúdica e muito mais”, diz Assen.

Segundo ele, 95% dos apartamentos foram vendidos para um público com idade média de 39 anos, sendo quase 60% na faixa de 19 a 40 anos, e 39% de 41 e 65 anos. Um facilitador para a compra é o financiamento direto com a construtora. “Possibilita que o profissional autônomo, que geralmente tem dificuldade para comprovar renda, tenha acesso ao financiamento de seu imóvel próprio e possa também investir em imóveis e aumentar o seu patrimônio”, diz.  

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Master Imobiliário: Premiados definem novas tendências

Júri contempla 20 obras e organizadores prestam homenagem ao fundador da MRV, Rubens Menin

Heraldo Vaz, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Do chão ao teto, por dentro e por fora. São as demarcações para exercícios de criatividade, arrojo e eficiência que foram premiados com o Master Imobiliário. Promovido pelo Capítulo Brasileiro da Federação Internacional Imobiliária (Fiabci-Brasil) e o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o evento chega à sua 27.ª edição.

A comissão julgadora, formada por especialistas, elegeu 20 vencedores, divididos em duas categorias: sete na Empreendimento, na qual concorrem obras concluídas, e 13 na Profissional, que inclui projetos e ações vinculados ao desenvolvimento do setor imobiliário. Entre as obras que ganharam troféu neste ano destacam-se o loteamento da KSM Realty em Itupeva (SP), ancorado em praia artificial de um quilômetro e ondas de até 2 metros para prática de surfe, e o edifício da Bresco no aeroporto Viracopos, em Campinas (SP), que conta com a certificação Gold de construção sustentável e uma usina solar na cobertura.

Na cidade de São Paulo, prédios corporativos com mais de meio século de idade passam por restauração de fachadas, nos lustres e escadas de mármore, além de remodelação radical nos ambientes internos, conquistando prêmios de retrofit.

São exemplos de inovações, tecnologia de ponta e soluções arquitetônicas, segundo o presidente Fiabci-Brasil, José Romeu Ferraz Neto. “Divulgamos tendências com esses produtos premiados”, afirma. “Existe um padrão de excelência.”

“O Master é o grande prêmio do setor”, afirma o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet. “Reconhece tudo o que os empreendedores e profissionais fizeram de bom e de melhor.” 

Galeria

Fundador da MRV Engenharia, Rubens Menin foi escolhido pelos promotores Fiabci e Secovi como hors concours por sua trajetória de sucesso no mercado imobiliário.

Com as 20 obras premiadas pelo júri e a homenagem de hors concours, a galeria de vencedores do Master atinge a marca de 465 contemplados desde 1994, quando o prêmio foi criado.

Em 2020, por causa da pandemia, a premiação -- em vez da cerimônia para 1,3 mil convidados -- adotou novo formato com um programa de televisão, transmitido em rede nacional pela BandNews.

Fruto da parceria entre Fiabci-Brasil, Secovi-SP e Estadão, o mesmo modelo será repetido neste ano. O programa está previsto para ir ao ar no próximo domingo, dia 10, às 18 horas, tendo como apresentadores os jornalistas Ana Paula Padrão e Zeca Camargo. A gravação e entrega dos prêmios estava marcada para ontem à noite, com participação dos vencedores do Master Imobiliário, de Ferraz Neto e Jafet, além do presidente do júri da premiação, Carlos Pires, líder de Auditoria da KPMG no Brasil e na América do Sul. 

Seis entidades formam a comissão julgadora: Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – Regional São Paulo (AsBEA-SP), Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Instituto de Engenharia (IE) e Sindicato da indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).  

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Retrofit se torna exemplo de retomada do Centro

Além da renovação imobiliária, abre-se espaço para o público como opção de passeio cultural

Heraldo Vaz, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Projeto de revitalização, com design de interiores, restaurações e preservação do patrimônio histórico, deu o prêmio de Retrofit na categoria Empreendimento para B3, a Bolsa de valores do Brasil, e para o escritório Athié Wohnrath, responsável pelas obras. Além da renovação, com ambientes para criação coletiva e colaboração entre equipes de profissionais, abre-se espaço para visitação e passeio cultural.

Segundo a comissão julgadora do Master Imobiliário, o trabalho “qualificou o espaço da B3 para o futuro”. Com o retrofit, “mudamos todo o layout dos prédios para atender às novas necessidades da empresa, das pessoas e dos clientes”, afirma a diretora executiva de Pessoas, Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da B3, Ana Buchaim.

Em seu voto, o júri deu o veredicto: “Mais que um exemplar trabalho de retrofit, uma contribuição determinante para o resgate do mercado no centro histórico de São Paulo”.

Centenária, a Bolsa foi fundada em 1890. Sua história está vinculada à região central da cidade. “Fomos evoluindo com a economia, construindo a história dos mercados financeiro e de capitais do País”, diz a executiva. “Nossas fachadas são tombadas, o desafio foi atualizar a B3 por dentro, destacando novas experiências.”

São três construções históricas, somando mais de 44 mil m² de área construída. Uma na Rua XV de Novembro, outra na Praça Antônio Prado e o chamado “Prédio das Moedas”, na Rua João Brícola, comprado pela B3 em junho de 2019. 

 

“O tripé conceitual desta obra foi a renovação, a preservação histórica dos edifícios e uma ocupação mais eficiente e integrada dos espaços”, conta Sergio Athié, sócio-fundador da Athié Wohnrath. 

Visitação

Erguido na década de 1940, o edifício da Rua XV de Novembro ganhou o Espaço B3 no térreo. É aberto para visitação e destinado a eventos, como cerimônias de IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) e leilões.

Nesse salão foi instalada uma cafeteria. Logo acima terá o Museu da B3, que ainda não está funcionando.

“O painel de última geração de LED reproduz chuva de papéis e iluminação customizada”, conta a diretora Ana Buchaim. “As pessoas podem acompanhar as movimentações diárias do mercado financeiro tomando um café.”

De estilo eclético, com arquitetura renascentista, barroca e neoclássica, o prédio tem escadas de mármore importado da Itália. Para a circulação dos visitantes, foram construídos elevador e escada para ligar térreo, mezanino e 1.º andar. Do 2.º ao 10.º pavimento ficam as áreas de trabalho.

“No térreo, a estrutura e características principais do edifício foram mantidas”, diz Sergio Athié. Internamente, o espaço se tornou uma grande área livre, com acessos pelas ruas XV de Novembro e Álvares Penteado. “Além da restauração, foi feita uma atualização técnica”, afirma. “O retrofit integrou novas áreas, permitindo um layout mais aberto e colaborativo”, acrescenta.

O coração da B3 está na Praça Antônio Prado, onde fica o centro de operações de negociações eletrônicas, o famoso pregão. Hoje digital, até 2005 era operado a viva-voz. O retrofit demoliu parte das lajes, abrindo o átrio em frente às janelas do térreo ao 5.º pavimento. Ao todo são dez andares e quatro subsolos, abrigando áreas de trabalho, salas de reuniões e espaços de uso flexível para eventos.

O prédio da Rua João Brícola, vizinho ao edifício Praça Antônio Prado, foi construído em 1955. Na fachada, as portas de ferro são contornadas por 13 moedas gigantes, com imagens em relevo do tempo do Império até a República. 

Conexão 

Como são “colados”, o retrofit inclui a conexão de andares, interligando os dois edifícios, melhorando a mobilidade interna. “Geramos mais conforto, derrubamos muros para simplificar processos e estimulamos o diálogo entre pessoas e o mercado”, diz Ana Buchaim.

A série brasileira 3%, da Netflix, com quatro temporadas, teve cenas gravadas na entrada e no saguão do “Prédio das Moedas”. Atualmente em obras, a conclusão está prevista para o ano que vem.

No térreo, aberto à visitação, terá uma área de café para ver arquitetura restaurada e elementos tombados. Fachada, lustres, sancas, guarda corpos e mármores são o ponto alto do empreendimento, segundo avaliação da Athié Wohnrath. 

O mezanino foi configurado para serviços de bem estar, com salas de relaxamento e estética. Nos outros pavimentos, há salas de reuniões, áreas de convivência com cafés e terraço para eventos. 

Lei quer levar mais habitações para a região 

A Prefeitura de São Paulo aprovou em julho a nova lei do retrofit para revitalizar prédios antigos no centro da capital paulista e transformá-los em habitações ou destiná-los ao uso comercial. Para Sergio Athié, sócio-fundador da Athié Wohnrath, é uma fonte de oportunidades, “principalmente para o mercado residencial”. O objetivo da lei é resgatar a vocação do centro, onde já existem infraestrutura de transportes e empregos. “Oferece incentivos para atrair investidores”, explica Athié.

O CEO da It’s Informov, Marcelo Breda, acredita que terá reflexos para se resolver a questão de moradias estudantis para jovens. “Há empresas que já estão investindo nisso”, diz.

A educação, com o aumento de obras para escolas e universidades, tornou-se o principal segmento no faturamento da It’s Informov. “O mercado corporativo, que já representou 80% do faturamento da empresa, caiu para 40% do total”, calcula Breda.

A empresa também atua em coworking, hospitais, espaços culturais, hotéis, restaurantes e projetos de novos edifícios. “O faturamento de 2020, que foi de R$ 350 milhões, vai dobrar este ano”, afirma Breda.

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Atualização cria ‘prainha’ e adota alta tecnologia

Ícone de meio século rejuvenesce com escorregador e guarda-sol, estúdios de rádio e televisão

Heraldo Vaz, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Neste mês, o Magazine Luiza comemora um ano em sua nova sede, onde colocou, sob o mesmo teto, as empresas do grupo. Em 21 mil m² de área construída na Marginal Tietê (zona norte de São Paulo), a renovação e adequações ficaram a cargo da It’s Informov, que criou a Arena Magalu e também ganhou prêmio de Retrofit na categoria Empreendimento.

A proposta flexível para os espaços, divididos em módulos, facilita a realização de eventos em auditório para até 500 pessoas. Alta tecnologia é destaque nos estúdios de rádio e televisão, e também está presente no centro de processamento de dados para conexão com a rede de 1,3 mil lojas pelo Brasil. Áreas de relaxamento incluem ambiente de “praia” com guarda-sol, ao lado do Rio Tietê.

Em setembro de 2020, o Magazine Luiza “adquiriu um ícone, dos anos 1960, com fachada tombada pelo patrimônio histórico”, diz o júri do Master Imobiliário, ao classificar o conhecido “prédio da Ericsson”.

Projetado em 1968 pelo arquiteto americano Charles Bosworth (1914-1999) e inaugurado em 1970, foi a sede da Ericsson do Brasil durante 49 anos. Representante da arquitetura brutalista, é um enorme bloco de concreto com 1.400 painéis pré-moldados, as “banheiras”, pesando uma tonelada cada. 

No térreo, a “casa de máquinas”, com equipamentos e ar-condicionado, foi transformada em área de convivência com vegetação e mobiliário para relaxar. “Um átrio no meio do prédio, a céu aberto”, diz Marcelo Breda, CEO da It’s Informov.

Decorado com escorregador, espreguiçadeiras, cadeiras de balanço, redes e guarda-sol, ao lado do Rio Tietê.

Os jurados elogiaram o trabalho corporativo feito pela It’s Informov, “que fez de um ícone do século 20 uma das referências de São Paulo no século 21”. Os seis pavimentos, com lajes de 3,2 mil m², receberam estações com 1.500 posições de trabalho, mais 420 assentos informais, casulos acústicos para chamadas telefônicas, balcões e mesas altas, onde se trabalha de pé ou sentado.

Além dos estúdios de mídia digital e salas para a universidade Magalu, a sede tem café e área de integração, com temas diferentes, em cada pavimento. No segundo andar, fica a biblioteca. Para cuidar dos colaboradores, oferece salão de cabeleireiros, barbearia e sala de massagem.

Tudo feito em quatro meses, no meio da pandemia. “Foram 30 dias para o projeto”, diz Breda, enfatizando que sua empresa é verticalizada, com mão de obra própria. “E 90 dias para execução das obras, com até 700 pessoas trabalhando simultaneamente.” Breda acredita que, na pandemia, surgiu um novo mundo. “Repensamos como ocupar o espaço, adotando novas formas como hubs e casulos.” A Arena Magalu passou a operar ali em outubro de 2020.  

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Conjuntos dão novo status a populares

No Rio e em Osasco, empreendimentos transformam esse tipo de habitação

Leonardo Pessoa, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Criados no antigo programa habitacional Minha Casa Minha Vida (substituído em 2020 pelo Casa Verde Amarela), dois grandes empreendimentos têm potencial para transformar a vida de moradores do Rio de Janeiro e de Osasco, além de promoverem ganhos urbanísticos no entorno. Juntos, o conjunto de condomínios “Único”, “Completo” e “Viva Mais”, da zona norte carioca, e o Via Nações, somam 2.124 apartamentos voltados ao público do programa.

Vencedora em Contribuição Urbanística na categoria Profissional do Master Imobiliário, a Cury Construtora foi a responsável por requalificar um terreno de 50 mil m² no Engenho Novo, que tinha um longo histórico de abandono, ocupações e insegurança, lançando três condomínios. A 500 metros da estação de trem, o conjunto tem 44 torres de 4 e 16 andares, totalizando 1.300 unidades, com áreas privativas de 43,7 m² a 56,5 m², infraestrutura e lazer, portaria e vagas de garagem. “Quando foi entregue, já estava 100% vendido”, diz Leonardo Mesquita, vice-presidente comercial da empresa. Os valores variaram de R$ 180 mil a R$ 230 mil.

Na avaliação do júri, pesou positivamente o planejamento pensado para resolver a falta de oferta residencial segura e acessível no bairro, além da reativação do comércio local. Anteriormente, o terreno abrigou quatro prédios de uma empresa telefônica, que desativou suas operações no local em 2000, levando à desaceleração da economia local, degradação e insegurança. Em 2014, os prédios foram ocupados por 5 mil pessoas. Com a reintegração, a Cury decidiu mudar o cenário da área.

O conjunto de condomínios “Único”, “Completo” e “Viva Mais” foi entregue em fases, até o início do ano passado. “É difícil encontrar na zona norte empreendimentos com o perfil desse projeto, que são econômicos, mas com uma grande área de lazer e serviços, diferente do que existe no entorno. Conseguimos atender uma grande demanda que há na região, e colaborar localmente”, afirma.

Os condomínios contemplam áreas como espaço zen, redário, fitness externo, praça de jogos, bicicletário, churrasqueiras, playground, piscinas adulto e infantil.

Segundo o executivo, pela dimensão do empreendimento – que agrupa cerca de 4 mil moradores –, a Cury doou à prefeitura uma área para uma futura escola. Uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), construída depois da chegada do projeto, também contribuiu para avivar mais o entorno. “Geramos uma grande movimentação que não existia antes”, acrescenta.

Já a BP8, responsável pelo Via Nações Condomínio Clube, em Osasco, garantiu o prêmio Habitação de Interesse Social pela inclusão de consumidores de baixa renda em uma região estratégica na cidade, com a oferta de moradia dentro do conceito clube privativo e 50 itens de entretenimento e lazer. 

 

Localizado em uma região de bairros nobres, o residencial, vendido com unidades no valor entre R$ 179 mil e R$ 199 mil, levou ao público do Minha Casa Minha Vida itens normalmente encontrados apenas em empreendimentos de médio e alto padrão: piscinas, fitness, salões de festas e jogos, quadras esportivas e churrasqueiras.

Para atingir o maior número de moradores, a construtora otimizou a planta, dispensando os corredores dentro das unidades. “Com metragem de 1 m² a 2 m² menor que projetos concorrentes, conseguimos deixar o preço mais acessível, com melhor aproveitamento em número de unidades e mais espaço nas áreas comuns, pensando na coletividade”, afirma Jean Paul Cutrona, CEO e fundador da construtora.

Outro diferencial do Via Nações é que os moradores puderam personalizar os itens internos do apartamento a seu gosto e preferência, como paredes, revestimentos e pisos.

O empreendimento ainda conta com horta comunitária, medidores de água e gás individualizados, bicicletário, mapa tátil, sinalização em braile, plataforma elevatória de acessibilidade, entre outros itens.

Com 6 torres, 824 apartamentos de 35 m² distribuídos em 17 ou 18 pavimentos, 2 pavimentos de garagem, opção de 1 e 2 dormitórios, o Via Nações foi vendido integralmente antes do término das obras, a um VGV de R$ 163 milhões. As entregas foram feitas em julho e novembro do ano passado.

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Alfabetização e inclusão digital no canteiro de obras

Instituto MPD vence em Responsabilidade Social focando na educação e na promoção do voluntariado

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2021 | 05h00

De olho no histórico dos operários da construção civil que, muitas vezes, migram para grandes cidades para trabalhar, sem chance de estudo, o Instituto MPD – lançado no ano passado pela construtora MPD – oferece a essas pessoas a oportunidade de mudarem essa realidade, começando dentro do canteiro de obras. Com projetos como o Construindo Histórias e Inclusão Digital, o Instituto foi contemplado em Responsabilidade Social na categoria Profissional do Master Imobiliário.

As iniciativas começaram em uma obra da MPD em Santana do Parnaíba (SP) e outras duas em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Foram construídas salas nos canteiros de obras de empreendimentos residenciais nas duas cidades, totalmente adaptadas às exigências de distanciamento social e capacidade, por conta da pandemia

 

As aulas de alfabetização ou Ensino Fundamental I e II são no final dos turnos, três dias na semana. “Nós já fazíamos diversos trabalhos sociais, por meio de um comitê de Responsabilidade Social, mas era preciso organizar melhor. Criamos uma política de voluntariado, por exemplo, que vem ajudando bastante. Agora, estamos elaborando até um projeto para atender a comunidade externa”, conta a presidente do instituto, Cecília Meyer.

Por meio da parceria com uma empresa especializada na educação de adultos, credenciada do MEC, e 68 voluntários, que auxiliam os alunos – na maioria do sexo masculino, entre 40 e 50 anos – os operários têm a oportunidade de se alfabetizarem, cursarem o Ensino Fundamental I e II, se preparando para o Ensino Médio. Para isso, fazem provas em instituições de ensino regular para obterem o certificado de conclusão e competência. “Temos caso de uma pessoa que entrou como servente e foi promovido a encarregado, depois que passou pela formação. Realmente, o aprendizado coloca a pessoa em outro status”, afirma.

Até o momento, 273 trabalhadores já fizeram o curso de alfabetização, incluindo quem já participou antes mesmo de o Instituto MPD existir. “Cada pessoa é avaliada individualmente. O aluno é assistido e conclui no seu tempo. Pode tentar um teste em uma escola regular depois e, se não passar, pode voltar e reforçar o aprendizado.”

Na capacitação em inclusão digital, tudo é conduzido pelos voluntários do Instituto MPD, que vêm da área de Tecnologia da Informação da construtora. Duas vezes por semana, eles ensinam as funcionalidades do Word, Excel, Power Point, além de outras habilidades digitais que esse público ainda não tem. Em cinco anos, incluindo o tempo do instituto funcionando, 75 pessoas foram formadas. “Depois de aprenderem a ler e escrever, também é importante estarem bem familiarizados com a tecnologia, para aproveitarem mais as oportunidades”, diz. 

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Uma nova onda faz a diferença no interior

Em Itupeva, projeto sofisticado tem praia artificial com ondas que permitem surfar

Katia Fonseca, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Se alguém disser que vai pegar onda no interior de São Paulo, pode não ser mentira ou alucinação, se essa pessoa for moradora, ou visitante, do conjunto Praia da Grama. Localizado em Itupeva (SP), tem uma praia artificial com uma orla de 1 quilômetro de extensão, onde é possível até praticar surfe em ondas que podem atingir 2 metros de altura. Sim, isso mesmo. E a praia ainda é emoldurada por vegetação nativa da Mata Atlântica. O ousado e arrojado projeto da KSM Realty foi reconhecido pelo Master Imobiliário com o prêmio de Oportunidade Estratégica, na categoria Profissional.

Nas palavras do júri, “a inovação, os cuidados com a implantação, o paisagismo e a composição visual fizeram do projeto um sucesso absoluto de vendas, com resultados que, além da valorização de seus lotes, resgataram e qualificaram todo o conjunto de empreendimentos do condomínio dentro do seu segmento de mercado”. 

O custo para implantar um projeto desse tipo é muito elevado, por isso a KSM optou por construir em um empreendimento já existente. No caso, em uma área de 91 mil m² do condomínio de alto padrão Fazenda da Grama.

O pai da ideia é Oscar Segall, sócio fundador da KSM, que vê na Praia da Grama uma alternativa ao litoral paulista. “Para surfar nas praias naturais, atualmente, a logística está cada vez mais complicada e a segurança está comprometida”, diz.

Antes da execução do projeto, foi realizada uma pesquisa de mercado e, segundo Segall, um dos resultados indicou que os condomínios, em geral, não atraem os adolescentes.

Para todos 

“Uma praia com ondas, certamente, vai atrair esses jovens. Acredito que seria um local onde eles seriam os primeiros a ir. Assim, a ideia da praia poderá unir também o interesse de toda a família”, diz.

O “mar” é um espelho d’água de 28 mil metros quadrados com 30 tipos de ondas, incluindo algumas capazes de propiciar manobra de “altíssimo nível de dificuldades”, segundo Segall, para quem já surfa. E mais tranquilas para iniciantes, além de marolas para as aulas na escolinha de surf. “Ou seja, perfeitas para todos os públicos.” A tecnologia é da empresa Wavegarden, que tem parques temáticos espalhados pelo mundo. Segundo a KSM, oferece a maior variedade de ondas com o menor consumo de energia e água do mercado.

O valor médio dos 84 lotes, com tamanhos entre 2.200 m² a 3.300 m² , vendidos na Fazenda da Grama, está em torno de R$ 1.900 o m². Segall explica que são todos lotes de revendas das fases 1, 2 e 3 do projeto. O lançamento da fase 4 estava previsto para o fim de setembro com preços em torno de R$ 1.750/m².

Em Campinas

A inovação também está presente no Legend Nova Campinas, da empresa A.Yoshii: com 23 pavimentos, é o primeiro a ser erguido com tantos andares em uma área onde até há pouco tempo só era permitido construir empreendimentos com até 13. 

“Diante da mudança nos parâmetros de zoneamento do bairro Nova Campinas, a A.Yoshii viu uma oportunidade de ter seu projeto como o primeiro a ser lançado dentro da nova lei, representando um marco na cidade”, diz o diretor executivo da empresa, Luiz Rogério Venturini. Ele conta que esse bairro de Campinas já foi morada das famílias tradicionais da cidade, principalmente entre 1960 e 1980, com residências luxuosas e de alto padrão.

“Com o advento dos condomínios residenciais horizontais, no fim dos anos 1990, lançados no entorno das cidades, muitos dos habitantes migraram para outras regiões buscando, acima de tudo, segurança”, conta o executivo.

Então, a A. Yoshii contratou uma empresa especializada em inteligência de mercado para apurar as necessidades do público, desde as plantas até a área de lazer. “Foram também pesquisados valores considerados justos e viáveis para este lançamento, as parcelas favoráveis à dinâmica de investimento do público”, diz Venturini.

Houve, ainda, um extenso estudo que respaldou toda estratégia de lançamento do produto, conduzido pela própria A.Yoshii. Deu certo. O sucesso levou a A.Yoshii a receber o Master Imobiliário de Comercialização, na categoria Profissional.

Segundo Venturini, os empreendimentos da A. Yoshii prezam pela sustentabilidade. O Legend, por exemplo, conta com reúso de água da chuva na área comum, um carregador de carro elétrico para cada unidade e plantas que primam pelo aproveitamento de luz natural nas áreas e espaços comuns.

São 40 unidades de 222 m² privativos, construídos em uma área de 3.765 m². O tíquete médio é de R$ 2,5 milhões. Os clientes são 100% campineiros da classe A, segundo a A.Yoshii.

O empreendimento oferece três opções de plantas, área de lazer completa, contemplando bicicletário, salão de festas gourmet com área externa, sports bar, brinquedoteca, sala de pilates, sauna seca, piscina coberta com trocador de calor, garden gourmet com piscina privativa, redário, praça, fire place, playground, piscinas externas adulto e infantil com deck. 

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Sustentabilidade é marco em empreendimento

Cuidado com o meio ambiente do Bresco E1, corporativo localizado na área de influência de Viracopos, é destaque

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2021 | 05h00

O Bresco E1, que faz parte do Parque Corporativo Bresco Viracopos, localizado na área de influência do Aeroporto Internacional de Viracopos, prêmio Corporativo do Master Imobiliário categoria Profissional, destaca-se, sobretudo, pelo cuidado com a preservação do meio ambiente e sustentabilidade da construção e operação.

A usina fotovoltaica, a caixilharia e os sistemas de ar-condicionado e de controle de enchentes, dentre outros itens, resultaram na certificação Leed ao Bresco E1, lembra o júri em sua justificativa. 

Planejado para locações independentes, os ambientes estão calcados no conceito open space, que permite maior integração entre diferentes áreas da empresa, proporcionando interatividade e conexões mais efetivas entre os usuários, melhoram as diretrizes de iluminação natural e distribuição da ventilação. As áreas internas variam entre 343 m² e 466 m² totalizando 6.610 m² de área construída.

“O Edifício E1 segue a tendência do que há de mais moderno, no uso de áreas corporativas e o fato de estar instalado dentro do Parque Bresco Viracopos, apenas reforça este conceito, de um ambiente sustentável, com completo tratamento dos efluentes gerados no parque, propiciando água de reúso. A geração de energia elétrica é feita por usina fotovoltaica, que abastece 100 % do consumo de energia das áreas comuns”, conta o sócio fundador da Bresco, Carlos Sisti. “O cuidado com as áreas de preservação, e monitoramento da fauna e flora local faz deste um empreendimento sem paralelos no Brasil”, diz.

Multiúso

O Parque Bresco Viracopos é um empreendimento multiúso, com operações de galpões logísticos, hotel da bandeira Ramada, um shopping, com academia de ginástica, diversas opções de alimentação, locadora de veículos e uma área de rooftop, para eventos corporativas. Também conta com centros de treinamento e galpões com várias ocupações.

O empreendimento possui área de aproximadamente 1 milhão de m², onde 247 mil m² foram preservados e incrementados com o plantio de 26 mil mudas de vegetação do bioma da Mata Atlântica. No local, existe um parque linear, com pista de corrida e caminhada, diversas estações de exercício.

A Bresco opera apenas com locação. “Fazemos o desenvolvimento dos nossos produtos de acordo com a demanda do inquilino, por exemplo, na modalidade de built to suit, ou desenvolvemos produtos e o alugamos”, diz Sisti.

O Parque Bresco Viracopos ainda está em desenvolvimento, com investimento total previsto de R$ 1 bilhão. O Edifício E1 já foi 100% alugado para a Agibank, atual AGI. 

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Isolamento impulsiona sucesso de comercialização

Confinamento desperta atenção para resort e eleva consumo de família, abrindo espaço para galpões logísticos

Adrian Alexandri, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Em dois casos vencedores em Comercialização, a reclusão e o meteórico aumento do consumo online das famílias provocados pela pandemia foram alavancas para o sucesso dos empreendimentos.

A Idealiza Urbanismo lançou o Estância dos Montes Home Resort, em Santa Maria (RS), a uma distância de 15 minutos do centro da cidade. O empreendimento teve seus 466 lotes residenciais, em uma área de 39,5 hectares, vendidos em seis horas no dia do lançamento, alcançando VGV de R$ 158 milhões.

O segredo do sucesso, segundo Fabiano de Marco, sócio da Idealiza, foi valorizar o relacionamento com o canal de vendas. “Não vendemos direto, tivemos a adesão de 17 imobiliárias que trabalharam exclusivamente o nosso produto”, diz. “Começamos a trabalhar apenas três semana antes”, conta Fabiano. “Havia um cadastro de R$ 1 mil para os interessados, e logo chegamos a 600.” Nem todos, a propósito, tiveram a chance de fazer oferta: a prioridade e escolha do lote era de quem havia feito a reserva primeiro.

O dia da venda foi um encontro apenas com os diretores e gerentes das imobiliárias, com distanciamento, e transmissão pelo Instagram. Por conta da pandemia, os compradores fecharam negócio tendo visto apenas imagens dos terrenos. O mesmo aconteceu na assinatura do contrato. “Fizemos um drive thru na cidade, com um tabelião. As pessoas chegavam de carro, assinavam os contratos e o reconhecimento de firma era feito ali, sem contato físico.” 

O Estância tem o atrativo de ser um empreendimento que contará com piscinas térmicas, spa, espaço gourmet, restaurante, quadras de tênis e de futebol, espaços contemplativos, grandes áreas verdes, lagose uma escola modelo em 12 mil m², além de lotes comerciais.

Terreno da Ford

No outro caso vencedor, a CBRE tinha o desafio de vender o terreno da Ford, em São Bernardo do Campo, com aproximadamente 1 milhão de m². As condições impostas eram venda à vista e a utilização, pelo novo proprietário, do espaço como polo gerador de empregos, impulsionando e economia. “Vimos que havia na região uma carência de galpões modernos”, conta Denis Spinosa César, diretor da consultoria. Segundo ele, o Estado de São Paulo tem 14,4 milhões de m² de espaço para estoque, mas apenas 750 mil m² ficam no ABC. A constatação dessa carência tinha como pano de fundo o crescimento do e-commerce e da necessidade cada vez maior de as empresas terem locais para estocagem e distribuição de seus produtos.

O processo levou apenas sete meses, iniciado em março do ano passado. Os interessados conheceram os espaços por vídeos e simulações. Só na etapa final ocorreu uma visita na forma de comboio: carros, com apenas uma pessoa, percorreram o terreno. 

A ação gerou 45 potenciais compradores. A CBRE analisou e selecionou 10 propostas, abrindo uma concorrência. Os vencedores foram Credit Suisse, BTG Pactual, Construtora São José e FRAM Capital, que pagaram R$ 545 milhões, maior transação de um terreno com pagamento à vista na história imobiliária brasileira. O terreno passará a abrigar um dos maiores centros logísticos da América Latina, beneficiando a estocagem e distribuição de mercadorias em toda a Grande São Paulo. 

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Eixo Rebouças tem alto padrão e habitação social

Premiados na região nobre paulistana apresentam curva de preços de R$ 250 mil a R$ 1,2 milhão

Heraldo Vaz, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

No eixo de verticalização da Avenida Rebouças, que vai da Paulista à Marginal Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, dois residenciais ganharam o Master Imobiliário. De estilos e tamanhos diferentes, apresentam uma curva de preços que vai de R$ 250 mil a R$ 1,2 milhão.

No Planalto Central, com piscinas no terraço, outro prédio de apartamentos levou o troféu por soluções arquitetônicas. Com duas suítes, a unidade custa R$ 800 mil, em bairro nobre de Goiânia (GO).

Na categoria Empreendimento, o prêmio de Residencial foi para a incorporadora Tegra com o Gabell Jardins, próximo à Rebouças, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, que reúne lojas de arte e decoração. O júri elogiou a “arquitetura contemporânea, volumetria diferenciada e design geométrico na fachada de painéis”. Próximo do metrô Oscar Freire, o edifício tem 120 apartamentos de dois dormitórios (60 m² e 71 m²), com preço médio de R$ 17 mil a R$ 20 mil por m².

Para o diretor de incorporação da Tegra, João Mendes, imóveis de dois dormitórios são versáteis como opções para moradia ou investimento. “O tíquete médio foi de R$ 1,2 milhão”, diz. “Todas as unidades já foram vendidas.”

 

Na fachada ativa, uma loja de pé-direito duplo. Na cobertura, piscina com solarium e academia. Com início das obras em 2019, o prédio de 31 andares foi desenvolvido de acordo com as diretrizes da Lei de Zoneamento, aprovada em 2016, que aumentou o potencial construtivo dos terrenos na Avenida Rebouças e seu entorno.

Boom

Com estações de metrô, corredores de ônibus e grandes avenidas, o eixo da Rebouças foi palco de um boom de lançamentos desde 2016, quando a lei de zoneamento liberou a construção de prédios mais altos na avenida.

Segundo dados do Secovi-SP, entre 2016 e 2019, foram lançados 3.845 apartamentos. No ano passado, em plena pandemia, mais 1.286 unidades.

No total, o boom supera a marca de 5 mil novos imóveis. A maioria (54%) é de estúdios e um dormitório, como as unidades do B. Side Faria Lima, lançado em parceria pela You,Inc e MF7, em novembro do ano passado, com base nos incentivos para Habitação de Interesse Social (HIS).

Nesse programa para famílias de baixa renda, 80% das unidades residenciais são destinadas a um público com renda de até 6 salários mínimos, explica a diretora institucional e de marketing da You,Inc, Tatiana Muszkat.

A 500 metros do cruzamento das avenidas Rebouças e Faria Lima, em frente ao Shopping Eldorado, terá 278 apartamentos e 30 unidades com serviços (concebidas para investidores), além de cinco lojas no térreo. São dois subcondomínios, com entradas independentes.

Econômico

É um empreendimento do segmento econômico, segundo o diretor da MF7, Gleynor Brandão. Na torre em L, com 18 pavimentos, a maioria (194 unidades) é de um dormitório. Segundo a diretora da You, estudo identificou maior procura dos compradores do segmento HIS por essa tipologia de apartamentos.

Questionada sobre o fato de não ter vagas de garagens, Tatiana diz que “o uso do carro torna-se dispensável” na região repleta de transporte público, perto de estações de metrô e trem, corredores de ônibus e grandes avenidas. Também comenta que a ausência de garagens reduz o custo de obra, “garantindo valor de construção compatível com a renda para o modelo de HIS”.

Em seu voto, o júri do Master Imobiliário destacou “a excepcional localização, a composição visual da torre e a campanha de comunicação, que resultaram em sucesso de vendas” do B. Side Faria Lima. 

O nome beside significa ao lado, diz Tatiana. “Foi pensado para reforçar a proximidade da localização com a avenida mais valorizada de São Paulo.” Segundo a diretora, o símbolo da campanha foi a faixa de pedestres. “É uma região onde é possível fazer tudo a pé.”

A campanha focou no jovem, que trabalha na região, mora com os pais ou de aluguel. “As vendas tiveram resultado excelente”, declara Tatiana.

“Praticamente tudo já foi vendido”, acrescenta Brandão. “Restam apenas dois estúdios com serviços.”

Classificados pelas incorporadoras como não residencial (NR), foram projetados para exploração em plataformas como Airbnb. “O NR possibilita a implementação de aluguéis de curta temporada”, diz Tatiana. “No modelo short stay, os investidores conseguem lucros maiores que locações convencionais de longa duração.”

Pool houses

Projetos inovadores mudam a fotografia da cidade, segundo a incorporadora Opus, que ganhou o prêmio de Soluções Arquitetônicas com o edifício Gyro Rooftop, lançado em dezembro. Edifício de alto padrão, com design arrojado, segundo o júri, que premiou o conceito de “residências compactas com piscina”.

São 196 apartamentos de 46 m² (com uma suíte e sem piscina) até 129 m² (três suítes), respectivamente, com preços de R$ 340 mil e de R$ 1,1 milhão. “Pool houses são o grande diferencial”, diz o diretor da Opus, Dener Justino, referindo-se às unidades com duas ou três suítes. Em cada pavimento, são duas piscinas com 5 m².

Para os apartamentos menores, o preço de lançamento foi de R$ 7,3 mil por m². Segundo Justino, no caso das pool houses o valor sobe 15%, para cerca de R$ 8,5 mil. “A maior procura foi por duas suítes, com 96 m² e preço de R$ 800 mil a R$ 820 mil”, conta o diretor. “Bem mais barato que em São Paulo”, ressalta o executivo. 

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Multiúso leva estúdios com serviços para Guarulhos

Unidades compactas registram valorização de 36% desde o lançamento, ocorrido em 2017

Heraldo Vaz, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

As parceiras Helbor, Toledo Ferrari e HBR Realty desenvolveram projeto multiúso em Guarulhos, na Grande São Paulo, com uma torre de escritórios e dois prédios residenciais (um deles com serviços), integrados a um centro comercial de 33 lojas. Lançado em 2017 e entregue neste ano, o Helbor Patteo Bosque Maia ganhou o prêmio Mixed Use do Master Imobiliário 2021.

“Foi o primeiro empreendimento da cidade com estúdio e serviços pay per use”, avaliou a comissão de jurados do Master, elogiando “a inovação”. Também ressaltou o sucesso de marketing e vendas das diferentes tipologias.

 

“Até dezembro, todas as lojas estarão funcionando”, prevê André Agostinho, CEO da HBR Realty, empresa que administra as unidades, sob a marca ComVem, e faz as locações, garantindo segurança e limpeza, estacionamento e Wi-Fi. “Os comerciantes conquistam clientes que moram, trabalham ou são visitantes nas torres”, declara. O mix de marcas inclui Minuto Pão de Açúcar, Cacau Show e Pizza Hut, entre as 13 unidades em operação.

Salas

A torre comercial, com 91 salas comerciais, de 37 m², distribuídas em 13 pavimentos, foi 100% vendida em 48 horas, segundo a Helbor, que também aponta valorização de 36% nas unidades do residencial com serviços.

Com estúdios, de 28 m², e um dormitório, de 39 m², são 200 unidades em 20 andares. O preço médio de R$ 8,7 mil por m² no lançamento, em dezembro de 2017, subiu para R$ 11,9 mil neste ano.

Para o CEO da Helbor, Henry Borenstein, a valorização veio com a entrega completa do empreendimento, o funcionamento das lojas e a chegada dos moradores. Os serviços pay per use incluem arrumação, concierge, lavanderia, pet care, personal trainer, manutenção e reparos. “Trazem um conceito novo para a cidade”, diz.

Em 24 pavimentos, a outra torre residencial tem 192 unidades, de 2 ou 3 dormitórios (67 e 93 m²). Segundo a Helbor, também valorizou 20%: de R$ 7,4 mil por m² para R$ 8,9 mil. “O Helbor Patteo Bosque Maia proporciona conforto e comodidade para quem quer morar, trabalhar e se alimentar”, afirma Borenstein, destacando a proximidade com o Bosque Maia, maior parque urbano de Guarulhos, com 170 mil m². “O leque de serviços e a localização fizeram o empreendimento ser muito procurado por famílias.”

Iniciado em julho de 2018, o empreendimento tem 56 mil m² de área construída. Para o diretor da Toledo Ferrari, Cid Ferrari, “é uma obra de grande porte por envolver um shopping, com lojas e restaurantes, um prédio corporativo, com pele de vidro, e os dois residenciais, com áreas de lazer”. Cerca de 600 trabalhadores atuaram na construção. 

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Estratégia e inovação são destaques na área financeira

Fundo imobiliário ganha prêmio Gestão de Ativos por desempenho durante a pandemia e fintech desenvolve solução inédita para corretores de imóveis

Eliane Sobral e Adrian Alexandri, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

A chegada da pandemia acertou em cheio os fundos de investimento imobiliário, que sentiram os efeito de lockdown, home office e fechamento de shoppings. Resultado: o Ifix, que é o principal indicador de performance desses fundos, encerrou 2020 com queda 10,2%. No entanto, os fundos voltados à logística foram menos afetados e um deles teve sua performance reconhecida pelo Master Imobiliário: o FII BTG Pactual Logística, que recebeu o prêmio de Gestão de Ativos.

Em 2019, o BTG assumiu a carteira que era gerida pela TRX Investimentos. Em pouco mais de um ano, o patrimônio administrado saltou de R$ 180 milhões para R$ 1,8 bilhão, o número de cotistas foi de 1 mil a 140 mil investidores e houve valorização de 14% da cota. 

“Nossa estratégia está baseada no tripé localização, qualidade técnica e crédito”, diz Fernando Crestana, sócio do BTG PL. O primeiro pilar do tripé, a localização, significa que 90% dos galpões estão nas principais rodovias de São Paulo, como Dutra, Castelo Branco, Régis Bitencourt e Anhanguera. “Antes, eram apenas 65%.” 

O outro pilar é a qualidade técnica dos galpões. “Saímos de 55% de imóveis triple A para algo próximo a 92%”, afirma. Os galpões têm pé direito de ao menos 12 metros, a carga de piso tem de comportar seis toneladas e a eficiência da área de estocagem versus a área total tem de ser superior a 85%. 

Por fim, o quesito crédito diz respeito a futuros locatários. “Quando assumimos, eram apenas seis locatários. Hoje, são 30 e a tendência é crescer, especialmente por conta do crescimento do e-commerce”, diz.

Segundo Crestana, em 2020, o comércio eletrônico movimentou R$ 90 bilhões. “Só no primeiro semestre deste ano o crescimento foi de 30%, ou seja, o setor logístico surfou muito bem a mudança de perfil do consumo trazido pela pandemia.” Em relação a outros países, diz o executivo, o parque logístico brasileiro leva a vantagem de ser pulverizado. Além disso, afirma, o Brasil tem 15 milhões de metros quadrados de imóveis logísticos de alto padrão – dos quais 10 milhões estão em São Paulo.

Webropay

Ainda na área financeira, o Webropay também está presente no Master Imobiliário. Definido por seu fundador, Marcos Li, como um banco para os corretores. Fintech criada há pouco mais de um ano e que já abocanha o prêmio de Inovações Tecnológicas. “Venho da área de TI financeira e percebemos que não havia uma solução para os corretores nesse mercado”, conta.

Segundo Li, a inovação é a maior razão do sucesso do Bro.Cash, uma das soluções da empresa, que facilita o recebimento de comissões pelo corretor. “Mesmo com as imobiliárias digitais, os processos para os corretores ainda eram complexos, como a necessidade de ter conta, usar cheques e TEDs.” Com o aplicativo, diz Li, as transações tornam-se rápidas e seguras, como qualquer outra transação bancária.

A solução é oferecida para imobiliárias, e em breve diretamente para os corretores. “Uma coisa que sabemos é que muitos desses profissionais são autônomos, buscam a atividade mesmo não tendo formação, aventuram-se na área. Vários não têm conta no banco.” Para ele, o app inova também por oferecer antecipação de valores e empréstimo. “É algo que o sistema bancário nega para quem não tem renda comprovada”. 

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Megaprojetos oferecem conexão com a natureza

Com preservação ambiental, empreendimentos no Ceará e em Minas miram o bem-estar do morador

Eliane Sobral, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Dois megaempreendimentos foram contemplados com o Master Imobiliário. Caucaia, a 30 km de Fortaleza, vai receber a primeira cidade planejada do Ceará, em uma área de 4,3 milhões de metros quadrados capaz de abrigar ao menos 32 mil moradores. Batizado de Cidade Cauype, é assinado pela Luciano Cavalcante Empreendimentos Imobiliários e recebeu o prêmio de Soluções Urbanísticas. Em Minas Gerais, o Vivert Reserva da Mata, uma área de 2 milhões de m², em Bom Sucesso, a 200 km de Belo Horizonte, foi reconhecido como Produto Imobiliário. Em comum, além da enormidade dos projetos, têm a preservação ambiental no DNA e privilegiam a qualidade de vida.

Com projeto urbanístico do premiado escritório de arquitetura do ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, morto em maio último, e valor geral de vendas (VGV) de R$ 120 milhões, o Cidade Cauype está dividido em lotes de 150 m² a 200 m², para a área residencial – com preços que variam entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. Os lotes comerciais vão de 1 mil a 2 mil m² e preços entre R$ 400 mil e R$ 800 mil. 

Segundo Luciano Cavalcante, presidente da empresa, a construção está dividida em cinco etapas, sendo que a primeira, já construída, recebeu investimentos de R$ 30 milhões – boa parte deles destinados à infraestrutura, como implantação de redes de fibra ótica, sistema de pavimentação com drenagem e uma estação própria de tratamento de esgoto.

São 800 lotes, incluindo residências e área comercial. Na região há uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e será a primeira área de construção de usinas de hidrogênio verde do País. 

 

Reconexão

No Vivert Reserva da Mata, além de uma reserva ambiental de 40 hectares de Mata Atlântica, o loteamento abriga desde horta orgânica, circuito de 12 km de mountain bike, estações de recarga para bike elétricas e seis estações de coworking no meio da mata e até 180 obras de arte espalhadas pelo empreendimento.

Antônio Alberto Júnior, sócio fundador da Vivert, diz que dos R$ 40 milhões já investidos pela empresa no empreendimento, R$ 2,5 milhões foram em paisagismo. “Nós precisávamos destacar a natureza. Tanto que nenhuma rua do condomínio é asfaltada, exatamente para preservar a rusticidade do local”, diz ele. 

Voltado para o público classe A, o Vivert Reserva da Mata tem lotes de 1,5 mil a 3 mil m² quadrados e preços que variam entre R$ 500 mil e R$ 800 mil. Lançado em março de 2020, justamente quando chegou a pandemia do novo coronavírus, vendeu apenas dois lotes.

“Poucos meses depois, com todo mundo em home office, a residência passou a ter prioridade na vida das pessoas e as nossas vendas simplesmente dispararam.” Cem lotes já foram vendidos, 10 casas já estão prontas e outras 15 estão em construção. O local conta com rede e tratamento de esgoto, eletricidade e de Wi-Fi.

De acordo com o empresário, o projeto está assentado em sete caminhos para a reconexão do ser humano com a natureza e consigo mesmo. Natureza, alimentação saudável, esporte e lazer, trabalho e leveza, arte e cultura, amizade e transcendência são o caminho para essa reconexão. Antônio Júnior diz que chegou a esses tópicos depois de entrevistas com 200 formadores de opinião.

“Não é sobre comprar uma casa nem quantos metros ela terá. É sobre percorrer todos os caminhos que nos levem ao bem-estar”, afirma. 

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Desafio é ampliar participação para todas as regiões

Entrega dos prêmios na TV teve audiência de 500 mil pessoas em 2020 e atrai mais projetos de fora de São Paulo

Heraldo Vaz, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Além do loteamento Vivert Reserva da Mata, em Minas Gerais, e de Cidade Cauype, no Ceará, instalados em terrenos que somam mais de 6 milhões de m², apenas outros três projetos fora do Estado de São Paulo receberam troféus nesta edição do Master Imobiliário. No ano passado, também foram cinco os premiados com obras além dos limites paulista.

O presidente da seção brasileira da Federação Internacional Imobiliária (Fiabci), José Romeu Ferraz Neto, reafirma o caráter nacional da premiação. “O objetivo é incentivar e aumentar a participação de outros Estados, com seus casos e produtos de excelência. Esse é o grande trabalho”, afirma, valorizando as ações feitas com apoio das diretorias regionais. 

O programa de televisão com a entrega dos prêmios contribui para atrair mais participantes. Transmitido em rede nacional de TV, o modelo foi inaugurado no Master de 2020 e será repetido neste ano. “É sucesso absoluto”, diz Ferraz Neto, ao ressaltar a audiência. “Atingimos 500 mil pessoas. Gente do Brasil inteiro conhece as empresas contempladas, com seus produtos, que viram tendência no mercado.”

Em parceria com a Fiabci-Brasil, o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) também é promotor do Master Imobiliário. Neste ano, foram premiados três residenciais do segmento econômico, incluindo um na zona norte do Rio de Janeiro. Lá, a Cury construiu 44 torres, com 1.300 apartamentos, enquadrados no então Minha Casa Minha Vida (MCMV), substituído pelo programa Casa Verde e Amarela.

Baixa renda

O presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, destaca a importância do programa habitacional para famílias de baixa renda. No País, o déficit habitacional é de 5,9 milhões de moradias, de acordo com dados da Fundação João Pinheiro. Jafet elogia a premiação conquistada pelos imóveis econômicos. “É um sinal claro que o Master dá para o setor”, declara. “Muitas empresas participam do Casa Verde e Amarela, desenvolvendo empreendimentos espetaculares, e contribuem para dar cidadania e dignidade para essas famílias.” 

Jafet aprovou o ajuste no teto do valor dos imóveis do programa CVA, que vai subir 10%, para R$ 264 mil, na cidade de São Paulo. Dos 20 projetos premiados com o Master, a maioria (12) está concentrada na capital e Região Metropolitana de São Paulo, o maior mercado imobiliário do Brasil.

Na cidade de São Paulo, segundo dados da pesquisa mensal do Secovi, foram lançados 81,5 mil apartamentos, com valor global de vendas de R$ 32,7 bilhões, no acumulado de 12 meses. No mesmo período (de setembro de 2020 até agosto deste ano), as vendas somaram 65,7 mil unidades.

Esses números mostram que o resultado supera a média histórica anual de lançamentos (34 mil unidades) e de vendas (30 mil unidades). De acordo com o Secovi, o mercado paulistano alcançou esse patamar porque, desde 2016, vem atuando fortemente no segmento de imóveis econômicos.

“Em São Paulo, 50% dos empreendimentos lançados são do Casa Verde e Amarela”, diz Jafet. “No Brasil, esse índice chega a 70%, mais de dois terços do total.”

Secovi divulgou sua previsão para 2021 com lançamentos de 70 mil a 72 mil imóveis novos na capital paulista, calculando um crescimento mínimo de 17% em comparação com o ano passado. Nas vendas, a projeção vai de 62 mil até 65 mil unidades residenciais, com aumento superior a 20% na comercialização de apartamentos. 

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‘Temos de atender 35 milhões de brasileiros’, diz Rubens Menin, fundador da MRV

Segundo Menin, Hors Concours do Master, a demanda é formada por um público, na maioria, do segmento econômico

Adrian Alexandri, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

Ele iniciou no ramo imobiliário aos 18 anos, como estudante e estagiário de engenharia, supervisionando obras em áreas pobres da região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Junto com um primo, Rubens Menin fundou, em 1979, a MRV e a transformou na maior construtora residencial da América Latina.

Presente em 160 cidades de 22 Estados e do Distrito Federal, a companhia tem foco no segmento popular, mas vem diversificando atividades com a Sensisa, para classe média, a Urba, de loteamentos, a Luggo, de aluguel de imóveis, Log, de logística, e com a AHS, que atua nos EUA. Possui operação consolidada de 40 mil unidades/ano pelo programa Casa Verde e Amarela. Fechou 2020 com a venda bruta de 54 mil unidades e VGV de R$ 8,7 bilhões. Mesmo com inflação e juros em alta, o grupo registrou, no segundo trimestre de 2021, o valor de R$ 2,40 bilhões com o lançamento de 11.388 unidades, alta de 5,4% sobre igual período do ano anterior e de 40,3% em relação ao primeiro trimestre. 

Aos 65 anos, Menin ainda tem participação no Banco Inter, na CNN Brasil, Rádio Itatiaia e Menin Douro Estates. Ele é a Personalidade Hors Concours do Master Imobiliário 2021.

Qual foi o maior desafio na sua trajetória nesse mercado?

Primeiro, fico muito orgulhoso, satisfeito de receber o prêmio. O setor imobiliário é minha vida, nasci nele e estou nele. O maior desafio é cada vez menor, mas ainda é grande. Nós começamos em uma época em que Brasil tinha inflação muito alta. Depois disso, começamos a viver com dois grandes problemas: o ambiente de negócios, com taxas de juros elevadas, e o chamado custo Brasil, pois a burocracia é muito grande. O setor é muito importante para a economia brasileira. Temos de lutar para diminuir essa burocracia.

Ainda temos pandemia e a inflação está alta. Como se cresce nesse ambiente?

Trabalho no setor imobiliário há 47 anos. Aqui não é para amadores. A inflação hoje não é tão alta quanto antes. O INPC subiu mais que o IPCA, o que provocou aumento grande nos preços. Temos de controlar esta inflação para depois controlar os juros. São a base do nosso setor. Fomos muito bem no ano passado porque os juros estavam baixos, as famílias dependem de taxas amigáveis. É ruim eles subirem, mas a expectativa é voltarem a cair a partir do ano que vem.

Para quem quer adquirir um imóvel: é um bom momento?

Adquirir um imóvel sempre foi bom. Ainda é um bom momento, há taxas baixas e modalidades interessantes.

E quais são as perspectivas para o segmento popular?

A hora que se faz um desenho do perfil da população brasileira, da renda, da demanda, fazemos uma fotografia e sabemos que temos de atender 35 milhões de brasileiros nos próximos 20 anos. E sabemos que o perfil desse público hoje é majoritariamente econômico. Nosso maior foco é atender de 3 a 10 salários mínimos.

Quais são as oportunidades no mercado americano?

Os EUA têm renda per capita maior, mas têm déficit habitacional, o mesmo desafio daqui, e lá é tão ou mais sério nos grandes centros. A work force, população que ganha até US$ 50 mil por ano, não está conseguindo morar. Faltam moradias, faltam players, é um desafio grande. Levamos tecnologia inovadora: todas nossas construções são feitas em processo industrializados para obras populares, isso não havia lá.

O que aprenderam lá que pode ser replicado no Brasil?

Os insumos de acabamento lá são mais completos, você monta tudo lá como se fosse um lego, armários, cozinha. Já estamos desenvolvendo coisas para trazer. É mão e contramão.

O que ainda falta realizar na sua trajetória?

Espero que falte o máximo possível e quero trabalhar por muitos anos. O Brasil chegou a ser a sétima economia, hoje somos a décima segunda. Temos de botar este país nos cinco primeiros do mundo. 

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