Ações de Teles não refletem resultados da Nasdaq

As cotações das ações de telefonia estão voltando a espelhar os resultados operacionais das companhias este ano, segundo analistas. Arrastados para baixo em 2000 pelo furacão da Nasdaq - bolsa dos EUA que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - alguns papéis podem agora estar mais próximos da economia real. Os especialistas lembram que essas ações tiveram valorizações "inchadas" até março do ano passado, quando o índice estrangeiro atingiu seu pico. "As ações de telefonia voltaram a ter um valor com base nos fundamentos das empresas, que antes não tinham", observou o analista Alexandre Constantini, do Bear Stearns. "As operadoras celulares e fixas devem recuperar seus resultados daqui em diante. Nos últimos 90 dias, não revisei para baixo nenhuma das minhas recomendações", completou. Para o analista chefe do Banco Safra, Sérgio Goldman, as ações de telefonia fixa "estão muito baratas". O raciocínio, segundo ele, também pode ser estendido a algumas celulares. Mas, há ressalvas. "Algumas delas estão tendo pressões nas margens de lucro, o que afeta a rentabilidade." Luiz Neves, diretor de investimentos do Dresdner Asset Management, reforça a idéia, afirmando que "não se pode comprar o setor como um todo". Na opinião dele, a Telemar, por exemplo, possui uma região considerável (16 Estados brasileiros) a ser explorada em termos de clientes e receita. "O setor está passando por movimentações estratégicas e operacionais." Para o sócio do portal e-Futuro, Enrico Carbone, os preços dos ativos já poderiam ter se recuperado, não fosse a força da correlação ainda existente com a Nasdaq. Ele acredita que houve distorções pois, em 1999, os papéis subiram mais do que deveriam e, em 2000, caíram mais do que o necessário.Uma pesquisa feita pela Economática (www.economatica.com.br) a pedido da Agência Estado revela que, das 30 ações mais atreladas ao comportamento da Nasdaq no ano passado, 18 eram de operadoras de telefonia, ou 60% do total. O estudo mostra a correlação dos últimos 12 meses, com sua variação avaliada semanalmente (52 períodos). Analistas apontam para diminuição progressiva da ligação entre os papéis das teles e a NasdaqMas, na avaliação dos analistas, o futuro aponta para uma diminuição progressiva dessa ligação com a bolsa norte-americana. Para Neves, do Dresdner, a tendência é que esses papéis passem cada vez mais a espelhar a real condição econômica das companhias. "Antes, comprava-se todo um setor, sem diferenciações." Goldman, do Safra, é taxativo ao afirmar que essa correlação não deveria existir. "Em primeiro lugar, os índices que medem as duas bolsas são completamente diferentes", lembrou. Isso porque a Nasdaq reúne mais de 2000 ações de tecnologia, enquanto que o Ibovespa engloba apenas 50 companhias.Ele explicou que as empresas de telecomunicações no Brasil estão em uma fase de desenvolvimento totalmente diferente das instaladas no exterior. "Aqui, há um estágio de crescimento acelerado que não existe nos Estados Unidos. As empresas estão em fase de ampliar ganhos, de oferta de novos serviços."

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